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Por: Elisa Pinheiro

Elisa Pinheiro

Durante as últimas campanhas eleitorais, Ulisses e Aníbal Fonseca, para conquistar os votos dos Portonovenses, prometeram mundos e fundos, que vão desde o Aeroporto Internacional em Porto Novo, passando pela 2ª fase do Porto do Porto Novo, entre outros.

Mas, aproximando o fim do mandato quer do Governo, quer da Câmara Municipal, do aeroporto só se fala de estudos, para continuar a enganar os eleitores. 

Hoje, nós os Santantoneses fomos praticamente impedidos de viajar na nossa companhia aérea (Cabo Verde Airlines, m.c.p TACV), uma vez que com tantos constrangimentos e burocracias, é-nos mais fácil viajar na TAP, através dos voos internacionais que partem do Aeroporto Cesária Évora – S. Vicente, do que irmos até ao Sal ou à Praia, onde temos ainda de entrar nas “Jigajogas” impostas pela Binter.

A promessa de construir a 2ª fase do Porto, caiu simplesmente no esquecimento, limitando a acusar o PAICV que com as verbas então disponíveis, comprometeu-se em concretizar a 1ª fase das obras de Expansão e modernização do Porto e CUMPRIU! Pois, os Portonovenses estão gratos pelo cumprimento do compromisso assumido pelo PAICV, e que foi visto como o motor de desenvolvimento, não apenas do Concelho do Porto Novo, mas sim, da nossa ilha de Santo Antão em geral.
No entanto, os Portonovenses e Santantonenses de uma forma geral, sentem-se completamente enganados. Pois, O MPD QUE COMPROMETEU-SE EM CONCLUIR A 2ª FASE DESSAS OBRAS, MAIS UMA VEZ, NÃO VAI SEGUIR O BOM EXEMPLO DO PAICV, AO AFIRMAR QUE NÃO CUMPRIRÁ COM AQUILO QUE NOS PROMETEU! 

Pois, é o próprio MINISTRO DO TURISMO, TRANSPORTES E ECONOMIA MARÍTIMA, Sr. JOSÉ GONÇALVES, que no dia 20 de Julho de 2019, aquando da sua visita à nossa ilha, veio nos dizer que “DE MOMENTO, A AMPLIAÇÃO DO PORTO DO PORTO NOVO, PARA RECEBER NAVIOS DE CRUZEIROS DE MAIOR PORTE, NÃO ESTÁ NOS PLANOS DO GOVERNO”. Ou seja, utilizando as suas próprias palavras, disse que “O PROJETO NÃO ESTÁ NA CALHA PARA JÁ, NO QUADRO DOS INVESTIMENTOS PÚBLICOS NA ILHA.”

Relativamente aos transportes marítimos, o caos instalou-se e nós os Portonovenses/Santantonenses continuamos a sofrer na pele todas as consequências possíveis e inimagináveis, advenientes do “Contrato” de Concessão do Serviço Público de Transporte Marítimo Inter-Ilhas, celebrado entre o Governo de Cabo Verde e a empresa portuguesa Transinsular, no dia 19 de Fevereiro de 2019, na Cidade da Praia, justificando inclusive, que os empresários Santantonenses nem sequer poderiam fazer parte dessa nova gestão/exploração da linha de transportes marítimos, uma vez que segundo o Deputado Nacional do MPD, Damião Medina, “não têm sequer dinheiro para pagar um pardal um lanche”. Para além, do descontentamento sentido e ouvido no seio dos operadores marítimos cabo-verdianos, que sentem-se discriminados pelo facto de não terem tido qualquer oportunidade e o Governo ter preterido essa Empresa estrangeira para explorar as linhas marítimas inter-ilhas, através de um concurso internacional duvidoso, por um período de 20 anos, tendo ainda oferecido à mesma todos os barcos da Cabo Verde Fast Ferry e um empréstimo no valor de 518 mil contos para lançar operações comerciais.

Mas, para não cairmos na tentação de acreditar que o MPD está a agir de boa-fé com os Cabo-verdianos, vale a pena relembrar aos que já não se recordam e aos que tiveram a sorte de não presenciar os desmandos da década de 90, a forma como o MPD DESTRUIU A GRANDE FROTA MARÍTIMA, constituída por dezenas de barcos de longo curso, que encontrou quando venceu as eleições em 1991.  

Cada Ilha tinha um barco com o seu nome. Quem não se lembra dos barcos com os nomes de: SANTO ANTÃO, S. VICENTE, S. NICOLAU, BRAVA, FOGO, MAIO, BOA VISTA, SANTIAGO, SANTA LUZIA, ILHA DE KOMO, ARCA VERDE I, ARCA VERDE II, ARCA VERDE III, entre tantos outros? Imaginem! Até a Ilha de SANTA LUZIA que não tem população, nem caís acostável, tinha um barco com o seu nome.

De realçar que esses barcos, a maioria novos, navegavam sem quaisquer constrangimentos nos oceanos deste Planeta.
Pois, tal como as outras empresas, os barcos novos foram vendidos, particularmente aos estrangeiros e amigos do atual 1º Ministro, Ulisses Correia e Silva, também a preço de banana, e o resto foi abandonado até apodrecerem nos cais, com o argumento de que o Estado não deve ser proprietário de nada. No entanto, agora, o MPD e o atual 1º Ministro, vem acusando o Governo anterior (do PAICV), dizendo que não foi capaz de adquirir barcos para satisfazer as necessidades dos cabo-verdianos. Mas, a pergunta que todos os cabo-verdianos honestos fazem é a seguinte: se alguns dos barcos atrás referidos tivessem sido poupados pela saga destruidora do Ex- Ministro das Finanças do Governo do MPD dos anos 90, e atual 1º Ministro, hoje, os Cabo-verdianos não estariam mais e melhores servidos? Claro que sim! 

Repetimos que o PAICV não é contra a privatização de certas empresas, se se chegar a conclusão que os privados são capazes de geri-las melhor, em benefício de todos os cabo-verdianos. Mas somos contra privatizar por privatizar, a forma como o MPD vêm vendendo as empresas que pertencem a todos os cabo-verdianos e o destino que é dado ao produto da venda desse património do POVO.

Votos de continuação de um Feliz Ano Novo para Todos!

Artigo publicado pela autora no facebook



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Comentários  

0 # De Praia Maria 14-01-2020 10:13
A nomeação do Ministro de Turismo e Transporte é de cogitar ! Administrador de Grupo Oasis , deixa um salário chorudo no grupo Oasis, para vir ganhar o que membro do governo ganha?
Fico por aí.
Tempo nos dirá...
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0 # Silvério Marques 09-01-2020 10:35
Esta senhora é de facto desconhecedora dos assuntos de navios. Talvez em 1991, ela fosse criança. Este meu comentário não vem negar as dificuldades de implantação da empresa Cabo Verde Interilhas. Ela desconhece que ao longo dos anos oitenta houve uma grande mudança na construção dos navios e no sistema de transporte de cargas. Estas deixaram de ser transportadas no porão e passaram a ser transportadas em contentores. Ora os navios de longo curso que Cabo Verde possuía já não podiam ir para a Europa e América porque a estiva mudou radicalmente com os contentores. Quem não sabe isso, não sabe nada. Quanto ao resto é apenas a continuação de uma ignorância doentia e de partido. Ela repete o que todos os militantes do PAICV dizem.
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