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Se o leitor pensava que já nada vindo do presidente norte-americano o poderia surpreender, desengane-se. Na noite da última sexta-feira, o inquilino da Casa Branca disse com todas as letras que a Marinha dos Estados Unidos da América estava agindo "como piratas" ao realizar o bloqueio naval aos portos iranianos.
Em um raro momento de sinceridade, o presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, disse que a Marinha dos Estados Unidos estava agindo "como piratas" ao realizar o bloqueio naval aos portos iranianos durante a guerra entre EUA e Israel contra o Irão. A declaração foi dada em entrevista na noite da última sexta-feira, 01, enquanto ele descrevia a apreensão de um navio por suas forças militares nos últimos dias. Se o leitor pensava que já nada vindo do presidente norte-americano o poderia surpreender, desengane-se.
“O navio parou. Usaram rebocadores e, então, desembarcamos sobre ele, sobre tudo mais. Depois entramos nele e assumimos o controle do navio. Assumimos a carga, assumimos o petróleo. É um negócio muito lucrativo”, disse Trump, acrescentando: “Somos como piratas, somos mais ou menos piratas, mas não estamos brincando”. E enfatizou, ainda, o caráter “lucrativo” da operação.
O inquilino da Casa Branca aludia ao facto de algumas embarcações com a bandeira iraniana terem sido apreendidas pelos EUA após deixarem portos do país persa, incluindo navios porta-contentores sancionados e petroleiros do Irão em águas asiáticas, lembra a agência Reuters.
Um dessas embarcações foi o navio "Touska”, enquanto seguia em direção a um porto no Irão, o que foi considerado uma violação ao bloqueio. Na época, o Exército do Irão classificou o ato como “pirataria” e “roubo em alto-mar”, destaca a CNN.
Agressões em cadeia contra o Irão
Os EUA e Israel iniciaram os ataques ao Irão em 28 de fevereiro deste ano. Além da resposta do país persa com bombardeios a instalações dos dois agressores, incluindo bases militares em nações árabes vizinhas, o que alargou o conflito para o Médio Oriente, o Irão usou como estratégia o bloqueio de quase todos os navios que passam pelo Estreito de Ormuz, importante região para o comércio global.
Em 13 de abril, Trump iniciou a operação na região do Golfo de Omã, área de acesso ao Estreito de Ormuz, por onde passa 20 porcento (%) do petróleo mundial, e se conecta com o Mar Arábico, que dá acesso ao Oceano Índico. Desde então, embarcações do Irão têm sido proibidas de navegar na região deixando ou atracando nos portos do país.
Ataques dos EUA e de Israel ao Irão e ataques israelitas ao Líbano já mataram milhares e deslocaram milhões de pessoas. Há menos de um mês, Trump fez ameaças ao Irão, afirmando que "uma civilização inteira" morreria caso não fosse possível chegar a um acordo.
Por sua vez, militares israelitas chegaram a emitir um alerta para que a população do país persa não utilizasse a rede ferroviária, antecipando possíveis ataques à infraestrutura civil, o que pode vir a ser caracterizado como crime de guerra. No genocídio em Gaza, o governo de Benjamin Netanyahu usa como tática criminosa destruir estruturas importantes, como hospitais e escolas que servem de abrigo à população deslocada.
C/G1
Foto: DR
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