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Por: Paulo Marchã

 Paulo Marcha

A Comunidade estudantil africana, agora em particular a cabo-verdiana está totalmente desemparada em Portugal. Nas Universidades e Institutos de ensino superior, vivem em precariedade constante e aproveitamento de exploração económica e financeira por parte dos agentes económicos e comerciais onde as Instituições de ensino estão.

Servem de preenchimento de números para que as Instituições de ensino portuguesas preencham cursos que sem os mesmos fechavam tudo para terem acesso a milhões de euros de apoio e subsídio do Estado português e da União Europeia. São usados nas Autarquias do seu país como cata votos e promoção de sonhos além fronteiras, quando se verifica chegarem tardíssimo às aulas, muitos com o primeiro semestre findo. Um sem conta de dificuldades na obtenção de Vistos, sem que os Governantes deem um "murro" na mesa e digam BASTA!

Muitos dos alunos e alunas vivem precariamente e passam fome. Milhares de alunos procuram emprego para se sustentarem e pagarem os estudos (propinas e livros) culminando com a falta às aulas e chumbo de ano. Muitas alunas são aliciadas para a prostituição e quiçá quantas centenas estão nesta teia organizada.

Bragança tem uma Comunidade de várias centenas, ultrapassando o milhar de alunos caboverdeanos, fora os existentes noutras localidades de grande, de média e pequena dimensão? Que apoio lhes está a ser dado que não a solidariedade uns dos outros e a sobrevivência em rede? Que e quantas visitas têm por ano do Embaixador de CV em Portugal e dos Deputados eleitos pelo ciclo da Europa? Que levantamentos estão feitos ao nível das necessidades sociais, económicas, de direitos humanos, de alunos, de cidadãos, de pais, sim muitos alunos entretanto já foram pais nessas localidades, como vivem os seus filhos, onde ficam quando as mães vão estudar ou faltarão as mesmas ás aulas? Que monotorização está feita quer pelo Ministério da Educação do ensino superior de Cabo Verde quer pelo Embaixador de CV em Portugal, em termos de saberem onde estão estes jovens cidadãos caboverdeanos a estudar? em que situação? em que contexto familiar? em que condições de habitabilidade? quais as taxas de aproveitamento escolar? quantos alunos estão na condição de trabalhadores estudantes, para o que não vieram? em que condições de legalidade, respeito remuneratório e condições de trabalho estão?

Conheço muito bem esta realidade porque como estudante em Estudos Africanos e responsável socialmente ajudo de uma forma constante estes meu amigos e de uma maneira assídua tenho noticias suas e noutras desloco-me aos seus encontros. Por favor, não deixem que mais Giovani´s morram assassinados impunemente, levantem o cu da cadeira e façam o vosso trabalho, não é só selfies, jantaradas, encontros e beijinhos!

  • * Título da Responsabilidade da Redação.


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Comentários  

+1 # Joana Martins 06-01-2020 19:15
Excelente artigo! Torna -se urgente que as entidades governamentais criem estruturas de apoio aos estudantes caboverdeanos em Portugal.

Estudar sim, mas com dignidade e ao mesmo nivel dos portugueses. Totalmente contra a miséria humana. Com estas precárias condições, torna -se impossivel CV formar bons quadros.

Nem tudo são más noticias.Felizmente, existem excelentes exemplos de integração de caboverdeanos nas universidades em PT, pena que não são divulgados.
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+1 # Felismino Borges 06-01-2020 14:03
Estou de acordo com o teu artigo em td que disseste. O mais me toca, é sobretd o problema na aquisição de vistos. Em Portugal se não estou em erro a universidade inicia logo no inicio de setembro. Enquanto que os nossos estudantes ainda em pleno mês de novembro estão a espera do visto. Isso é uma vergonha. Zzt
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+1 # Valdo 06-01-2020 09:34
Caro colunista, além de estar completamente de acordo consigo, julgo ser oportuno um Estudo Social do Estudante Universitário.

Na mesma linha, não é preciso sair de CV para denunciar situações alarmantes de escravatura moderna. As jovem universitárias são que se encontram em situação de vulnerabilidade económica, sendo exploradas sexualmente na cidade da Praia por predadores ...

Essa forma de prostituição universitária é difícil de estudar, pois as moças estão sujeitas à lei do silêncio. O chulo financeiro, paga a universidade, a habitação e uma renda à moça e esta deve estar sexualmente disponível sempre que precisar. Ela tem uma vida aparentemente normal e até tem namorado para disfarçar, mas na prática é uma prostituta. Quase a maioria dos pais não tem ideia do que as filhas andam a fazer na cidade da Praia e nem questionam a origem do financiamento dos estudos e contentam-se com os "expedientes" da filha.

As jovens são originárias maioritáriamente de famílias pobres de S. Vicente, Ilha do Fogo e interior de Santiago. E os chulos são empresários e/ou reformados com reconhecida capacidade financeira na praça.
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+1 # Manuel Barros 06-01-2020 05:58
Excelente artigo...Foi ao fundo da questão!... Desde o processo de seleção, passando pela data da partida para Portugal tudo é uma autentica confusão...
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