
Waanvertonig (traduzida para portugues): Uma desgraça é uma prestação muito má, uma conquista vergonhosa ou um espetáculo que deixa uma má impressão.
O debate das eleições legislativas de 2026, realizado ontem, deixou uma impressão difícil de ignorar. Para muitos que acompanharam atentamente, no país e na diáspora, ficou evidente que um ciclo político está a chegar ao fim.
A atuação do Primeiro-Ministro revelou sinais de desgaste, não apenas físico, mas sobretudo político. Ao longo de duas horas, o que se viu foi um líder pressionado, com dificuldades em apresentar respostas convincentes para problemas que continuam a afetar diretamente a vida dos cabo-verdianos nas areas crucias como os transportes marítimos e aéreos, segurança, educão e saúde.
Agoa a tentativa de sustentar a ideia de que “tudo está para acontecer” (“sta bai kontisi”) já não encontra o mesmo eco para o futuro e a pedinchar mais cinco anos?!
Senhor Primeiro-Ministro, o Cabo Verde mudou! A sua população está mais exigente, mais informada e menos disponível para aceitar explicações vagas ou promessas repetidas.
É neste contexto que cresce o sentimento de que a mudança deixou de ser apenas uma possibilidade tornou-se uma necessidade. Após uma década marcada, na perspetiva de muitos, por retrocessos, falta de transparência e fragilidades na governação, o país enfrenta agora uma encruzilhada.
A diáspora, cada vez mais atenta e participativa, também tem um papel fundamental neste momento. Já não é a mesma de há dez anos. Hoje, exige resultados, visão e inclusão num projeto nacional que seja verdadeiramente para um Cabo Verde para todos, todos e todos.
A mensagem que emerge deste debate é clara: “Um Waanvertonig”, há um cansaço acumulado e uma vontade crescente de virar a página. A expectativa de uma nova liderança e de novas soluções ganha força à medida que se aproxima o dia 17 de maio.
A ideia de um “Cabo Verde para Todos” não é apenas um slogan é uma exigência coletiva. Uma exigência por mais equidade, mais transparência e uma governação que responde aos desafios reais do país.
Se este debate serviu para alguma coisa, foi para evidenciar que os cabo-verdianos dentro e fora do arquipélago, estão atentos, conscientes e prontos para decidir o rumo do seu futuro. Este futuro é inegavelmente um Cabo Verde para todos, como a nossa capital, mas sem o Primeiro-Ministro e a sua ala radical!
*Waanvertonig (traduzida para portugues): Uma desgraça é uma prestação muito má, uma conquista vergonhosa ou um espetáculo que deixa uma má impressão.
Os comentários publicados são da inteira responsabilidade do utilizador que os escreve. Para garantir um espaço saudável e transparente, é necessário estar identificado.
O Santiago Magazine é de todos, mas cada um deve assumir a responsabilidade pelo que partilha. Dê a sua opinião, mas dê também a cara.
Inicie sessão ou registe-se para comentar.
Comentários