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 Daniel Ferreira 696x385

O bastonário da Ordem dos Médicos de Cabo Verde (OMCV) diz-se preocupado com a nomeação do novo director Nacional da Saúde, Artur Correia, afirmando que esta decisão poderá constituir um “risco para a sustentabilidade” do Sistema Nacional de Saúde. Motivo? Artur Correia não é médico, alega a Ordem.

Daniel Silves Ferreira fez estas declarações em conferência de imprensa, hoje, na cidade da Praia, a propósito da nomeação, sublinhado que o facto de Artur Correia não ser médico representa uma “preocupação e levanta algumas incertezas” quanto ao futuro da “sustentabilidade do próprio Sistema Nacional de Saúde”.

“Temos alguma preocupação que decorre da nomeação deste titular que é um profissional bom mas não médico”, ajuntou a mesma fonte, já que vai ter que lidar com várias questões que são “claramente do domínio médico”.

“Conhecemos e bem a pessoa escolhida, nutrimos por ela um sentimento de amizade e estima, achamos que é uma pessoa com muita competência, mas temos dúvidas, que o desempenho que nós pensamos que deva ser para que o Sistema Nacional de Saúde fortaleça cada vez mais”, elucidou.

No entender do bastonário, a Direcção Nacional da Saúde é “a pedra, a base da organização” do  Sistema Nacional de Saúde, realçando neste sentido que o director é o “chefe da orquestra” de praticamente todos os médicos que estão em Cabo Verde e a “peça fundamental” do Sistema Nacional de Saúde.

Segundo este responsável, a manifestação da Ordem dos Médicos de Cabo Verde relativamente a esta nomeação visa cumprir aquilo que vem plasmado nos estatutos, que conforme explicou, dizem claramente que a OMCV tem como uma das principais atribuições, a defesa do Sistema Nacional de Saúde.

“A ordem cumprindo sempre estatutos não tem parecer vinculativo em absolutamente nada mas tem esta atribuição de dar o seu parecer por uma iniciativa própria ou pedido”, lançou, pelo que a organização está “sempre disponível” para dar o seu parecer sempre que haja um assunto de interesse na área da saúde.

“Foi por isso que analisamos esta questão e fizemos saber da nossa posição ao ministro da saúde”, precisou.

Entretanto, afirmou que caso ficar confirmando que estão salvaguardas todas as possibilidades e que não há risco nenhum do Sistema Nacional da Saúde  vir a ter problemas, a Ordem dos Médicos “apoiará abertamente” esta nomeação.

Artur Correia vai desempenhar o cargo de director Nacional de Saúde, em substituição de Maria da Luz Lima Mendonça, que irá liderar o Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), até aqui dirigido pelo médico Tomás Valdez.

A sua nomeação foi aprovada em Conselho de Ministros, que aconteceu na quinta-feira, 09, no qual ainda se deu por finda a comissão de serviço da directora cessante.

A publicação do B.O de 13 de Agosto confirma o término de serviço de Maria da Luz Mendonça, que vinha desempenhando o cargo desde 2016, mas não informa a nomeação do novo director, que deverá ser publicado nos próximos dias.

Artur Correia já desempenhou funções como director do Hospital Agostinho Neto, secretário executivo do Comité de Coordenação de Combate à Sida (CCS-Sida), director Nacional do Programa de Combate a Doenças de Transmissões Vectoriais e Doenças, entre outras funções.

Com Inforpress



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Comentários  

0 # Céu Santos 25-08-2018 12:54
Com muita atenção li o artigo. Na minha opinião, aqui o importante não é ser médico, mas excelente gestor, visto que o Senhor vai gerir, vai executar políticas emanadas do poder executivo. Tem sido um erro muito grande escolher médicos para gerir os hospitais e para gerir a Direção Nacional da Saúde. Congratulo com a abertura do Senhor Ministro da Saúde de ter indicado um gestor para este nobre cargo. Desejo sucesso para o Senhor DNS. Ressalta aqui, que ele vai ocupar de GERIR questões ligadas ao sector da saúde.
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0 # Daniel Carvalho 22-08-2018 21:48
Caro amigo Silves.
Ouvi a sua entrevista e percebi a sua reserva.Mas na verdade, ser médico não tem que ver com ser Gestor. O Artur é Gestor e se não der conta do recado, seguramente não será pelo facto de não ser médico. Convenhamos.
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+2 # João Pedro Mendonça 22-08-2018 12:28
Santa Paciência, Sr. Bastonário. Caro Daniel, você foi longe de mais, meu amigo. Isso é suficiente para solicitar a sua demissão por incompetência, rapaz. O Artur Correia, PhD em Gestão de Sistemas de Saúde, vulgo Tuicha para nós os amigos, não irá realizar consultas nem quaisquer outros actos médicos. A função de um director nacional, que é diferente de um director clinico, é gerir um sistema nacional de saúde pública, isto é fazer a afectação dos recursos técnicos, financeiros e humanos no sector e não administrar receitas médicas nem prescrever orientações médicas. Artur é gestor do sistema nacional de saúde, não é médico e nem precisava ser médico. As pessoas insistem em confundir actos médicos com actos de gestão. A gestão consiste em implementar e definir políticas públicas para o sector. O médico, deve é tratar dos doentes e da saúde de todos nós. Um dia desses, teremos a Ordem a defender que ministros da saúde devam ter no seu currículo o curso de médico, o que é uma monstruosidade. Já agora, não deixa de ser uma mesquinhice de todo tamanho, com a total falta de médicos que temos em Cabo Verde, a Ordem dos Médicos, em vez de pedir e brigar por mais médicos para os actos médicos, imagine-se, ao invés, quer e deseja mais médicos na secretaria. Isto é uma "caboverdura" daquelas que ninguém ousava pensar que saísse da cabeça do Bastonário. Nos países sérios, a Ordem deseja mais e mais médicos de bata branca nos consultórios, nas enfermarias, nas faculdades de medicina, nos bairros pobres e enquanto que em Cabo Verde, a "des (ordem)" quer e deseja médicos a assinar cheques, a despachar férias, a fazer tudo, menos actos médicos. Estou desapontando e muito preocupado com este sectarismo desmedido do Daniel.
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0 # Zepa Mandinga 22-08-2018 10:19
Realmente não faz muito sentido: a Dra. Maria da Luz sai da DNS para ocupar o cargo que o Dr. Artur ocupava antes. Sim, porque, antes da ir para o Combate à SIDA, não era ele o Dr. Artur um antigo responsável pelo Instituto Nacional da Saúde Pública? Mais valia ele voltar às mesmas funções numa casa que bem conhece do que assumir a Direção Nacional da Saúde, sem ser médico. Esta troca-moloca não está bem explicada. E com a não aprovação da OMCV, ainda que com parecer não vinculativo, fica mais complicado de se entender.
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