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Os familiares do agente da Polícia Nacional encontrado morto ontem, quarta-feira, em Assomada, não acreditam na versão apresentada pela PN de que José Luis Correia terá morrido de "causas naturais". Mais, Angelo Correia, irmão da vítima, afirma que foram "irresponsáveis" as declarações do comandante Regional de Santiago Norte a apontar logo para "morte natural". A autópsia será feita hoje.

Depois de a Polícia nacional ter emitido um comunicado a contradizer as notícias de um possível homicídio do agente da PN, José Luis Correia, os familiares deste vêm agora a público contrapor a versão da polícia, segundo a qual o policial terá morrido de "causas naturais".

Segundo Ângelo Correia, irmão da vítima, foram "irresponsáveis as declarações do Comandante Regional de Santiago Norte", desde logo porque onde o corpo do agente da PN e ex-director técnico da Federação Cabo-verdiana de Karaté - um descampado a cerca de 50 metros da sua residência em Chão de Santo, Assomada - não era o caminho habitual de José Luis Correia.

Em conversa com Santiago Magazine, o irmão estranha também a quantidade de sangue que formou uma poça na zona lateral superior direita do cadáver. As imagens feitas no local (por serem chocantes não publicamos para não ferir sensibilidades) mostram, de facto, uma enorme poça de sangue ao lado do cadáver, que aparece deitado de costas, a camisa quase a chegar ao peito e sangue na parte lateral do rosto e partes da camisa. Ao lado uma bolsa de tiracolo com os pertences do agente, "perfeitamente" colocada no chão. 

Ângelo Correia diz suspeitar, por esses motivos, a versão das autoridades "sem autópsia feita" e afirma que a família está disposta a ir "até às últimas consequências" para esclarecer as reais causas da morte do agente e professor de artes marciais.

Com efeito, enquanto a Polícia Nacional garantiu logo tratar-se de morte de "causa natural", a Polícia Judiciária veio no mesmo dia de ontem emitir um comunicado a dizer que, embora não tendo sido encontrados sinais de ferimentos no corpo do agente, será necessária uma autópsia para revelar as causas da morte.

Ainda esta manhã, o ministro da Administração Interna reiterava que o corpo de José Luis Correia não apresentava vestígios de ferimentos seja com arma de fogo, seja com qualquer outro tipo de arma branca, como as primeiras informações indicavam.

Mas Paulo Rocha pontuou que a autópsia, que será feita esta quinta-feira, irá revelar as causas da morte do agente. O governante aproveitou a ocasião para aconselhar calma à população.



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Comentários  

0 # Djuza 21-11-2019 14:41
Tanto as declarações do comandante da polícia de santa catarina, como do ministro da administração interna, são irresponsáveis, e têm apenas uma razão de ser: tentar amenizar com palavras vãs o real clima de insegurança e morticínio que se vive na ilha.
A propósito: em Cabo Verde segue-se a norma luso-africana, logo, deve-se escrever «agente da polícia» ou simplesmente «polícia», por sinédoque ou metonímia, e não «policial», que é adjectivo.
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