Insegurança alimentar cresce no mundo e tende a agravar-se
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Insegurança alimentar cresce no mundo e tende a agravar-se

O Relatório Global sobre Crises Alimentares de 2026 alerta para o aumento de casos de fome extrema e desnutrição severa, com apenas 10 países a abrigar dois terços de todas as pessoas afetadas. Conflitos, variabilidade climática e incerteza económica podem agravar condições este ano. O relatório ressalta, ainda, impactos de ciclones e chuvas em Moçambique.

A insegurança alimentar aguda dobrou na última década e duas crises de fome foram declaradas no ano passado, segundo o Relatório Global sobre Crises Alimentares de 2026.

O documento, divulgado nesta sexta-feira, 24, pela Rede Global Contra as Crises Alimentares, salienta que a insegurança alimentar permanece altamente concentrada, com apenas 10 países - Afeganistão, Bangladesh, República Democrática do Congo, Mianmar, Nigéria, Paquistão, Sudão do Sul, Sudão, Síria e Iêmen - abrigando dois terços de todas as pessoas afetadas.

Chuvas e inundações afetaram Moçambique

De entre os países lusófonos, Moçambique é citado no relatório como um contexto de crise nutricional moderada. Isso pode indicar níveis mais baixos de desnutrição aguda ou uma maior capacidade nacional para prevenir uma deterioração adicional.

O documento enfatiza que chuvas intensas, desde dezembro de 2025, provocaram inundações severas em diversas províncias de Moçambique, causando deslocações de populações e devastando terras agrícolas.

A segurança alimentar no país também foi abalada pelo impacto de ciclones, pragas e pelo conflito na província de Cabo Delgado.

Escalada nas formas mais extremas de fome

Crises de fome foram identificadas no ano passado em Gaza e em partes do Sudão pelo Sistema de Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar (IPC). Esta é a primeira vez, desde que o relatório começou a ser produzido, que duas crises desse tipo foram confirmadas em dois contextos distintos no mesmo ano.

Segundo os autores, isso sinaliza uma forte escalada nas formas mais extremas de fome e desnutrição, impulsionada principalmente por conflitos e acesso humanitário restrito, e agravada pelo deslocamento forçado.

No total, 266 milhões de pessoas em 47 países ou territórios experimentaram altos níveis de insegurança alimentar aguda em 2025, representando quase 23 porcento (%) da população analisada. Essa proporção foi ligeiramente maior do que em 2024 e quase o dobro da parcela registada em 2016.

85 milhões de pessoas deslocadas à força

Somente em 2025, cerca de 35,5 milhões de crianças sofreram de desnutrição aguda, incluindo quase 10 milhões em quadro severo.

Quase metade dos contextos de crise alimentar também enfrentou crises nutricionais, refletindo os efeitos combinados de dietas inadequadas, carga de doenças e falhas em serviços essenciais.

Nos contextos mais severos, incluindo Gaza, Mianmar, Sudão do Sul e Sudão, esses choques resultaram em níveis extremos de desnutrição e riscos elevados de mortalidade.

Além disso, a deslocação forçada continuou a agravar a insegurança alimentar. Mais de 85 milhões de pessoas foram deslocadas à força em contextos de crise alimentar em 2025, incluindo deslocados internos, requerentes de asilo e refugiados.

Perspetiva para 2026

Olhando para o futuro, o relatório alerta que níveis severos de insegurança alimentar aguda continuam críticos em múltiplos contextos em 2026.

O documento afirma que conflitos, variabilidade climática e incerteza económica, incluindo riscos para o comércio de alimentos, provavelmente sustentarão ou agravarão as condições em muitos países.

De referir que a Rede Global Contra as Crises Alimentares é uma aliança internacional das Nações Unidas, da União Europeia, do Ministério da Cooperação e Desenvolvimento Económico da Alemanha, do Escritório de Relações Exteriores da Commonwealth e Desenvolvimento do Reino Unido, do Governo da Irlanda, do Grupo g7+, bem como de agências governamentais e não governamentais.

Redação

C/ONU News
Foto: Unicef/Mark Naftali

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