
Na tarde de ontem, o líder do PAICV participou em uma roda de conversa com empresários em São Vicente. O candidato à sucessão de Ulisses Correia e Silva sublinhou, ainda, que os empresários são os maiores parceiros na sua criação. E salientou que o fortalecimento do tecido empresarial permitirá não só aumentar a geração de emprego, mas, também, melhorar a arrecadação de receitas fiscais e reforçar a capacidade do Estado em redistribuir riqueza e garantir maior estabilidade social.
Na tarde desta sexta-feira, 16, o presidente e candidato do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) à sucessão de Ulisses Correia e Silva, reuniu no Mindelo com um grupo de empresários de São Vicente, na sede da Câmara de Comércio de Barlavento.
O encontro decorreu em formato de conversa aberta e em roda, com uma forte participação registada por diversas intervenções. De um modo geral, os empresários manifestaram-se atentos e interessados, demonstrando, também, confiança na possibilidade de mudanças no ambiente de negócios do país.
Francisco Carvalho deixou logo claro ao que ia: “Não somos empresários, por isso, devemos ouvir quem está no terreno e transformar essas ideias em políticas públicas”.
Concessão do transporte marítimo não pode colocar cabo-verdianos em posição subalterna
Durante a conversa, um dos empresários levantou a questão da concessão do transporte marítimo interilhas, criticando o facto de o processo estar nas mãos de entidades estrangeiras, o que, na sua perspetiva, coloca os cabo-verdianos em uma posição subalterna.
Na mesma intervenção, foi questionado o modelo de financiamento do setor, considerando excessivo o subsídio estatal atribuído à CV Interilhas, estimado em cerca de 6,6 milhões de euros (aproximadamente 727 mil contos) anuais, e defendendo que o sistema de transporte marítimo poderia funcionar de forma sustentável sem esse apoio, com exceção das ilhas com menor procura.
Outras intervenções centraram-se na necessidade de medidas concretas para o fortalecimento das empresas, nomeadamente a criação de um banco especializado para financiar o setor primário (agricultura, pecuária e pesca), bem como a melhoria do acesso ao crédito junto da banca nacional.
Empresários são um grupo social altamente atento e estratégico
Na sua intervenção, Francisco Carvalho reconheceu que os empresários constituem uma classe naturalmente prudente na relação com os partidos políticos, mas sublinhou tratar-se de um grupo social altamente atento e estratégico, com capacidade de identificar oportunidades e antecipar necessidades.
O líder do PAICV defendeu uma abordagem pragmática para o desenvolvimento do setor empresarial, afastando-se de propostas excessivamente complexas ou teóricas. Segundo Francisco Carvalho, o essencial passa pela construção de uma administração pública verdadeiramente próxima dos empresários, que reconheça o seu papel central na economia e crie condições efetivas para o seu crescimento e consolidação.
O candidato destacou, ainda, que o emprego deve ser encarado como “o maior projeto social de qualquer país”, sendo os empresários os principais parceiros na sua criação. Neste sentido, reforçou que o fortalecimento do tecido empresarial permitirá não só aumentar o número de postos de trabalho, mas também melhorar a arrecadação de receitas fiscais e reforçar a capacidade do Estado de redistribuir riqueza e garantir maior estabilidade social.
“Os empresários são o principal parceiro na criação de emprego e estão no centro do nosso projeto para Cabo Verde”, salientou o líder do maior partido da oposição, acrescentando: “não vamos inventar a roda, vamos aplicar medidas simples, práticas e eficazes” para apoiar os empresários.
Maior disponibilidade de recursos para apoiar o setor privado
No plano macroeconómico, Francisco Carvalho garantiu a manutenção da estabilidade e do equilíbrio do país, assegurando simultaneamente a introdução de novos mecanismos de financiamento e maior disponibilidade de recursos para apoiar o setor privado.
“O Estado deve remover barreiras para que o setor privado possa crescer, quando o privado cresce, o país cresce”, disse ainda o candidato a primeiro ministro, enfatizando que “não podemos continuar com uma economia baseada em improviso, Cabo Verde precisa de pensar a longo prazo”.
O líder do PAICV defendeu uma administração pública mais próxima dos empresários, caracterizada pelo diálogo permanente e integrando as suas preocupações no programa de governação. E avançou com propostas como a criação de um banco especializado para financiamento do setor primário (agricultura, pecuária e pesca), bem assim o desenvolvimento de mecanismos de financiamento para energias alternativas, o investimento no desencravamento de zonas produtivas, facilitando o escoamento da produção e a implementação de medidas para redução dos custos de produção, incluindo o transporte de produtos.
Análise de critérios para o investimento estrangeiro
Em pauta esteve também a questão do investimento estrangeiro, com Francisco Carvalho a defender a necessidade de uma análise de limites e critérios, visando proteger e fortalecer o empresariado nacional.
O candidato assumiu, ainda, o compromisso de o Estado passar a compensar financeiramente as empresas de transportes que asseguram a deslocação de agentes públicos, reconhecendo que esta prática tem gerado constrangimentos económicos às operadoras.
Adotar uma estratégia de desenvolvimento a longo prazo
Francisco Carvalho criticou, igualmente, a falta de concretização de oportunidades estratégicas, como o acesso ao mercado africano e o aproveitamento do African Growth and Opportunity Act (AGOA), apontando a ausência de medidas concretas no Orçamento do Estado para potenciar estas áreas.
Na sua visão, Cabo Verde precisa de abandonar uma lógica de improviso “txapa txapa” e adotar uma estratégia de desenvolvimento a longo prazo, centrada no fortalecimento do empresariado nacional, considerado fundamental para a resiliência económica do país, sobretudo em contextos de crise.
O encontro terminou com o reforço do compromisso de construção de um modelo de governação assente no diálogo, na proximidade e na implementação de medidas concretas que respondam às reais necessidades dos empresários e promovam o desenvolvimento sustentável de Cabo Verde.
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