
O MpD, outrora estruturado e coeso, transformou-se numa verdadeira “manta de retalhos”, fragmentado, sem visão estratégica e dependente de equilíbrios internos frágeis que sacrificam o interesse nacional em nome da sobrevivência política. E é preciso dizê-lo sem rodeios: nenhum país sério consegue sobreviver sob o domínio de uma “quadrilha” instalada no aparelho do Estado. Quando a lógica de grupo substitui o interesse público, quando a lealdade partidária se sobrepõe à competência e à ética, o resultado é a erosão progressiva das instituições e a perda de confiança dos cidadãos.
A um mês das eleições legislativas, ouvindo Abrão Vicente, o “Korpo Rixu”, num “podcast” com Alberto na FORCV, intitulado “Kombersu Sabi”, conclui-se que a arrogância na política e o narcisismo são defeitos de difícil correção - tão entranhados que nem a pesada derrota averbada nas autárquicas serviu de cura. E, ironicamente, parece que quem tem mais capacidade para lhe dar resposta não é o debate político sério, mas sim a irreverência crítica do rapper Wise. Mais grave ainda: ficou por esclarecer a alegada negociata com a CVI, nomeadamente a assinatura que terá dado na alteração do contrato inicial - um silêncio que levanta dúvidas sérias sobre transparência e responsabilidade política. E há um dado político que não passa despercebido: o verdadeiro “terapeuta” desta patologia política - tanto de Korpo Rixu como do seu chefe, Ulisses Correia e Silva - parece ser, comprovadamente, Francisco Carvalho, cuja presença e influência não conseguem ignorar em nenhum momento.
Torna-se, assim, cada vez mais evidente o esgotamento moral e político do desgoverno desse grupo de interesse. Abrão Vicente, erguido mediaticamente como um suposto pensador, mas na prática um especialista do vazio - o tal “Korpo Rixu” - insiste numa retórica de legitimação de um Estado capturado por interesses, onde a corrupção deixou de ser desvio para se tornar método.
Sob a liderança de Ulisses Correia e Silva, o poder degradou-se numa lógica autoritária subtil, marcada por centralização, intolerância à crítica e instrumentalização das instituições. A figura de um “pequeno déspota” já não é apenas metáfora - é uma leitura política consistente de um estilo de desgovernação que enfraquece a democracia por dentro.
O MpD, outrora estruturado e coeso, transformou-se numa verdadeira “manta de retalhos”, fragmentado, sem visão estratégica e dependente de equilíbrios internos frágeis que sacrificam o interesse nacional em nome da sobrevivência política.
E é preciso dizê-lo sem rodeios: nenhum país sério consegue sobreviver sob o domínio de uma “quadrilha” instalada no aparelho do Estado. Quando a lógica de grupo substitui o interesse público, quando a lealdade partidária se sobrepõe à competência e à ética, o resultado é a erosão progressiva das instituições e a perda de confiança dos cidadãos.
É neste contexto que se torna inteligível o afastamento e abandono de figuras como Alberto Melo - Beta, Casimiro de Pina - Nhónhas, Máxima Moreno, entre muitas outras. Trata-se de pessoas que, por princípio, não se revêm nem se compatibilizam com a cultura de bajulação, subserviência e oportunismo político - os chamados “lambe-botas” - que passou a dominar os corredores do poder, liderado por esse “pequeno déspota”.
Cabo Verde não pode continuar refém de uma governação assente na manipulação da verdade, na propaganda e na negação sistemática da realidade vivida pela população. Libertar o país da mentira enquanto estratégia de poder deixou de ser uma opção - é uma exigência democrática urgente.
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