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Luis Filipe MNE

O ministro dos Negócios Estrangeiros congratulou-se esta quinta-feira, 9 de maio, com a construção de raiz da embaixada norte-americana na Praia, onde funciona liceu da Várzea, garantindo que esta só será erguida quando os alunos transitarem para a nova escola.

Luís Filipe Tavares falava durante uma conferência de imprensa para esclarecer os pormenores da venda de um liceu na cidade da Praia aos Estados Unidos da América, por quase 5,2 milhões de euros, que foi criticada pela oposição.

Numa portaria publicada segunda-feira no Boletim Oficial, os ministros das Finanças e dos Negócios Estrangeiros informaram que o Governo mandou vender a Escola Secundária Cónego Jacinto, na Várzea, aos Estados Unidos da América, que vai aproveitar o edifício e juntar um terreno anexo para ali construir a sua nova embaixada em Cabo Verde.

Segundo Luís Filipe Tavares, esta questão foi “analisada pelo Governo em sede de Conselho de Ministros” e “tomada de acordo com a lei”.

“A decisão de construção de uma embaixada de raiz dos Estados Unidos em Cabo Verde acontece 200 anos após o estabelecimento das relações consulares e 44 anos após o início de estabelecimento de relações diplomáticas”, disse.

Para o ministro, esta transação significa “confiança dos Estados Unidos, do povo americano, no povo de Cabo Verde” e “vem na sequência de uma estratégia mútua de reforço das relações entre os dois países”.

“É uma prova de confiança inequívoca dos Estados Unidos em Cabo Verde”, insistiu, recordando que este é o país com a maior comunidade de cabo-verdianos no mundo.

O projeto de construção desta nova embaixada, recordou, “está orçado em mais de 200 milhões de dólares norte-americanos e vai ter um impacto muito importante na economia, diretamente e pelas externalidades que vai criar e gerar numa zona nobre da cidade”.

O ministro garantiu que os alunos que frequentam o atual liceu vendido aos Estados Unidos vão transitar para “um novo liceu, moderno, para responder às necessidades da juventude”.

Luís Filipe Tavares garantiu que os alunos nunca ficarão sem um espaço escolar e que primeiro será erguido o novo liceu e só então será construída a nova embaixada norte-americana.

Segundo o governante, foram levados em conta vários cenários, equacionados vários locais e analisadas questões como a segurança, tendo em conta que a futura embaixada – atual liceu – fica perto do Palácio do Governo.

E assegurou: “Não há motivo nenhum para preocupações”.

“Os dois governos são sérios, esta é uma parceria estratégica que muito orgulha os cabo-verdianos e os norte-americanos”, referiu.

Quando as construções estiverem terminadas, uma data que não avançou, remetendo para mais tarde esses esclarecimentos, a juventude de Cabo Verde terá “um liceu moderno, com todas as condições” e os Estados Unidos “uma embaixada moderna”.

Em relação às críticas da oposição a esta venda, Luís Filipe Tavares referiu que, “de uma forma geral, houve comentários muito infelizes, populistas que não abonam em nada a política externa”.

A transação está a ser criticada por vários quadrantes da sociedade cabo-verdiana, entre elas a oposição, com a presidente do PAICV, maior partido da oposição, a considerar que o que está a acontecer é "uma autêntica venda da terra, numa reedição daquilo que aconteceu na década de 1990".

"Para nós, toda e qualquer embaixada ou representação diplomática tem o direito a espaços dignos para construção. Mas, não à custa do património edificado do Estado", escreveu a líder do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), Janira Hopffer Almada, numa publicação na rede social Facebook.

Em conferência de imprensa em São Vicente, o presidente da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), António Monteiro, também se posicionou contra o negócio, considerando que "vender uma escola é vender a alma de um povo".

"A atitude do Governo foi pouco pensada e sem uma reflexão profunda sobre os seus impactos sociais sobre a comunidade da Várzea e da cidade da Praia", considerou o dirigente partidário, citado pela agência Inforpress.

Com a venda da propriedade do Estado, que ocupa uma área de quase 13 mil metros quadrados, o Governo vai receber 5,8 milhões de dólares (5,177 milhões de euros). O negócio prevê que o edifício regresse à posse do Estado de Cabo Verde, caso haja incumprimento ou desvio em relação ao fim que justificou a venda, de acordo com a portaria.

A Escola Secundária Cónego Jacinto, que entrou em funcionamento no ano letivo de 1992/93, situada na zona baixa da cidade da Praia, alberga 1.800 alunos, 110 professores e 20 funcionários.

Com Lusa



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