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 Fotovoltaico

A instalação de dois parques fotovoltaicos para produção de energia eléctrica, há dois anos em São Nicolau, um em Carriçal (extremo oriental) e outro em Praia Branca (extremo ocidental), mudou a vida das suas gentes. Há agora nestes vilarejos, mais trabalho, mais rendimento, mais lazer, enfim, mais vida.

A uma hora de distância da vila de Ribeira Brava fica Carriçal. A pequena localidade, cuja história está ligada à pesca da Baleia, e ao tratamento da sua carne, nos séculos XIX e XX, vivia às escuras até há cerca de dois anos. Depois do deslumbrante pôr do sol que de lá é possível desfrutar, pouco ou nada havia a fazer.

Os custos da extensão da rede pública de electricidade até Carriçal, sobretudo devido à orográfica acidentada da região situada no extremo oriental Sul de São Nicolau (montanhas que parecem tocar o céu e vales profundos a perder de vista), sempre impediram a Electra de concretizar levar electricidade até a pequena vila a partir de Juncalinho, a localidade mais próxima, a 10 Km, e o último vilarejo iluminado antes de Carriçal.

A vida na pequena localidade, habitada sobretudo por pescadores mudou, entretanto, para melhor quando, entre 2016/2017, no terraço de um dos edifícios públicos da zona foi instalada uma estação fotovoltaica, que transforma os raios solares em energia eléctrica.

Uma “prenda” há muito aguarda e obtida com cofinaciamento do Projecto GEF (Fundo Mundial para o Ambiente), Cabo Verde IV, implementado pelo ECREE (Centro de Energias Renováveis e Eficácia da Energética da CEDEAO) e ONUDI (Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial).

E, assim, finalmente, se fez luz. Nas casas agora há televisões, frigoríficos e até computadores para felicidade de todos. As ruas também são iluminadas, para alegria das crianças e dos jovens que, até mais do que antes era costume, brincam ao ar livre ou jogam à bola na placa desportiva construída ali, a escassos metros do mar.

Os pescadores e as peixeiras de Carriçal antes eram obrigados a deslocar-se diariamente até Ribeira Brava para vender os peixes e também os polvos, caranguejos, percebes, lapas e lagostas que apanham na baía que banha a localidade, a baía de São Jorge. Agora, guardam o pescado nas arcas congeladoras adquiridas pela Associação Comunitária e de Pescadores e podem escolher o dia em que vão vendê-los na cidade.

Ou podem acondicioná-los e vendê-los aos turistas que fundeiam os seus iates e vêm a terra para fazer trekking, entre outros desportos de montanha. Outras possibilidades estão a abrir-se também para a população de Carriçal agora que a localidade usufrui de electricidade. Os que não se dedicam à pesca ou à venda de peixe, já pensam em abrir uma pensão ou um pequeno restaurante. No cardápio não faltará, imagine, cachupa guisada com …. polvo.

Praia Branca: legumes e hortaliças mais bonitos

Em Praia Branca, graças ao parque de energia solar instalado na zona também com cofinaciamento do Projecto GEF (Fundo Mundial para o Ambiente), Cabo Verde IV, implementado pelo ECREE (Centro de Energias Renováveis e Eficácia da Energética da CEDEAO) e ONUDI (Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial)., a vida também está a melhorar.

Com uma capacidade para de 11, 5 kWp, o parque de energia solar está a revolucionar a vida na terra do grande Paulino Vieira. São 46 painéis fotovoltaicos de 250 Wp, que captam a luz do sol e a transformam em energia eléctrica, que depois os agricultores usam para bombear a água a partir do subsolo.

É que acoplado ao sistema fotovoltaico, que funciona em paralelo com a rede pública de electricidade, está uma electrobomba submersível de 11 kW instalada a 120 metros de profundidade, a qual permite bombear cerca de 88 toneladas de água por dia.

Desde que foi instalado (Novembro de 2015, os agricultores reduziram significativamente a factura eléctrica junto da Electra, sobretudo nos meses de maior radiação solar. A explicação é simples: quanto mais energia eléctrica é produzida através do sistema fotovoltaico, menos necessidade os agricultores têm de consumir a que chega através da rede pública.

Assim, se antes cada agricultor contribuía com 40 escudos por cada tonelada de água para a despesa mensal de consumo de electricidade, fornecida pela Electra e usada para mobilizar água subterrânea por meio da electrobomba, agora só paga 25 escudos por tonelada de água consumida, sem ter no entanto diminuído o consumo.

Aliás, tendo em conta que a maioria da energia eléctrica que consomem agora é gratuita, os agricultores de Praia Branca agora até bombeiam mais água. E, tendo mais água, muitos agricultores da região decidiram cultivar toda a sua parcela de terreno e, consequentemente, aumentaram a sua produção.

Outros, entretanto, preferem destacar a melhoria da qualidade dos produtos, também conseguida, dizem, graças ao aumento da quantidade de água usada para irrigar os terrenos. É que um terreno bem molhado, dizem, ajuda a produzir legumes e hortaliças mais suculentos. E a produção abundante e de maior qualidade faz aumentar a procura e, logo também proporciona uma renda maior aos agricultores, garantem.



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