As duas caras de Olavo Correia
Política

As duas caras de Olavo Correia

O vice-primeiro ministro disse hoje que a venda de 51% do capital da CV Handling é “um bom negócio relevante e estratégico”. No entanto, dez anos atrás, o mesmo Olavo Correia, ainda na oposição, insurgiu-se contra a assinatura do contrato de privatização dos portos da Praia e do Mindelo, com a multinacional francesa Bolloré, considerando ser inoportuna e antiética, por se realizar em vésperas de eleições legislativas.

O vice-primeiro ministro afirmou esta terça-feira, 28, que a venda de 51 porcento (%) do capital da CV Handling, avaliado em 36 milhões de euros, é “um negócio relevante e estratégico” para o futuro do sector.

O também ministro das Finanças falava na cerimónia de formalização do contrato de compra e venda de ações da CV Handling, S.A. (na foto), entre a ASA, na qualidade de vendedora, e a Swissport Holding Spain, S.L., na qualidade de compradora.

Segundo Olavo Correia, a entrada da Swissport Holding Spain marca “o início de uma nova fase” para o país e explicou que a venda é de 61% do total da CV Handling, sendo que 51% agora pertence à Swissport Holding Spain, mas que com a concretização do acordo, prevê ainda a alienação adicional de participações.

Dez anos atrás, Olavo defendia o contrário

Em tempos de memória seletiva, convirá relembrar o que o então dirigente da oposição Olavo Correia dizia, a propósito de decisões desta natureza, em vésperas de eleições.

Corria o dia 08 de março de 2016, o vice-presidente do MpD apelava ao Governo, liderado por José Maria Neves, para não assinar nenhum contrato de privatização dos portos da Praia e do Mindelo antes das eleições, para que a decisão não comprometesse o próximo executivo saído das eleições legislativas desse ano.

Na ocasião, Olavo Correia considerou que a assinatura do contrato com a multinacional francesa Bolloré, em vésperas das eleições legislativas, era inoportuna e antiética. E, em resposta ao dirigente ventoinha, José Maria Neves garantiu que o Governo não iria privatizar os portos ou tomar qualquer decisão que comprometesse o novo executivo, o que cumpriu escrupulosamente.

Uma década após o apelo que fez ao atual presidente da República, Olavo Correia mudou de opinião, sustentando implicitamente que a decisão do atual Governo, em vésperas de eleições, pelos vistos, é absolutamente normal e em nada condiciona o próximo executivo.

C/Inforpress e RFI

Foto: GCI/Governo

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