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Eliud Kipchoge, talvez o melhor maratonista da história, tornou-se no primeiro humano a correr os 42,195 quilómetros da maratona em menos de duas horas, mas o feito não será um recorde: a prova, realizada em Viena, foi exclusiva para o queniano e a Associação Internacional de Federações de Atletismo não reconheceu a prova. 

Quem corre por gosto nunca se cansou de tentar, falar e insistir que sim, era possível um humano completar os 42,195 quilómetros de uma maratona em menos de duas horas, que o esforço sobre humano aos olhos da gigante maioria da espécie seria, um dia, feito por alguém.

E que a superação, a tecnologia e treino estavam a puxar esse dia para cada vez mais perto.

Eliud Kipchoge é o magro, esguio e extraordinário recordista mundial da maratona, com distância feita em 2:01.39 horas, em 2018. É campeão olímpico, ganhou 12 das 13 maratonas em que já correu, incluindo as de Londres, Chicago ou Berlim e a barreira temporal das duas horas iludia-o.

Com ele iludiram-se especialistas, marcas de desporto que inventam sapatilhas milagrosas e muito boa gente que, à chegada à Lua, aos 24 metros da maior onda alguma vez surfada ou aos 9,58 segundos de Usain Bolt, acreditavam que uma maratona podia caber em menos de duas horas.

Há anos que as crenças caem, quase todos, em cima de Kipchoge, o homem que sorri enquanto corre, esconde a dor na cara feliz e passou meses a treinar em altitude, correndo 225 quilómetros por semana em preparação para esta manhã de sábado, em Viena. "Alguns acreditam ser impossível. Respeito a opinião, mas deviam respeitar a minha", disse.

Ele acreditava ser possível.

HERBERT NEUBAUER

Deu quatro voltas ao circuito do Prater, um parque no centro da capital austríaco, auxiliado por carros pisteiros e cortadores de vento, a orientá-lo com lasers, mais 41 homens que se revesavam (sete à vez) para manterem o ritmo alto e puxarem por Kipchoge, que nunca se desviou da média de 2'50'' por quilómetro.

Teve condições que jamais alguém tivera: entre os homens puxadores estavam atletas também recordistas, como os irmãos Ingebrigtsen ou Bernard Lagat, todos medalhados em meias distâncias, e, apesar das multidões a assistirem, corrida foi fechada e exclusiva para Kipchoge. ou Bernard Lagat, que nunca se desviou da média de 2'50'' por quilómetro.

À entrada para o último, o queniano rasgou o sorriso, mostrou os dentes, sacou energia sabe-se lá de onde, livrou-se de toda a gente e acelerou. Sobravam-lhe 20 segundos quando cruzou a meta da história, 42,195 quilómetros em 1:59.40,2 horas. Há dois anos, em Monza, Itália, à primeira tentativa do género, acabou com 26 segundos a mais.

O sorriso não lhe saiu da cara, mesmo que não tenha conseguido um recorde - a Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF) não homologou a corrida por ser solitária e limitada à possível façanha de um homem só. "É diferente correr em Berlim e correr em Viena. Correr em Berlim é para vencer e bater um recorde mundial, Viena é como ir à Lua", disse, porém, Kipchoge no final.

A história de superação acelerou-se nos pés de Kipchoge e na vontade da INEOS, empresa petroquímica que financiou o evento, massificou-o na promoção e injetou-lhe com meios - o carro corta-vento os lasers, os 41 corredores lebres - para aproximar o queniano de uma marca, há muito, inatingível.

Ele superou-se pelo gosto de correr. E quem corre assim por gosto abriu caminho para quem vier a seguir. "Acredito que nenhum humano tem limites", dissera. Acabou de o provar, mais uma vez.

Com Expresso.pt

 


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Comentários  

0 # Arena crítica um 21-10-2019 21:10
Grande feito. É sempre um prazer ver um ser humano a superar obstáculos.
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