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 paulo rocha

O ministro da Administração Interna de Cabo Verde, Paulo Rocha, considerou esta quarta-feira, 4 de dezembro, que algum “mediatismo” e “exploração política” estão a aumentar o sentimento de insegurança da população além do pico de ocorrências nas últimas semanas na Praia.

A posição foi assumida em entrevista à agência Lusa pelo ministro Paulo Rocha, numa altura em que a capital cabo-verdiana enfrenta um pico de crimes violentos, nomeadamente homicídios.

Segundo o governante que lidera o Ministério da Administração Interna (MAI), Cabo Verde contabiliza desde o início do ano 31 homicídios (o último dos quais no sábado, na Praia), contra os 37 em todo o ano de 2018 e 38 no ano anterior. Do total de homicídios registados em Cabo Verde em 2019, mais de metade (17) aconteceram na Praia, contra as 11 ocorrências de 2018.

“Muitos desses casos resultam de situações corriqueiras. Há casos ligados à criminalidade mais grave, mas temos situações que resultam de brigas, brigas de bar, situações fúteis que acabam por descambar em morte”, afirmou.

Ainda assim, recorda que a capital cabo-verdiana registou em 2013 um total de 26 homicídios, número que subiu para 34 no ano seguinte, descendo em 2015 para 25.

“Vive-se neste momento um pico na cidade da Praia, temos que reconhecer. A cidade da Praia neste momento foge daquilo que é o mapa nacional”, afirmou.

No total do país, Paulo Rocha sublinhou que a taxa de homicídios por 100.000 habitantes – utilizada para aferir o nível de criminalidade – passou de 7,4 em 2018 para 5,2 em 2019 (até dezembro), mas que já foi de 13,0 em 2014.

“Não estamos no ponto em que estivemos no ano passado”, enfatizou.

Números que Paulo Rocha afirma comprovarem que o problema, além do pico na capital, está relacionado com o sentimento de insegurança da população, após uma sequência de casos violentos desde outubro, desde homicídios a assaltos com armas de fogo, na ilha de Santiago, e sobretudo na cidade da Praia.

“O que nós temos de facto é que numa semana verificámos cerca de quatro, cinco casos [de homicídios]. Isto chocou, perturbou, aqui na cidade da Praia, e contribui significativamente para disparar o sentimento de insegurança”, assumiu.

“O mediatismo e até alguma exploração política, alguma propaganda política, contribuiu para exasperar esse sentimento de receio, de medo, no seio das pessoas. Há um esforço também no sentido de fazer com que o medo se propague e que as pessoas não se sintam em segurança”, apontou.

Na semana passada, no parlamento, o assunto da criminalidade envolveu uma acesa troca de acusações entre o Governo e a oposição, sobre o “caos” na segurança nacional, nomeadamente na Praia.

Para Paulo Rocha, a situação atual acontece “após a queda consistente dos registos de criminalidade na cidade da Praia e em todo o país”, tratando-se de um “pico” habitual em certos períodos na criminalidade em Cabo Verde.

O ministro garante que este “ponto de ciclo” em alta da criminalidade na Praia fica a dever-se, desde logo, ao “elevado número de recém-saídos do sistema prisional”.

Numa ilha onde funciona a maior cadeia do país, registou-se em 2018 uma “saída massiva de delinquentes”. Isto num país em que “um em cada três presos já lá esteve mais do que uma vez”.

“Isso acaba por impactar de uma forma grave nas ações da polícia”, admitiu.

Uma outra razão para explicar este pico é o “sentimento de impunidade” nos delinquentes, com a reincidência dos que estão e continuam em liberdade mesmo depois de detidos, aguardando o desenrolar dos processos apenas com Termo de Identidade e Residência (TIR), por decisão dos tribunais.

“É o que se sente. As forças de segurança dizem que em pouco tempo acabam por prender as mesmas pessoas mais do que uma vez”, admitiu.

Em novembro, após uma reunião com responsáveis pela segurança interna do país, o primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, anunciou 14 medidas para combater a criminalidade urbana, entre elas a revisão da lei das armas e o agravamento de penas em caso de reincidência criminal.

Segundo Paulo Rocha, o Governo está também a trabalhar na revisão da legislação sobre as medidas de coação, e do regime de TIR, para “dar atenção à questão da recorrência da prática de crime”, como por exemplo o “roubo frequente” na via pública.

“O Estado tem que censurar de uma forma diferente este comportamento, para garantir tranquilidade às pessoas”, assumiu.

Com Lusa

 



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Comentários  

+2 # Comando do bem 05-12-2019 12:37
Fiquei pasmado ouvindo o Ministro falar! Até parece que é Ministro de outro país. Ou estes gajos não conhecem o país ou então fazem-se de desentendidos ... os crimes que mais atormentam a cidade da Praia não são os assassinatos como fazem crer. são os assaltos frequentes a mão armada um pouco por todo o lado e que a PN no terreno está totalmente impotente, pois há uns anos atrás altura em que deveria ter agido com os pequenos delinquentes, ficou na brincadeira (MARISA MORAIS & JMN !!!) agora são criminosos organizado ...
Responder
+1 # PB 04-12-2019 23:03
Sr. Paulo Rocha, o ministro. Pode até ser que o senhor tenha razão, mas o senhor na oposição faria a mesma coisa e com razão. Quando a ´situação´ não consegue resolver os problemas é lógico que a ´oposição´ estriba nisso para criticar e pedir a mudança, que, felizmente, até não tarda.
Agora deixo uns conselhos
1 - Ponha homens na rua para revistar pessoas, todos. Ninguém pode andar armado, a não autoridades competentes pra isso;
2 - Ponha patrulha a sério nas ruas, pelo menos nos grandes centros e nos bairros problemáticos;
3 - Peça apoio de PM´s. E legal e necessário. No passado já foi usado e foi eficaz. Não tenha vergonha de usar ´as boas práticas´;
4 - Contrate equipas de fora e faça um inquérito sério a tua polícia. Mande instaurar processos disciplinares e cadeias a corruptos;
5 - Mande instaurar recolher obrigatório em bairros problemáticos e em dias de festivais e coisas similares, a partir de certas horas;
6 - Mande prender quem não apresentar documentos de identificação, a partir de certas horas;
7 - Crie polícias ´ninjas´ e polícias a paisana.
(...)
Força!
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+1 # Artur Vieira 04-12-2019 17:05
Tambem o Ministro disse que o PAICV que esta a complicar as coisas da insegurança no pais, ou seja uma parte de PAICV. Quer dizer é parte de Janira enquanto outra parte que é de Filu e Julio Correia apoia a sua posiçao. De Filu nao é de agora, mesmo no tempo de JMN fez isso para o PAICV. Quem nao se lembra, Filu enquanto Lider parlamentar, responsavel na negociaçao com o MPD sempre favoreceu o MPD - Elisio Freire enquanto lider parlamentar de MPD. É normal, pelo traquejo politico de Filu, perante Elisio Freire o MPD conseguiu levar o PAICV em todas as negociaçoes? Quem nao se lembra quando indicou Reis para o Provedor da Justiça que mais tarde declinou o convite por nao estar em condiçoes de assumir o cargo? Portanto desde JMN, Filu jogou sujo.
Responder