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Por: Carlos Fortes Lopes

Carlos Lopes

Tenho vindo a meditar sobre as práticas educativas no meu país e não consigo entender o porquê da não inclusão de matérias que dizem respeito à real história de Cabo Verde, para que as crianças e jovens aprendam e e conheçam a história do país.

No outro dia, durante uma conversa com um amigo, acabamos por entrar numa crítica a dois sobre a inclusão do Chinês no Curriculum Escolar e não conseguimos encontrar uma justificação plausível. Pois, é sempre bom ter novidades. O povo de Cabo Verde é um povo fácil de se enganar com novidades banais.

Se os responsáveis máximos do nosso país fossem mais progressista veriam que existe lacunas várias no sistema educativo nacional. Contudo, verifica-se ainda que existe uma total falta de coragem, na parte dos governantes, de colocar os eventos que fazem parte da história, social, política e cultural do nosso próprio país para que as nossas crianças conheçam a realidade histórica do país.

Durante a conversa chegamos a uma conclusão de que só não fazem o que devia ter sido feito há muito tempo, porque preferem não desmascarar e ou ofender os camaradas amigos que torturaram e mataram muitos compatriotas indefesos, sem justificação alguma. Não conheço a real opinião pública nacional sobre este assunto mas pelo que tenho vindo a ler nas redes sociais uma maioria expressiva está de acordo que a hora de ensinar às crianças a real história do país é agora.

Voltando um pouco atrás, dizia eu que incluíram o Chinês no curriculum escolar esquecendo ou ignorando por completo a realidade internacional e a nossa quase total dependência econômica e financeira dos países europeus que têm o Inglês e o Francês como língua de negócio. Sei que temos vindo a enviar alguns alunos para as universidades chinesas mas nao consigo deslumbrar o motivo para se dar prioridade à língua chinesa nas nossas escolas já com um curriculum exagerado e confuso, devido à fraca capacidade de coordenação central e local.

Acho que a maioria dos meus compatriotas e estrangeiros residentes já sabem que sou de opinião de que um país que não cuida da sua história, muito provavelmente, não terá grande futuro e, o nosso país não pode correr este risco que poderá ditar o fim da história que ficou por ser contada.

Devíamos estar a reforçar as aulas de História e Geografia, em vez de preocupar com a língua Chinesa apenas porque temos uma mão cheia de ofertas universitárias nesses país asiático. Já agora, porque não reforçar o ensino do Português, a nossa língua oficial, para que os nossos alunos não continuem a ter tantas dificuldades de adaptação nas universidades dos países que falam a mesma língua oficial da nossa? Informações fidedignas confirmam esta nossa tese sobre um número elevado de alunos cabo-verdianos que têm vindo a chumbar nos testes de Português nos países como Brasil e Portugal. Uma vergonha nacional que os governantes continuam a ignorar e ou fingir desconhecer.

Mas, se formos analisar a influência dos políticos em qualquer sociedade, acabaremos por entender melhor a origem desta crise linguística dos nossos estudantes candidatos a bolsas de estudos nesses países lusófonos.

Pois, se estamos a insistir no Alupek para comunicar durante as seções parlamentares, transmitidas pela rádio e televisão nacional e a carência de um curriculum mais exigente na aplicação da língua oficial, em todas as escolas cabo-verdianas, do ensino básico e secundário, não podemos exigir mais desses nossos filhos que vão sofrendo vergonha nos países onde se fala a mesma língua oficial que o nosso país.

Os curriculums precisam ser reavaliados por alguém competente, por forma a criar uma base curricular abrangente e produtivo.

Sem boas práticas escolares os nossos filhos não serão capazes de gerir os destinos do país quando chegar a hora.

A Voz do Povo Sofredor

Carlos Fortes Lopes



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