Retemos a Geração Z, ou Perdemos o País
Ponto de Vista

Retemos a Geração Z, ou Perdemos o País

A formação académica já não basta. A Geração Z exige mais do que diplomas. Procura aplicabilidade, mobilidade e a possibilidade real de criar valor. Isso exige uma ligação estratégica e urgente entre educação e os setores onde Cabo Verde pode competir com vantagem, como o turismo de alto valor acrescentado, os serviços internacionais, a economia azul, as energias renováveis e a agricultura inteligente. Sem esta sintonia, continuaremos a formar talentos para exportar, desperdiçando um dos poucos recursos que possuímos em abundância. Nas eleições de 17 de Maio, Cabo Verde não escolhe apenas partidos. Decide, na prática, se continuará a formar os seus jovens para depois os ver partir ou se terá coragem de construir uma economia capaz de reter, valorizar e realizar o potencial da sua melhor geração no próprio país.

Cabo Verde enfrenta um paradoxo doloroso e perigoso. Nunca investiu tanto na formação dos seus jovens, mas nunca perdeu tantos deles para a emigração ou para empregos que não correspondem ao seu potencial. Este fosso entre o capital humano que o país forma e a capacidade da economia em o absorver tornou-se um dos maiores bloqueios ao nosso desenvolvimento. Superar esta barreira exige uma tripla rutura que passa inevitavelmente pelo alinhamento da educação com o mercado, pela modernização da máquina do Estado e pela libertação do setor privado. 

A formação académica já não basta. A Geração Z exige mais do que diplomas. Procura aplicabilidade, mobilidade e a possibilidade real de criar valor. Isso exige uma ligação estratégica e urgente entre educação e os setores onde Cabo Verde pode competir com vantagem, como o turismo de alto valor acrescentado, os serviços internacionais, a economia azul, as energias renováveis e a agricultura inteligente. Sem esta sintonia, continuaremos a formar talentos para exportar, desperdiçando um dos poucos recursos que possuímos em abundância.

A eficiência do Estado é hoje uma questão de sobrevivência económica. Um aparelho público pesado, lento e excessivamente burocrático funciona como travão estrutural à iniciativa privada. Esta ineficiência agrava-se quando decisões públicas parecem favorecer interesses próximos do poder, distorcendo a concorrência e enfraquecendo a confiança nas instituições. Para uma geração habituada à rapidez digital, processos pouco transparentes e demoras administrativas representam perda direta de oportunidades, investimento e competitividade. Tornar o Estado mais ágil, transparente e orientado para resultados não é uma opção ideológica. É uma necessidade económica para um país pequeno com recursos limitados.

O fortalecimento do setor privado completa esta transformação. A excessiva dependência do Estado, do turismo sazonal e das remessas mantém a economia vulnerável e incapaz de gerar empregos qualificados e estáveis. É imperativo que o crescimento deixe de estar confinado ao orçamento público para passar a ser impulsionado por empresas que inovem e criem valor local. Apenas com um ecossistema empresarial dinâmico, com menos burocracia, melhor acesso a financiamento e regras claras para todos, será possível reter talento e construir um futuro atrativo para os jovens.

Nas eleições de 17 de Maio, Cabo Verde não escolhe apenas partidos. Decide, na prática, se continuará a formar os seus jovens para depois os ver partir ou se terá coragem de construir uma economia capaz de reter, valorizar e realizar o potencial da sua melhor geração no próprio país.

Partilhe esta notícia

Comentários

  • Este artigo ainda não tem comentário. Seja o primeiro a comentar!

Comentar

Os comentários publicados são da inteira responsabilidade do utilizador que os escreve. Para garantir um espaço saudável e transparente, é necessário estar identificado.
O Santiago Magazine é de todos, mas cada um deve assumir a responsabilidade pelo que partilha. Dê a sua opinião, mas dê também a cara.
Inicie sessão ou registe-se para comentar.