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janira ponto de vista

A candidata única à liderança do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) disse este sábado, 14 de dezembro, que a luta contra a corrupção já é uma "necessidade" no país e prometeu uma "luta autêntica" também ao enriquecimento ilícito.

"Não poderemos ter o desenvolvimento que pretendemos se não dermos um combate firme, forte e determinado à corrupção", considerou Janira Hopffer Almada, que falava, na cidade da Praia, durante um pequeno-almoço com jornalistas para apresentação das linhas gerais da sua Moção de Estratégia e Orientação Política Nacional para a eleição marcada para 22 de dezembro.

Recandidata a um terceiro mandato à frente do PAICV, cargo que ocupa desde 2014, Janira Almada disse que se deve questionar se o regime existente no país está a ajudar no combate à corrupção e na luta pela transparência.

"Desde logo a forma como são controlados os bens dos titulares de cargos políticos. É suficiente o regime existente com apresentação da declaração ao Tribunal Constitucional (TC), na forma e o modelo em que é feito, nas dificuldades que o cidadão tem para ter acesso a esses documentos e essas declarações?", questionou.

Por isso, entendeu que é chegado o momento de se alargar o âmbito das personalidades que devem apresentar declaração de rendimento, os bens e patrimónios ao TC, mais concretamente para os altos dirigentes da administração pública.

Ainda assim, Janira Almada considerou que apenas o alargamento é suficiente, tendo proposto ainda que três anos depois da cessação de funções os ex-titulares de cargos políticos e os ex-dirigentes da administração pública apresentem as suas declarações ao TC.

"É nossa perspetiva que também o TC, para além de informar o Ministério Público das situações que suscitem dúvidas, informe também a autoridade tributária para efeitos de fiscalidade", propões a candidata a presidente do PAICV, sugerindo ainda que seja agravada a taxa especial aplicada às situações de acréscimo patrimonial injustificado.

"Vemos a olho nu situações de enriquecimento, sem que se conheçam as fontes de rendimento em Cabo Verde e não podemos continuar a fingir que é normal. Não é normal", protestou a dirigente partidária, para quem é preciso enfrentar essa questão.

"Não é possível garantirmos o desenvolvimento se não fizermos uma luta autêntica contra a corrupção e contra o enriquecimento ilícito", reforçou.

Durante a apresentação, Janira Hopffer Almada fez ainda uma "avaliação crítica" da situação do país, governado pelo Movimento para a Democracia (MpD) há quase quatro anos.

Após o retrato da diplomacia, segurança, transportes, educação, ensino superior, agricultura, saúde, economia, entre outras áreas, a candidata disse que a orientação do seu partido vai no sentido de uma visão estratégica para a construção de um Cabo Verde para todos, com crescimento inclusivo e que permite o desenvolvimento sustentável.

Após a eleição, entre 31 de janeiro e 02 de fevereiro de 2020 decorrerá o XVI congresso ordinário, que vai servir também para eleger os novos órgãos do maior partido da oposição cabo-verdiana.

Com Lusa

 



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Comentários  

0 # Antonio Manuel Neves 16-12-2019 23:34
Com a Janira Hopffer Almada a história é outra, isto é, muda completamente de figura: a Líder do Partido da Independência Nacional faz as promessas que consegue satisfazer. E constituímos hoje um exército de apoiantes que acredita que JHA fará uma luta sem tréguas "contra a corrupção e ao enriquecimento ilícito"

Então, para que isso aconteça, é essencial o voto dos militantes do PAICV no próximo domingo, 22/12/19!!!
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0 # Arena crítica 16-12-2019 16:51
A intenção é boa, mas a prática é exigente. É óbvio que o combate a corrupção deve começar de cima para baixo. Dos políticos ao povo.
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+6 # Promessa 15-12-2019 18:06
Estamos fartos de promessas. Precisamos de ações nomeadamente aprovação de lei que responsabiliza os corruptos (qualquer que o cargo que desempenha). É inaceitável que alguns esbanjam os recursos de todos nós enquanto outros passam fome. O dono do estado não são os governantes, mas o povo. É preciso realmente amar Cabo Verde para efetivamente combater a corrupção.
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