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Por: Luis Carlos Silva*

luis carlos silva

Os erros são inadmissíveis, são reprováveis e claro que este livro não tem condições de continuar como está, mais ainda, o(s) responsáveis por estes erros deve(m) ser responsabilizado(s). Mas, também, não podemos aceitar que se venha com tudo, com pedras nas mãos para cima deste governo, pretendendo fazer passar a ideia de que estes erros são a razão e causa da falta de qualidade do nosso sistema de ensino. A falta de qualidade estrutural decorre de anos de um processo que tem sido vicioso e que produz cada vez menos qualidade.

Vamos mudar sim, vamos mudar porque não concordamos com o estado das coisas, vamos mudar porque queremos construir algo diferente, vamos sim testar novos modelos, novas metodologias, mas temos também de ser humildes, assumir o erro, corrigir o que foi mal feito e pode impactar negativamente a nossa ambição.

Dan Senor e Saul Singer, tentam, no livro “Start-Up Nation”, explicar o milagre econômico de Israel e elegem como factor-chave a forma descomplexada e positiva como os israelitas abordam a falha ou o insucesso, o facto de não se crucificar aquele que errou cria um ecossistema que incentiva as pessoas a arriscarem, pois, como dizem, “a falha é, em última linha, uma oportunidade de se apreender como não se deve fazer”. Pelo que errar não pode ser um drama nem, tão pouco, a responsabilização de quem falhou: o drama seria deixar as coisas como estão!!!

Recentemente tive a oportunidade de conviver com crianças que estavam a iniciar a terceira classe em Boston, EUA, e fiquei profundamente impressionado com a capacidade de escrita. Não pude deixar de pensar que em Cabo Verde alunos terminam o 12º ano sem saber escrever convenientemente a nossa língua oficial, podia também falar de professores que têm dificuldades em escrever correctamente uma simples nota de serviço.

Para terminar quero sublinhar que, como tenho dito, o ALUPEK impacta negativamente todo o nosso processo de desenvolvimento, sobretudo sobre a “geração Google” onde todo o on-line é edificado sobre o acasalamento das coisas às palavras, aqui a etimologia (que se pretende aniquilar) se assume como activo essencial.

Mat(I)matica é apenas mais um reflexo deste impacto negativo.

 

*Deputado nacional do MpD/Presidente da Comissão Especializada de Economia Ambiente e Ordenamento do Território da Assembleia Nacional de Cabo Verde



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Comentários  

0 # Nho JON 11-10-2017 08:06
Imaginem só! É que "a formiguinha já quer ter catarro". Cuidado formiguinha Luís Carlos Silva.
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0 # Nine 04-10-2017 16:21
Eu só quero perguntar se alguém pode me dizer onde estão os dois Srs., Mak*114 e José Manuel Vaz? Estou a espera deles para uma grande manifestação na sexta feira na praia em frente do Palácio do Governo na Várzea, para juntos defendemos Cabo Verde, a exemplo das manifestações que protagonizaram a bem pouco tempo... Não os consigo encontrar, pelo que se alguém souber de seus paradeiros me avisem. Fico a espera de notícia deles.
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0 # SÓCRATES DE SANTIAGO 04-10-2017 14:43
Senhor de[censurado]do Luís Carlos Silva, que tem a ver o ALUPEC com o erros constantes dos manuais escolares recém-publicados? Que eu saiba, o senhor de[censurado]do é engenheiro de profissão e comerciante nas horas livres, ou seja, explorador de algumas lojas da ENACOL nesta nossa capital. Como suplente, foi chamado para a Assembleia Nacional para substituir um dos de[censurado]dos que, por incompatibilidade, abandonou as suas funções parlamentares. Mas isso não lhe dá o direito de estar a opinar sobre matérias que não conhece, mormente as linguísticas. Era muito melhor V.Exa. ficar calado, em solidariedade à sua colega de partido e membro de Governo, apesar de ser cubana, do que despejar publicamente o seu desacordo em relação a um problema mais técnico do outra coisa. A não ser que o senhor de[censurado]do ande à espreita do lugar de Ministro da Educação, mas, olhe, tenho que dizer, desde já, ao senhor Luís Carlos Silva que não tem pergaminho para ser Ministro da Educação e de qualquer coisa em Cabo Verde. Eu também sou redondamente contra os erros "crassos" dos manuais escolares nossos, mas sou também redondamente contra o aproveitamento político deste problema. Há muitas coisas no Ministério da Educação que precisam urgentemente de mudar, coisas essas, diga-se de passagem, piores do que erros nos manuais. E sobre isso ninguém fala, pois, não é mediático e não votos. Vamos ser todos mais coerentes com as nossas posições?
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-2 # António Mendes 04-10-2017 12:35
O jovem quer mostrar serviço, mas ainda tem muita verdura capacit'ária. Tenho estado a registar as suas insuficiencias linguisticas(na língua portuguesa) nas sucessivas sessões parlamentares.
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+1 # jDjosa 04-10-2017 12:32
Façam o que bem entenderem. Comam-se uns aos outros. Os manuais tal como estão devem ser retirados da circulaçã.
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0 # djambó 04-10-2017 12:22
É destes polícos que gosto de ler os seus artigos. São erros graves e sim passíveis de responsabilização, Mas continuo a dizer a mais de dois anos os livros escolares principalmente as de 5 e sexta classe estavam cheio de erros pode verificar inclusive neste momento.

Um bom governo é aqui que através dos erros que se aprende e corrige.

Bem aja Cabo Verde
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+1 # Manuel Veiga 04-10-2017 11:03
Caro de[censurado]do Luis Carlos Silva: O senhor foi coerente e corajoso com a posição que tomou sobre os erros detectados nos manuais escolares, recentemente colocados no mercado. Entretanto, ao terminar, foi infeliz ao considerar que o ALUPEC impacta, negativamente a geração google.
Devo dizer-lhe que fui professor de crioulo desde a década de 1980; fui docente do crioulo na Uni-CV desde 2010; dirigi o primeiro Mestrado de Crioulística e Língua Caboverdiana na Uni-CV e os meus alunos, a maioria esmagadora pertencentes à chamada geração google, tinham e têm uma empatia extraordinária com o crioulo e com a escrita baseada no ALUPEC.
Daí que a sua afirmação, generalizada, como a fez, esteja longe decorresponde à realidade.
Note ainda que desde 1998, universidades nacionais e estrageiras, universitários nacionais e estrangeiros que fizeram estudos académicos sobre o crioulo de Cabo Verde adoptaram o ALUPEC como modelo de escrita.
Se quiser, pode consultar o estudo feito por mim no livro A Palavra e o Verbo, páginas 311-330, subordinado ao tema: Prusésu di Afirmason y Valorizason di Língua Kabuverdianu (1975-2012)...
Isto não significa que não haja resistência, mas como deve saber o Acordo Ortográfico para a escrita do português, de 1990 conta também com muitas resistências.
Pode crer que qualquer modelo de alfabeto adoptado para a escrita da nossa língua vai contar com alguma resistência. A vantagem do ALUPEC é o facto dele ser pertinente, funcional, económico e sistemático.
Se conseguir propor um outro modelo de alfabeto mais pertinente, mais económico,mais funcional, mais económico e mais sistemático do que o ALUPEC, passarei a apoiar esse seu modelo.
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0 # Preconceito mãe da a 04-10-2017 10:01
https://www.dn.pt/sociedade/interior/quanto-mais-cedo-comecar-a-educacao-bilingue-melhor-o-cerebro-agradece-8810378.html
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+1 # Raio X 04-10-2017 08:41
Tenha do sr presidente! O que o ALUPEK (da para ver a sua tendencia preconceituosa) tem a ver com essa besteira toda. Voce faz uma boa introducao, para depois se deixar cair...
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0 # CHIQUINHO 04-10-2017 08:12
Muitíssimo obrigado. Assim que se fala, Senhor De[censurado]do Dr. Luis Carlos Silva. Você é um político responsável que tem um lugar de mérito como Governante, como Ministro. Você é muito melhor do que alguns que são "telenovelistas" de mau gosto, tal como o Abraão. Que Deus Abençoe a sua carrera.
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