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Atelano Fonseca falou ontem, 11, na CPI que investiga a falência do Novo Banco. Hoje é a vez dos ex-gestores do NB, Carlos Moura e Marly Cruz, dizerem o que sabem.

O ex-presidente do Conselho de Administração dos Correios de Cabo Verde, empresa que detinha 25% do capital do Novo Banco, disse esta terça-feira em audição na CPI que investiga a decadência do banco público, que esta instituição financeira podia conceder crédito a médias e grandes empresas.

Segundo Atelano Fonseca, isso era possível porque os estatutos do NB assim o permitiam, versão, refira-se, que entra em choque com a ideia inicial defendida pelo Governo em como o Novo Banco seria um banco de cariz social, precisamente para financiar pequenas empresas com dificuldades no acesso ao financiamento junto dos bancos comerciais tradicionais.

O ex-presidente do Conselho de Administração dos Correios de Cabo Verde (CCV) considerou ainda que a participação da empresa na criação e extinção do Novo Banco foi “transparente e sem qualquer complicação”.

Os Correios detinham 25 por cento de participação do capital social do NB, avaliados em 105 mil contos. E, de acordo com Atelano Fonseca, havia um acordo que permitia ao banco público utilizar os balcões dos Correios sem ter que arrendar espaços no exterior para o funcionamento dos seus serviços. “Em suma, éramos accionistas e ao mesmo tempo parceiros, essa era a nossa situação em relação ao Novo Banco“, esclareceu o gestor, indicando que a situação dos CCV era diferente dos outros accionistas.

Explicou também que agora, depois de consumada a extinção, a comissão liquidatária vai ter de discutir com a empresa para ver o que fazer com os diferentes balções que o Novo Banco tem nos serviços dos Correios, em todas as ilhas. “Isso agora compete à nova administração que vai negociar com a comissão liquidatária todo esse processo de recuperação de investimentos feitos nos balcões do Novo Banco”, notou.

Nesta quarta-feira, 12, vão ser ouvidos também o ex-presidente do conselho de administração do Novo Banco, Carlos Moura, e a ex-administradora executiva da mesma instituição, Marly da Cruz. A audição destes dois gestores, depois de Péricles Silva que foi ouvido também ontem, poderá ser crucial para o esclarecimento sobre a ascensão e queda do NB, situação que custou ao Estado cerca de um milhão e 800 mil contos de prejuízo e mais de 60 trabalhadores no desemprego.

Quer Moura, quer Marly da Cruz apareceram, mesmo sendo administradores, numa polémica lista de 50 maiores clientes do NB com montantes acima dos 20 mil contos. A origem do documento – que deveria ser de sigilo bancário, além de não acrescentar nada ao esclarecimento do caso – levantou muitas queixas e suspeitas, até que a Comissão Nacional de Protecção de Dados acabou por multar o Banco de Cabo Verde, enquanto supervisor, e o próprio Novo Banco, pela divulgação da mesma por fuga de informação.

Prevê-se, por isso, uma audição quente esta quarta-feira quando Carlos Moura e Marly da Cruz forem confrontados pelos deputados. A CPI que investiga os contornos da criação, em 2010, do Novo Banco e a sua falência e consequente extinção, em Março de 2017, já ouviu até agora os ex-PCAs do IFH, Paulo Soares, da CECV, Emanuel Miranda, dos Correios, Atelano Fonseca, e o ex-administrador do NB, Péricles Silva.

Ao todo são 27 audições previstas pela CPI, liderada pelo deputado do PAICV, Manuel Inocêncio Sousa, para ajudar a esclarecer o que aconteceu com o Novo Banco, instituição financeira de capital público, que em Março deste ano viu o BCV anunciar a medida de resolução que consistiu na alienação parcial das suas actividades e da maior parte dos seus activos e passivos à Caixa Económica de Cabo Verde (CECV).

Eram accionistas do Novo Banco, o Estado de Cabo Verde que tinha uma participação de 42,33%, o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) com 28,28%, a com CECV com 11,76%, os Correios de Cabo Verde com 7,35%, a Imobiliária Fundiária e Habitat (IFH) com 7,35% e o Banco Português de Gestão com 2,94%.

Santiago Magazine/Inforpress



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