José Maria Neves: “Desigualdade é cancerígena para a democracia”
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José Maria Neves: “Desigualdade é cancerígena para a democracia”

Na sua intervenção durante a IV Reunião de Alto Nível “Em Defesa da Democracia”, que está a decorrer este sábado em Barcelona, o presidente da República defendeu que “a desigualdade extrema é cancerígena para a sociedade e funciona como o principal combustível para o avanço de movimentos autocráticos e iliberais”.

O Presidente da República, José Maria Neves, encontra-se em Barcelona (capital da Catalunha), a participar na IV Reunião de Alto Nível da Iniciativa “Em Defesa da Democracia”, a convite do presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, onde este sábado proferiu uma intervenção. 

Na sua intervenção, José Maria Neves defendeu que a desigualdade extrema é cancerígena para a sociedade e funciona como o principal combustível para o avanço de movimentos autocráticos e iliberais.

“Na trilha de Aristóteles, a desigualdade é cancerígena para qualquer sociedade. Quando é extrema, rompe os laços da vida cívica em comum e dissemina instabilidades”, disse o presidente da República, revisitando o século XX e as lutas pela liberdade e emancipação da humanidade.

Segundo José Maria Neves, “graças aos movimentos reformistas e progressistas […] conseguimos grandes ganhos em direitos civis e políticos”, no entanto, advertiu que “ainda não se concretizou o sonho da divisa ‘liberdade, igualdade, fraternidade’”. porquanto “há mais igualdade de direitos, todavia, as desigualdades de rendimento e de riqueza persistem e o fosso entre ricos e pobres é cada vez maior”, considerou o chefe de Estado cabo-verdiano.

Para o presidente da República “a pobreza, as desigualdades e outras formas de exclusão têm gerado descontentamentos de segmentos expressivos da sociedade, dos deserdados da terra”. Um descontentamento direcionado a “políticas e a políticos”, perante um sistema democrático, “que não tem conseguido processar as demandas e as exigências da sociedade e dos cidadãos e entregar respostas que satisfaçam”.

Descontentamento tem provocado a emergência de grupos extremistas

“Tais descontentamentos têm provocado roturas, aberto feridas e criado espaços vazios, que tendem a ser preenchidos por grupos e movimentos extremistas, iliberais e tendencialmente autocráticos, apoiados por forças tecnológicas e financeiras, as grandes vencedoras do neoliberalismo e da globalização”, disse ainda José Maria Neves, sustentando que tal situação tem feito emergir as forças extremistas que “propõem respostas simplistas, conservadoras, autoritárias e demagógicas”, que mobilizam setores menos esclarecidos da sociedade, provocando “fissuras nos pilares do Estado de Direito”, eliminando direitos, destruindo as liberdades e as conquistas sociais, e corroendo por dentro os alicerces da democracia. 

Para obstar à situação, José Maria Neves defende que a defesa da democracia deve defender-se a dois níveis: consolidação e reforço de instituições políticas e económicas inclusivas; combatendo, no plano das ideias, os movimentos tradicionalistas e conservadores.

“É essencial formar políticas públicas que respondam, efetivamente, aos anseios e às exigências da sociedade e dos cidadãos, políticas que combatam a pobreza e as desigualdades e garantam o progresso social e a dignidade da pessoa humana”, defendeu o presidente da República, acentuando que “as novas gerações são muito sensíveis ao ideário da igualdade e da justiça social” e enfatizando a necessidade de combater aqueles que “optam pelo extremismo para defender os seus interesses, recusando a ciência, a cultura, os intelectuais, a liberdade, a democracia, a decência e a humanidade”.

A iniciativa “Em Defesa da Democracia” foi lançada em 2024, à margem da 79ª Assembleia Geral das Nações Unidas, pelo presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e pelo presidente do Governo de Espanha, Pedro Sánchez.

Foto: DR

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