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Por: Carlos Fortes Lopes

 Carlos F. Lopes

Já lá vai algum tempo, estive sentado com um ancião sãonicolauense, numa parede adjacente à sua residência e a estrada que liga a Cidade da Ribeira Brava à Cidade do Tarrafal, a bater o nosso papo habitual.

O Sr. João Araújo é um reformado da emigração, mas que todos os anos passava as férias na sua ilha natal-Localidade de Lompelado - Fajã de São Nicolau e conhece muito bem a história da Zona da Banca Furada -Fajã de São Nicolau. O nome da zona não nasceu por acaso e o Governo da altura foi Casmurro e Criminoso ao insistir na construção nessa zona interdita para tal construção. A composição arenosa do solo nessa área onde se construiu a Barragem já era bem conhecida dos residentes como área proibida para qualquer investimento da envergadura de uma Barragem e, pelo que esse senhor e outros me disseram, quando viram o movimento dos camiões perguntaram o que se passava e logo que foram informados que se estava a preparar para o início da construção de uma Barragem, os residentes conhecedores da área manifestaram, de imediato, as suas preocupações sobre a escolha do local para se construir qualquer Barragem.

Mas, como é hábito em Cabo Verde, as populações nunca são tidas nem achadas e, quando isso acontecer, se alguém decidir pronunciar contradizendo os projectos dos políticos a pessoa ou o grupo é logo bem identificado e marginalizado ao mais alto nível possível.

Ao ler notícias que dão conta das tiradas da actual presidente do PAICV sobre a Barragem Banca Furada fiquei estupefacto e incrédulo.

Ora se foi o Governo apoiado pelo PAICV que construiu, em rebeldia e sem estudos prévios, a Barragem da BANCA FURADA, como será que agora esse partido estará a pretender processar o Governo actual?

Por outro lado, não consigo entender a forma como o SG do MPD respondeu a essas acusações quando este bem sabe que existem processos para apuramento das razões que levaram a tal falha que causou o desperdício de milhões de escudos dos cofres do Estado de Cabo Verde, dinheiro do Povo.

Baseando-me no conteúdo destes dois últimos parágrafos desta minha nota de hoje, chego, mais uma vez, à conclusão que os políticos, a maioria, têm medo de falar a verdade. Ora, se existem casos por serem apurados nos tribunais, porque não responder com essas argumentações. Será porque em ambos os partidos existem criminosos à solta e ninguém quer incriminar o outro, evitando uma guerra entre as partes que poderia terminar com uma lavagem de roupas sujas? Meus caros, chegou a hora da justiça nacional ser chamada ao parlamento, magistrados do Ministério Público, para pessoalmente apresentarem as suas justificações pelas demoras na apreciação pública dessas dezenas de caso que continuam no banho-maria, há muitos anos. Os ladrões do Estado terão que ser julgados e condenados á prisão, de acordo com as Leis aprovadas na Assembleia Nacional.

Pois, esta famosa "Barragem de Banca Furada", localizada no vale de Fajã, na ilha de São Nicolau, foi executada pela Empresa Mota Engil, que contratou empresas especializadas - CENOR e NORVIA - para fazer todos os estudos e projectos técnicos para a construção da mesma, com o aval do Governo.

A Barragem foi construída sob a fiscalização técnica da empresa PROSPECTIVA, a qual, a nosso ver, é uma empresa de corruptos e aliados de muitos membros dos sucessivos governos de Cabo Verde.

Essa PROSPECTIVA é uma das responsáveis pelas eventuais irregularidades que estão na origem da infiltração da quase totalidade da água inicialmente acumulada na parte superior dessa albufeira.

Com a queda da chuva, após a inauguração do imóvel, esperava-se que a obra inaugurada com pompa e circunstância ficaria cheia ou quase cheia com a queda das chuvas torrenciais de Setembro.

Apesar de não se ter registado nenhuma cheia digna desse nome para a referida barragem, a não ser pequeno escoamento superficial de uma chuvada de poucos milímetros e que caiu de forma intensa, a obra continuou sob a responsabilidade da Empresa construtura e Fiscalizadora, que estiveram sempre imunes da justiça cabo-verdiana.

O Dono, Estado de Cabo Verde, também nunca foi capaz de exercer a sua função de gestor do bem público e deixou que os nossos cofres fossem delapidados por esses impostores criminosos.

O que aconteceu com as obras de construção das barragens, construídas pelo Governo de Cabo Verde deixa um cheiro de peculato, pela parte de alguns membros do Governo, que até hoje ninguém quis julgar.

Ora, mesmo que tivesse havido apenas uma eventual insuficiência técnica na execução da obra, os responsáveis estarão sempre sujeitos a responder pelo uso indevido do dinheiro do povo das nossas ilhas. Seja lá quem for.

Aliás, se a justiça funcionasse alguém já teria sido intimado e obrigado a acarretar com as despesas inerentes às reparações, mesmo depois de ter feito a entrega da obra.

Em países onde a justiça funciona com seriedade e ninguém se deixa ser influenciado com dinheiro e imobiliários, as responsabilidades das permanecem activas até 10 após a conclusão das obras.

Estou convicto de que a vontade de todos os cabo-verdianos é ver a barragem cheia e a proporcionar ao povo da ilha e o resto do país com os devidos frutos do potencial agrícola da Vila do vale de Fajã.

Conforme dados recolhidos junto de técnicos superiores na matéria de solos, os leitos das albufeiras se estancam totalmente com os materiais sólidos e finos que vão acumular-se e tapar os macro e micro poros do solo (lodo) e as vezes se utiliza produtos impermeabilizantes para o efeito, como determinados tipos de argilas e outros.

Alguns desses técnicos acrescentam ainda de que a barragem da Banca Furada é portadora de um leito (fundo) da albufeira completamente impermeabilizado.

ALGUMAS DICAS TÉCNICAS

Que estudos técnicos são exigidos para a construção de uma barragem: estudo hidrológico da bacia drenante, estudo geológico do local da construção da barragem; estudo geotécnico no local da construção da barragem e complementados com sondagens eletromagnéticas dos flancos e da albufeira; estudo do impacto ambiental, projecto técnico detalhado da barragem e o orçamento detalhado. Todos esses estudos foram realizados e apresentados publicamente? Não temos conhecimento disso e nem tão pouco a população vítima deste acto criminal. Numa bacia drenante que quase não correu cheia e nem choveu mais de 30 mm não se pode esperar pela retenção de água na albufeira, que precisa de cheias caudalosas e de muitos materiais sólidos de sedimentação na primeira recarga de água. Esses estudos foram realizados por empresas credenciadas e de reconhecida competência técnica. Esperam por cheias significativas para se poder criticar com fundamento e sem os fundamentalismos políticos de ambos os lados.

A Voz do Povo Sofredor

 



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