CEDEAO reforça formação de jornalistas para travar desinformação numa região em alerta para a liberdade de imprensa
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CEDEAO reforça formação de jornalistas para travar desinformação numa região em alerta para a liberdade de imprensa

A formação de 500 jornalistas da África Ocidental nos últimos anos e a modernização dos mecanismos de gestão estratégica da informação figuram entre as apostas centrais da Comissão da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) para combater a desinformação e proteger os processos democráticos na região, uma inicitiva que tem em Cabo Verde capital relevancia.

O anúncio foi feito na última sexta-feira, 8 de maio, pelo Presidente da Comissão da CEDEAO, Dr. Omar Alieu Touray, durante a apresentação do seu último Relatório sobre o Estado de Implementação do Programa de Trabalho Comunitário, no âmbito da 1.ª Sessão Ordinária do Parlamento da CEDEAO de 2026, a decorrer em Abuja. É que Touray termina o seu mandato de quatro anos a frente da Comissão da CEDEAO, sedeada em Abuja, Nigéria. 

Segundo Dr. Touray, o investimento na capacitação de profissionais da comunicação social responde à ameaça crescente das fake news e da manipulação informativa, fenómenos que, alertou, têm impactos diretos na paz, na estabilidade regional e na confiança dos cidadãos nas instituições democráticas. O responsável sublinhou ainda que a CEDEAO está a revitalizar a sua política de informação e comunicação, ajustando-a às novas realidades impostas pelas redes sociais e pela inteligência artificial.

No mesmo quadro, destacou o apoio da CEDEAO à criação, na Gâmbia, do primeiro Centro Nacional de Resposta para Combater a Desinformação da sub-região, considerado um passo estratégico para salvaguardar a integridade do espaço público e reforçar a governação democrática.

Cabo Verde: liberdade de imprensa sólida, mas com sinais de alerta

A iniciativa da CEDEAO assume particular relevância para Cabo Verde, num contexto em que o país continua a ser uma referência regional em matéria de liberdade de imprensa, apesar dos sinais recentes de recuo apontados por organismos internacionais.

De acordo com o Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa 2026, divulgado pelos Repórteres Sem Fronteiras (RSF), na quinta-feira, 30 de abril, Cabo Verde ocupa a 40.ª posição entre 180 países, tendo registado uma descida de dez lugares face a 2025. Ainda assim, o relatório sublinha que o arquipélago mantém um ambiente globalmente favorável ao exercício do jornalismo, com a liberdade de imprensa consagrada na Constituição e níveis elevados de segurança para os profissionais da comunicação social. 

Os dados da RSF indicam que Cabo Verde continua a destacar-se positivamente no indicador de segurança, ocupando a 24.ª posição mundial, num contexto global marcado por perseguições e violência contra jornalistas. No entanto, a organização alerta para fragilidades nos domínios político e económico, nomeadamente a influência do poder político na nomeação das direções dos órgãos públicos e as limitações estruturais do mercado mediático. 

Formação regional como resposta estratégica

Neste quadro, a aposta da CEDEAO na formação de jornalistas e na modernização da gestão da informação surge como um instrumento relevante para países como Cabo Verde, ao contribuir para o reforço do jornalismo profissional e ético; a prevenção da autocensura e da propagação de conteúdos falsos; e a consolidação de um espaço democrático informado e resiliente.

A capacitação regional cria igualmente oportunidades para jornalistas cabo-verdianos beneficiarem de ferramentas atualizadas, alinhadas com os desafios do jornalismo digital, da verificação de factos e do uso responsável da tecnologia.

Ao concluir a sua intervenção no Parlamento, Dr. Omar Touray reafirmou o compromisso da CEDEAO com uma governação centrada no cidadão, defendendo uma cooperação regional mais forte para enfrentar desafios comuns, entre os quais a desinformação, a instabilidade política e as ameaças à democracia.

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