.png)
A agenda da primeira Sessão Ordinária do Parlamento da CEDEAO ficou marcada, por uma forte aposta na capacitação económica das mulheres, com a realização de uma Masterclass Executiva da ECOFEPA – Organização das Mulheres Parlamentares da CEDEAO, dedicada , na quinta-feira, 8 de maio, ao comércio e à exportação liderados por mulheres.
A iniciativa, organizada em parceria com a WATEX, plataforma de exposição tecnológica dedicada à inovação, às soluções digitais e à colaboração na África Ocidental, reuniu parlamentares, especialistas em comércio, instituições financeiras e empreendedoras da sub-região, afirmando-se como um espaço estratégico de reflexão e ação sobre o papel das mulheres no processo de integração económica regional.
Na abertura dos trabalhos, a Presidente do Parlamento da CEDEAO, Hajia Memounatou Ibrahima, sublinhou que o fortalecimento da autonomia económica feminina deve ser encarado como uma prioridade política regional, defendendo a criação de mecanismos de apoio mais eficazes para mulheres envolvidas no comércio transfronteiriço.
A líder parlamentar destacou o contributo silencioso, mas decisivo, das mulheres comerciantes para a coesão social e a subsistência das economias locais, lembrando que estas continuam a enfrentar entraves estruturais como custos elevados de conformidade, deficiências infraestruturais, acesso limitado ao financiamento e fraca proteção institucional.
Para Hajia Memounatou Ibrahima, iniciativas como esta masterclasse são fundamentais para transformar esse cenário, ao dotar as participantes de competências técnicas, conhecimentos jurídicos e instrumentos de negociação que permitam uma participação mais sólida nos mercados regionais e internacionais. Defendeu, por isso, que as mulheres deixem de ser apenas usuárias do sistema comercial para se afirmarem como protagonistas da transformação económica da CEDEAO.
A dimensão estratégica da inclusão feminina no comércio regional foi igualmente sublinhada pela especialista em comércio internacional, a Prof.ª Ngozi Egbuna, que, durante a sua intervenção, alertou que qualquer modelo de crescimento que exclua as mulheres é, por definição, incompleto e insustentável.
Segundo a especialista, apesar de dominarem grande parte do comércio informal transfronteiriço na sub-região, das cadeias de valor agrícolas e de novas plataformas digitais, as mulheres continuam afastadas dos sistemas formais de exportação e dos processos de definição das políticas comerciais. Para inverter esta realidade, defendeu reformas concretas, como a simplificação dos procedimentos comerciais, a digitalização dos sistemas aduaneiros, políticas fronteiriças sensíveis ao género e o reforço do acesso ao crédito.
A necessidade de encarar a inclusão financeira feminina como uma estratégia económica, e não como uma ação assistencialista, foi também defendida durante a sessão. Nesse sentido, foram apontados modelos inovadores de financiamento, sistemas de crédito à exportação e mecanismos específicos de apoio a empresas lideradas por mulheres como ferramentas essenciais para ampliar oportunidades e reduzir desigualdades.
A masterclasse deu ainda voz às experiências reais das mulheres no terreno, com relatos sobre as dificuldades enfrentadas nas fronteiras, a insegurança nos corredores comerciais e a ausência de infraestruturas básicas, como alojamento e serviços de apoio, fatores que continuam a penalizar a atividade comercial feminina na sub-região.
O compromisso das instituições financeiras com esta agenda foi reafirmado pelo Diretor-Geral do Bank of Industry da Nigéria, Dr. Olasupo Olusi, que destacou a importância de apoiar a transição das empresas lideradas por mulheres do setor informal para uma participação estruturada nos mercados regionais e globais, considerando o empoderamento feminino simultaneamente uma exigência social e uma necessidade econômica.
A Masterclasse Executiva da ECOFEPA assume-se, assim, como um marco relevante no seio do Parlamento da CEDEAO, ao alinhar capacitação parlamentar, políticas públicas e desenvolvimento económico inclusivo, num esforço conjunto para reposicionar as mulheres no centro da estratégia de integração e crescimento da África Ocidental.
Os comentários publicados são da inteira responsabilidade do utilizador que os escreve. Para garantir um espaço saudável e transparente, é necessário estar identificado.
O Santiago Magazine é de todos, mas cada um deve assumir a responsabilidade pelo que partilha. Dê a sua opinião, mas dê também a cara.
Inicie sessão ou registe-se para comentar.
Comentários