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Até sexta-feira, 29, a segurança e ordem públicas em Cabo Verde vão estar em xeque. A Polícia Nacional está desde esta manhã, 27, em greve geral de três dias e já tem quase 100% de policiais em manifestação nas ruas por todo o país. Há esquadras que sequer estão a funcionar, e logo numa época crítica do ponto de vista da segurança.

Mesmo com a requisição civil determinada pelo Governo, a greve geral na Polícia Nacional está a ter a adesão massiva dos policiais, havendo esquadras, como as do Mindelo, em São Vicente, que estão praticamente fechadas. Na ilha do Porto Grande, aliás, 97% dos agentes aderiram ao protesto pelo não cumprimento por parte do Ministério da Administração Interna (MAI) do Memorando de Entendimento, assinado no mês de Março deste ano, no qual o ministro Paulo Rocha acordara resolver as reivindicações da classe.

“Pelo menos 122 agentes da polícia estão inscritos no Sinapol em São Vicente e destes estão em greve à volta de 105 filiados”, declarou porta-voz do Sindicato Nacional da Polícia (Sinapol), Cirilo Cidário, que também preside o Conselho Fiscal desse sindicato.

“Em São Vicente nenhuma esquadra está a funcionar”, afirma Cidário, acrescentado que o pessoal que se encontrava escalado “não compareceu ao posto” devido à greve. Com efeito, às 08:00 da manhã de hoje, os agentes em greve concentraram-se à frente do edifício da Esquadra do Mindelo, à Avenida Alberto Leite, e ouviram-se palavras de ordem como “Polícia unida jamais será vencida”, “queremos ser tratados com respeito”, “queremos a nossa dignidade”.

Sobre a requisição civil, de que falou o ministro da Administração Interna, em declarações à televisão pública, Cirilo Cidário disse que “oficialmente nada chegou ao Sinapol”. “O sindicato não foi chamado para assinar qualquer documento de requisição civil, que deve ser um documento tripartido, e nem o Sinapol nem a Direcção-geral do Trabalho tiveram conhecimento de tal expediente”, concretizou o responsável.

“Se não houver nada de concreto ao longo do dia de hoje vamos aqui manter-nos por três dias”, concluiu. Na cidade da Praia, a manifestação é massiva com mais de 600 agentes em marcha pelas principais artérias da cidade, deixando a descoberto a segurança nos principais pontos da capital, incluindo a protecção de instituições do estado como tribunais, Palácio do Governo ou mercado municipal.

Na ilha da Brava todos os elementos da Esquadra local estão em suspenderam os trabalhos hoje. No Fogo, mais de 75 por cento (%) dos efectivos da Polícia Nacional das três esquadras da ilha concentraram-se esta manhã numa das pracetas a menos de 300 metros do Comando Regional para o primeiro dos três dias de greve nacional.

Henrique Correia um dos participantes na manifestação e em nome dos seus pares, disse que a adesão à greve é superior a 75% na globalidade das esquadras de São Filipe, Mosteiros e Cova Figueira, indicando que em algumas das esquadras a adesão é na ordem dos 90% e que há esquadras onde está apenas o comandante e o pessoal da limpeza.

“A luta é para continuar por ser uma reivindicação que estamos a fazer há vários anos e não conseguimos porque não tínhamos um sindicato representativo”, disse Correia, observando que esta greve podia ter acontecido a 10 ou 20 anos atrás e que esta luta não vai parar com a realização desta greve.

Melhoramento salarial, atribuição de subsídio de 25 por cento para o pessoal condutor e a redução da carga horária, uma vez que há agentes que trabalham mãos do dobro daquilo que é previsto, são, em suma, as reivindicações dos polícias.

 

* Foto: Facebook, Valdmiro Segredo

 



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Comentários  

0 # SÓCRATES DE SANTIAGO 27-12-2017 19:26
Eu, Sócrates de Santiago, já tinha escrito, algures, que o MPD e o seu Presidente andam a brincar ao governo e que a nossa TERRA está muito mal governada, com um GOVERNO FANTOCHE, evasionista, com os pés fora da realidade nacional, um governo manipulado por forças multinacionais e fortemente apostado em resolver os interesses destas em detrimento dos nossos. Efectivamente, ESTA GREVE DA POLÍCIA NACIONAL é um exemplo ilustrativo. Em vez de resolver os problemas da PN, responsável pela nossa segurança, o Governo ventoínha, através do senhor Ministro Paulo Rocha, foge como Diabo da cruz e, o mais grave, tenta arranjar BODES EXPIATÓRIOS, ameaçandos-os com PROCESSOS DISCIPLINARES, como se a greve não fosse um direito legítmo dos trabalhadores cabo-verdianos, direito esse salvaguardado pela própria CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. Parece até que estamos em regimes ditatoriais de má memória como na ALEMANHA DE HÍTLER ou na UNIÃO SOVIÉTICA DE LENINE. Triste e muito triste, grave e muito grave brincar com a SEGURANÇA NACIONAL. Deve-se, pois, exigir firmemente a responsabilidade ao Governo e, neste caso concreto, ao PRÓPRIO PRIMEIRO MINISTRO, Senhor Ulisses Correia e Silva. Ou este se demite, na qualidade de Chefe de Governo, ou o senhor Paulo Rocha se demite, na qualidade de Ministro de Administração Interna, pois este, muito fraco e incompetente, seguramente, já não reúne condições morais para gerir uma COR[censurado]ÇÃO QUÃO IMPORTANTE como é a NOSSA POLÍCIA NACIONAL.
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0 # Caty Lopes 27-12-2017 15:49
Os Policias da Praia gritaram alto e em bom son de que não querem o Paulo Rocha como Ministro da Administração Interna, facto que nunca se aconteceu no paîs. Defenda senhor Paulo Rocha!
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-1 # Lorem 27-12-2017 14:31
Isso cheira a catinga. Do que se espera da sociedade civil? Quando quem ocupa da protecção dos cidadãos têm questões pendentes sem uma perspectiva de mudança, paralisam a tarefa deixando ao léu da vida os indefesos. Que raio de governo apostaram os caboverdianos? É assim que se presenteia a cada um que cegamente confiaram numa equipa mais preocupada com os seus, antes dos nossos. Uma sociedade bem organizada precisa de profissionais competentes e motivados.Quando acontece o que neste momento ocorre, isto é, a greve dos policiais, sem esperança de resolução das justas reivindicações, na ausência de diálogo da parte do governo, estamos a caminho rumo a um destino triste. Mais respeito pelos profissionais do estado. Hoje é polícia amanhã, médico, depois professor por aí.Viva a democracia, a honestidade, ao profissionalismo. Abaixa a ditadura disfarçada de tolerância.
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0 # Ivanildo 27-12-2017 18:25
É por causa de pessoas assim que ainda acredito nos nossos Caboverdianos! Disse tudo! Esse goveeno desde o inicio não tem mostrado a minima intenção de negociar com o Sindicato, pois estavam a apostar todas as suas fichas na não aderencia dos agentes. Chegando ate ao ponto de o ministro dizer que se a greve acontecesse ele se demitia. Pois, agora que cumpra com a sua palavra. Mas ja sabemos que não o vai fazer, ja que ja deu mostras de não acatar os seus compremissos. Quando viram que as coisas não iam correr como esperavam fizeram uma requizição civil totalmente arbitraria e ilegal sem informar a SINAPOL ou a DGT, requizitando 1500 dos 2000 efetivos da PN, de modo a reprimir assim a greve. So que não os correu como queriam. Infelismente para eles o povo ja não anda com os olhos fechados... A luta continua...
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