
Na apresentação da candidatura a este círculo eleitoral, que aconteceu ontem, Francisco Carvalho destacou o ambiente de receção positiva que o partido tem encontrado no terreno, afirmando que, “por todos os lados por onde vamos, os cabo-verdianos estão a contar com esta mudança”. O candidato à sucessão de Ulisses Correia e Silva apresentou, como eixo central da sua visão, um “Estado que cuida e ampara as pessoas”, baseado na justiça social e na redistribuição da riqueza, apontando a criação de emprego como prioridade, através do desenvolvimento do setor primário e da atração de investimento industrial, incluindo a instalação de fábricas na ilha das salinas.
O líder do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), Francisco Carvalho, presidiu na noite desta quarta-feira, 22, na Rua Pedonal Toy Pedro, na ilha do Sal, à apresentação da lista do partido para as eleições legislativas de 17 de maio, num comício marcado por propostas concretas para a ilha e por sinais de mobilização e apoio popular à mudança política.
Francisco Carvalho destacou o ambiente de receção positiva que o partido tem encontrado no terreno, afirmando que, “por todos os lados por onde vamos, os cabo-verdianos estão a contar com esta mudança” e sublinhando que o PAICV tem sido recebido “com alegria e grande energia” em várias regiões do país e da diáspora, incluindo a ilha do Sal.
O candidato à sucessão de Ulisses Correia e Silva considerou que este apoio resulta da avaliação negativa que a população faz do atual governo, defendendo que há um sentimento generalizado de que “não tem mais nada para dar”, o que, no seu ponto de vista, reforça a expectativa de alternância política nas eleições de maio.

Problemas estruturais marcam intervenção do candidato
Já o cabeça de lista pelo Círculo Eleitoral do Sal, Carlos Andrade, centrou a sua intervenção nos principais desafios enfrentados pela ilha, com destaque para o elevado custo de vida, a crise habitacional, o saneamento, a saúde e o desemprego jovem.
Segundo o candidato, o aumento constante dos preços dos bens essenciais está ligado a dificuldades no transporte e à falta de fiscalização, enquanto a habitação enfrenta uma situação “crítica”, com escassez de casas e casos de desalojamento, sobretudo nas cidades de Espargos e de Santa Maria.
Carlos Andrade denunciou, ainda, problemas no saneamento básico, com ausência de um aterro sanitário e presença de lixo e esgotos, bem como fragilidades no setor da saúde, afirmando que muitos residentes “têm medo de adoecer” devido à falta de condições e de especialidades médicas na ilha.
Propostas centradas na habitação, emprego e serviços públicos
Para responder a estes desafios, o PAICV apresentou um conjunto de propostas direcionadas para a ilha do Sal. Entre as principais está a construção de mil habitações no âmbito do programa Casa para Todos, com enfoque nos jovens e nas famílias com dificuldades de acesso a moradia.
Na área do emprego, o partido aposta na formação profissional orientada para o mercado, visando colmatar a falta de mão de obra qualificada em setores como construção civil, eletricidade e carpintaria, e facilitar a inserção dos jovens no mercado de trabalho.
No setor da saúde, foi proposta a ampliação do hospital regional, com reforço de especialidades médicas, de forma a reduzir a necessidade de evacuações para a cidade da Praia.
Ao nível das infraestruturas, o partido propõe a melhoria das estradas, a construção da Escola Básica Integrada (EBI) de Palmeira e o reforço da rede educativa em zonas com crescimento populacional, como Espargos e Santa Maria.
Diversificação económica e valorização da riqueza local
Carlos Andrade defendeu, ainda, a necessidade de diversificar a economia da ilha, apostando no potencial agrícola, nomeadamente na zona da Terra Boa, como complemento ao turismo e meio de garantir abastecimento local e geração de rendimento.
O candidato sublinhou, também, a importância de assegurar uma distribuição mais justa da riqueza produzida na ilha, questionando se os benefícios do crescimento económico têm chegado à população, e defendendo um modelo de desenvolvimento mais inclusivo.
Estado que ampara
Voltando a Francisco Carvalho, o candidato a primeiro-ministro reforçou a mensagem de mudança, defendendo que “é possível fazer” e melhorar as condições de vida no país, contrapondo ao que considera ser um discurso “derrotista” por parte do atual governo.
O líder do PAICV apresentou, como eixo central da sua visão, um “Estado que cuida e ampara as pessoas”, baseado na justiça social e na redistribuição da riqueza, apontando a criação de emprego como prioridade, através do desenvolvimento do setor primário (agricultura, criação de animais e pesca) e da atração de investimento industrial, incluindo a instalação de fábricas na ilha das salinas.
O comício terminou com um apelo à mobilização dos eleitores, com Francisco Carvalho a incentivar a divulgação das propostas apresentadas pelo seu partido e a participação ativa nas eleições de 17 de maio, considerando que a concretização da mudança política depende da adesão ao voto.
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