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Por: David Veiga

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O ano de 2015 ficará na História como o ano da definição dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, fixados numa cimeira da ONU, em Nova Iorque (EUA), de 25 a 27 de setembro, que reuniu os líderes mundiais para adoptar uma agenda ambiciosa com vista à erradicação da pobreza e ao desenvolvimento económico, social e ambiental à escala global até 2030, conhecida como Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

O governo de Cabo Verde já garantiu que o país vai atingir esses objectivos e que o Orçamento de Estado para 2018 já segue esse alinhamento. Entretanto, muito mais do que a mobilização política e financeira, é necessário também uma forte mobilização social para, sobretudo no campo, ambiental podermos, de facto alcançar a meta de um ambiente saudável para todos.

Em Cabo Verde, é bom referir, esse tema fica em segundo plano, embora a questão ambiental afecta a todos, no presente e no futuro. Mas a preservação e defesa do meio ambiente constituem dois dos principais desafios do mundo actual, quer desenvolvido ou não, como única forma de garantir a sustentabilidade global.

O equilíbrio ecológico está em perigo desde que o homem passou a utilizar de forma irracional os recursos da Terra. A poluição aumenta a cada dia, a biodiversidade está ameaçada, a água diminuiu e várias espécies estão em risco de extinção. No nosso país, aliás, a falta de chuva e a apanha desenfreada de areia, devido ao desemprego elevado, estão a afastar os peixes da costa e causando alterações no ecossistema marinho nacional.

O problema da falta de água, por exemplo, é já uma realidade e, pior ainda, já é considerada como a causa principal de problemas relacionados com a saúde pública e falta de saneamento. E para combater esses problemas ambientais, ligados à escassez dos principais recursos naturais, precisamos adoptar uma nova atitude que proteja e respeite a natureza, uma nova forma de lidar com as florestas, com a água, isto é, que facilite o uso racional dos recursos disponíveis com base nos instrumentos criados para o efeito. Instrumentos que permitam tanto a preservação como valorização dos recursos, estribados em conceitos novos como a sustentabilidade ambiental. Como já referi, é um processo que exige uma combinação de vontade política com a participação efectiva das populações.

Segundo o PANA II, os principais problemas ambientais, comuns a todas as ilhas, são resultantes de uma gestão inadequada de recursos naturais nos meios rural, urbano e peri-urbano, causadas pela economia de consumo, liberalizada sem as adequadas mudanças sociais e económicas e pela pobreza, que afecta, sobretudo, a população das zonas rurais, funcionando esta ultima como causa e efeito da degradação ambiental.

Outra actividade com certo peso na degradação ambiental é o comércio ambulante, praticado nas principais ruas das Cidades e nas zonas rurais e que mais não é do que a venda de produtos como frutas de todas as espécies, cereais, medicamentos, roupas, bebidas, comidas, carnes, peixes e outras sem qualquer cuidado higiénico ou inspecção, apesar de estas actividades serem interditas pela Lei municipal.

Vê-se logo que, enquanto país insular, de tipo saheliano – com períodos de secas severas –, Cabo Verde deve estar em conexão com a evolução das Políticas globais e os “cenários” de desenvolvimento humano e económico devem ter sempre presente a sua vulnerabilidade ambiental. Associações diversas, como a Quercus Cabo Verde, têm tido um trabalho voluntário incansável para sensibilizar as entidades públicas e as comunidades a preservarem ou a fazerem melhor uso dos recursos naturais disponíveis. E não custa mesmo nada preservar o nosso país.

 



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