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PR Jorge Carlos Fonseca

O Presidente da República de Cabo Verde afirmou esta segunda feira, 7 de janeiro, na cidade da Praia, que “há sinais”, no país, de um “tipo de populismo que pode ser sedutor”, mas considera que não existem condições para estas ideias triunfarem no arquipélago.

“Em Cabo Verde, há sinais que surgem nas redes sociais e em alguma imprensa de algum tipo de populismo que pode ser sedutor, mas não acredito que haja condições de triunfo desse tipo de ideias”, afirmou aos jornalistas Jorge Carlos Fonseca, após receber os cumprimentos de Ano Novo do presidente da Assembleia Nacional, Jorge Santos, bem como dos líderes parlamentares do Movimento para a Democracia (MpD, no poder) e do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, na oposição).

Para o chefe de Estado, vivem-se “tempos de alguma corrosão nos sistemas de democracia”.

“Sobretudo assistimos, sobre o pretexto de combate a determinados fenómenos - fenómenos esses que podem corroer os estados democráticos, os pilares do Estado democrático, como a corrupção, e outros fenómenos que podem afetar a coesão social dos estados, – cria-se um ambiente mais propício para as ilusões autoritárias, a ideia que se suprimirmos direitos, eliminarmos garantias, se dermos menos importância aos parlamentos, se não perdermos tempo com partidos políticos, debates, apelos a direitos humanos, ficamos melhor e o estado funciona melhor”, adiantou.

Para Jorge Carlos Fonseca, trata-se de “uma ilusão”, mas recomendou vigilância e pedagogia dos valores democráticos. À Assembleia Nacional, de quem hoje recebeu os cumprimentos de Ano Novo, recomendou cada vez mais trabalho para que “não vinguem as teses populistas”.

Já para Jorge Santos, o grande desafio da Assembleia Nacional em 2019 vai ser “a consolidação da reforma que já iniciou com o novo regimento, que visa aumentar a eficácia e a eficiência do parlamento cabo-verdiano”.

“Temos que intensificar, consolidar e permitir que de facto o Parlamento se consolide como centro do poder a nível nacional e esteja à altura da representação que a Constituição da República lhe confere”, disse aos jornalistas.

Jorge Santos sublinhou ainda que “o novo sistema de debates parlamentares, com o escrutínio do Executivo, a começar pelo primeiro-ministro, e pelos ministros, é também um desafio a consolidar”.

Entre os vários desafios que enumerou para o parlamento em 2019, o presidente referiu a consolidação da abertura à sociedade.

“O parlamento é a casa da democracia. Cada vez mais a sociedade civil utiliza o parlamento e através dele consegue atingir o seu objetivo e essa abertura do parlamento à sociedade é inovadora e engrandece a democracia cabo-verdiana”, disse.

Jorge Santos referiu que está para breve a criação da Comissão de Ética, a qual visa, em primeiro lugar, “melhorar o debate e a comunicação política no parlamento e velar pelos mandatos em tudo o que diga respeito aos mandatos dos deputados”.

Sobre os confrontos que envolveram dois deputados no parlamento cabo-verdiano, em novembro do ano passado, o presidente da Assembleia Nacional disse acreditar que o assunto foi resolvido e que não vai voltar a acontecer.

Com Lusa



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Comentários  

0 # GU-ver-Nu 08-01-2019 21:34
Nada engana ninguém, voces os dois estao e estiveram sempre juntos. Sao todos do grupo TROTSKY. A vossa revolucao é diaraia. A gestao é para hoje. O grupo tem que ser solido e juntinhos coladinhos um a outro. O resto é poeira. A protecção tem que ser generalizada. Quem nao está connosco é contra nós e isso é mau. O Governo e o presidente enjeitaram os lugares, de Direccao nas empresas, na Funcao Pública, nas embaixadas, nas ordens, nas reguladoras, . Gente incompetente e inexperiente em tudo quanto é canto do país, enfim ........ desordem total quando os chefes nao sao chefes, sao somente tranmissores. Amigo do amigo , amigo é. Os amigos estao abocanhando depressa pq nao sabem o que vem depois.
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+2 # Pedro Brito 08-01-2019 01:49
O Sr. Presidente da República tem toda a razão:

O populismo existe e está presente, precisamente graças a esta "desordem organizada", que vocês políticos promoveram neste país, e é uma consequência directa da vossa incompetência e arrivismo.

A corrosão nos sistemas da democracia já é uma realidade e foi provocada precisamente por vocês, políticos ferrugentos e podres, em quem o cidadão não confia ou perdeu a confiança.
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+2 # Emanuel Brito 07-01-2019 22:34
«cria-se um ambiente mais propício para as ilusões autoritárias, a ideia que se suprimirmos direitos, eliminarmos garantias, se dermos menos importância aos parlamentos, se não perdermos tempo com partidos políticos, debates, apelos a direitos humanos, ficamos melhor e o estado funciona melhor” Fico estupefacto a a tentar ver onde é que isso está a acontecer, em Cabo Verde…..O PR acha mesmo que «isso» existe em CV?!!Oh mas se existe é grave, muito grave. Well….Por mim, o nosso PR, sempre muito atento ao que se passa no mundo, ter-se-á deixado levar pelas notícias que vêm de Paris. Mas , nota importante, tanto a extrema direita como a extrema esquerda são violentamente rechaçadas pelos coletes amarelos, franceses. Estes não querem o fascismo. Querem, simplesmente, que se deixe de lado a ideia perversa, quase criminosa, de que a democracia é uma via para que ricos fiquem mais ricos e pobres, mais manipulados e portanto mais pobres.
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