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Por: Fidel Cardoso de Pina

 Fidel de Pina Ponto de vista

O maior desafio da atual governação para com a juventude é a necessidade do cumprimento da promessa de campanha de criação, durante este mandato, de 45 mil postos de emprego dignos e permanentes.

A verdade é que:

  • Só com a promoção de empregos dignos e permanentes podemos potencializar a dinâmica da juventude como sendo a força da mudança, da inovação, da geração de competitividade, do crescimento sustentável e da garantia do futuro do país;
  • Só com a promoção de empregos dignos e permanentes podemos combater a exclusão social, a delinquência, a criminalidade e a prostituição juvenil;
  • Só com a promoção de empregos dignos e permanentes podemos reforçar a coesão social e envolver a força do país (juventude) como parte da solução e não do problema;
  • Só com a promoção de empregos dignos e permanentes podemos eliminar a precariedade familiar que atualmente registamos e que dificulta a constituição de famílias fortes, coesas, empoderadas e estáveis, fundamentais para a transmissão de valores, pilares da nossa sociedade.

Se todos estamos conscientes destes factos não podemos nos contentar com os recentes dados sobre as estatísticas do mercado de trabalho divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que põem em evidência as nossas principais fragilidades e o incumprimento da governação para com a juventude cabo-verdiana, em matéria de emprego e da empregabilidade. Os mais de 62 mil (62.130) jovens com idade entre 15 a 34 anos que estão sem emprego e que não estão a frequentar um estabelecimento de ensino ou formação é indicador o bastante para que haja a necessidade de uma reflexão e de se pensar o futuro, envolvendo a juventude na criação de respostas aos desafios e problemas, porque há sinais de riscos que podem comprometer seriamente o futuro do país.

O fenómeno do desemprego e do emprego precisa ser estudado na sua verdadeira profundidade em Cabo Verde, envolvendo as Universidades, os académicos, os jovens investigadores e as empresas; podendo esta estratégia ser um caminho para se encontrar novas formas de combater o desemprego e a precariedade laboral no país. Para isso, será fundamental implementar efetivamente o Observatório do Emprego.

Face às fragilidades de um país como Cabo Verde será importante que o Governo perceba que não se pode e nem se deve transferir todas as responsabilidades da criação de emprego para o sector privado. As políticas públicas direcionadas para as questões do emprego, da empregabilidade, da inovação empresarial e do empreendedorismo de oportunidade por parte governo são importantes quando complementadas com esse importante e fundamental papel do privado na criação da dinâmica do emprego. Igualmente as Câmaras Municipais devem ter um papel mais interventivo na geração de empregos e atracão de jovens para o município com políticas públicas a nível municipal dirigidas, em especial, aa juventude.

Fazendo uma leitura e análise dos dados do INE sobre o mercado de trabalho em 2018, especialmente os indicadores relacionados com a juventude, causa alguma preocupação.

De 2017 para 2018 registou-se um forte crescimento dos inativos. São mais 17.043 pessoas no inativo. Se a isto acrescermos o aumento verificado em 2017 de mais 19.690 pessoas, totalizamos, só nos últimos dois anos, um aumento de 37.093 inativos. Convenhamos que por mais discursos que se façam isto não é absolutamente um bom indicador. Diríamos mesmo que o aumento exponencial, ano após ano da população inativa é um problema que precisa ser analisado para se poder descobrir as verdadeiras causas por detrás destes aumentos que podem passar por uma descrença e desânimo, principalmente da juventude, com o rumo da governação do país.

O rosto da inatividade no mercado laboral cabo-verdiano é jovem. Dos 177.560 cabo-verdianos registados como inativos, 94.955 (53,5%) são jovens com idades compreendidas entre os 15 e os 34 anos, sendo que 66.763 inativos (37,6%) são jovens com idade compreendida entre os 15 e os 24 anos.

A taxa de desemprego na camada juvenil, entre os 15 a 34 anos, continua a atingir números preocupantes. 27,8% nos jovens com idades compreendidas entre os 15 e 24 anos e 15,0% nos jovens com idades compreendidas entre os 25 e 34 anos. Se somarmos os jovens entre os 15 e 24 anos e os de 25 a 34 anos atinge-se a uma taxa de desemprego assustadora de 42,8% nos jovens com idade compreendida entre os 15 e 34 anos.

Há uma redução da população ativa de 232.198 em 2017 para 222.028 em 2018, com a taxa de atividade a decrescer, passando de 59.2% para 55,6%. A população empregada diminuiu em 14.725 efetivos (menos 5.950 empregos em 2017 e menos 8.775 em 2018). Em dois anos, a economia cabo-verdiana destruiu aproximadamente 15.000 postos de trabalho, afetando principalmente a juventude. Portanto há uma evolução negativa do emprego. São 3 anos consecutivos de queda do indicador. A taxa de emprego passa de 54,2% em 2016 para 51,9% em 2017 e para 48,8% em 2018. Isto é mau porque evidencia claramente que estamos perante uma tendência de evolução negativa do emprego, de diminuição do emprego.

Cabe realçar que a da taxa de desemprego de 12,2%, mantem-se igual em relação ao ano anterior, contudo não podemos deixar de constatar que esta taxa se obtém a custa e em suposta contradição com a redução do número da população empregada, que passa de 203.775 empregados para 195.000 empregados. Registou-se do ano 2017 para o ano 2018 uma redução de 8.775 empregados.

Com estes dados divulgados pelo INE, todos os cabo-verdianos, principalmente a juventude, por ser a camada social com maiores desafios e problemas, são chamados a uma reflexão profunda sobre a situação do emprego e da empregabilidade em Cabo Verde.



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