
No comício realizado na noite de ontem, em Sal Rei, Francisco Carvalho garantiu que o seu Governo irá trabalhar para resolver os problemas na saúde, no saneamento e nos transportes. O candidato a primeiro-ministro voltou a defender a necessidade de se olhar para o “Cabo Verde real”, dizendo que o país continua distante da realidade apresentada pelo Governo. “Há quem queira apresentar ao país um Cabo Verde cor-de-rosa que simplesmente não existe”.
O líder do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) e candidato a primeiro-ministro, Francisco Carvalho, esteve esta quarta-feira, 13, na ilha da Boa Vista, onde foi recebido por uma multidão no aeroporto, seguindo em uma caravana automóvel até à cidade de Sal Rei, com forte mobilização popular ao longo do percurso, sobretudo no bairro da Boa Esperança.
O dia terminou com um comício em Sal Rei, marcado por duras críticas ao Governo e por compromissos concretos para a ilha das dunas, sobretudo nas áreas da saúde, saneamento, habitação, turismo e transportes.
De olhos postos no “Cabo Verde real”
Francisco Carvalho voltou a defender a necessidade de se olhar para o “Cabo Verde real”, dizendo que o país continua distante da realidade apresentada pelo Governo. “Há quem queira apresentar ao país um Cabo Verde cor-de-rosa que simplesmente não existe”, afirmou o líder do PAICV, apontando dificuldades enfrentadas por jovens, pescadores, agricultores e mães de família em várias ilhas.
“O povo cabo-verdiano já está cansado de desculpas”, disse o candidato à sucessão de Ulisses Correia e Silva, criticando aquilo que considera ser uma governação baseada em justificações constantes. “Governar Cabo Verde é para quem tem coragem, vontade de trabalhar e ideias para resolver problemas, e não para quem vive a justificar falhas”, acrescentou Francisco Carvalho.
O líder do PAICV assumiu como prioridades para a Boa Vista resolver “definitivamente” os problemas ligados ao saneamento e à rede de esgotos, além de reforçar os serviços de saúde. “Vamos reforçar a presença de médicos especialistas, instalar laboratórios e colocar equipamentos TAC para garantir diagnósticos mais rápidos e eficazes sem obrigar as pessoas a sair da ilha”, garantiu.
Francisco Carvalho comprometeu-se, igualmente, a apostar no turismo rural e comunitário, defendendo que as famílias boavistenses devem beneficiar diretamente do crescimento do sector. “Queremos investir profundamente no turismo comunitário para que as famílias possam receber turistas nas suas próprias casas e aumentar os seus rendimentos”, disse o candidato a primeiro-ministro.
O líder do PAICV garantiu, ainda, um programa de reabilitação habitacional e apoios ao setor primário. “Temos de apostar seriamente na agricultura, pesca, pecuária e criação de animais para transformar o setor primário num verdadeiro motor da economia nacional”, sustentou Francisco Carvalho.

Desejo de uma Boa Vista bonita, desenvolvida e em crescimento
Por sua vez, o presidente da Câmara Municipal da Boa Vista, Cláudio Mendonça, disse acreditar que a ilha poderá entrar numa nova fase de desenvolvimento com um Governo liderado pelo PAICV. “Quero uma Boa Vista bonita, desenvolvida e em crescimento. Quero uma Boa Vista onde não tenhamos um Governo a atrapalhar-nos constantemente, a criar problemas, embaraços e bloqueios”, declarou o autarca.
Cláudio Mendonça acusou o Movimento para a Democracia (MpD) de apresentar promessas sem execução concreta. “Há apenas promessas de estradas, promessas para a saúde, promessas para a juventude, mas passados dez anos nada aconteceu”, afirmou, criticando ainda o aparecimento de equipamentos de saúde na ilha apenas às vésperas das eleições. “Nós queremos equipamentos definitivos para a Boa Vista e não soluções temporárias para resolver problemas apenas durante a campanha”, reforçou.
O autarca destacou, ainda, as dificuldades nos transportes interilhas e defendeu a proposta do PAICV para tornar os barcos e aviões mais acessíveis. “Somos um país formado por ilhas e precisamos de condições para circular livremente entre todas elas”, Cláudio Mendonça.

“Finalmente, dar um grande passo em frente”
Já a cabeça de lista do PAICV por este círculo eleitoral, Marízia Lima, disse sentir que “a Boa Vista vai finalmente dar um grande passo em frente”, após anos de promessas falhadas. “O meu coração está cheio de esperança, coragem e da certeza de que, no dia 17 de maio, a Boa Vista vai levantar-se rumo à mudança”, declarou a candidata.
Marízia Lima acusou o Governo de abandonar a ilha em setores essenciais, sobretudo na saúde e na educação. “Campanha entra, campanha sai, e continuam a prometer um hospital para a Boa Vista, mas tudo fica apenas na promessa”, afirmou a cabeça de lista do PAICV, lembrando também a falta de um liceu de raiz para a ilha.
A candidata criticou, ainda, a colocação de placas de obras sem avanços concretos. “Nas obras da rede de esgotos temos apenas a placa. O mesmo acontece com as obras de ligação de água para Bafareira e Estância de Baixo. Isto é uma falta de respeito para com a população da Boa Vista”, acusou.
“Todos nós somos inteligentes o suficiente para saber que quem não tem palavra não merece a nossa confiança, nem o nosso voto”, afirmou Marízia Lima, apelando à mobilização do eleitorado no próximo dia 17 de maio.
O comício terminou sob palavras de ordem em apoio ao PAICV, com Francisco Carvalho a insistir na ideia de “um Cabo Verde para Todos”, defendendo uma governação “sem exclusões” e mais próxima das necessidades reais das populações.
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