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Por: Adilson da Silva

ADILSON SILVA

No dia em que eu sentir medo de dizer o que penso por temer eventuais retaliações, terei vergonha daquilo em que eu me tornei

A Reitora da UniCV, candidata à sua própria sucessão na data da emissão do mediático despacho de RECLASSIFICAÇÃO dos funcionários docentes e não docentes dessa mesma instituição, tendo, claramente, adotado uma postura um tanto quanto auto-favorecedora - para não dizer completamente desprovida de todo o sentido de ética profissional -, pois tal ação não poderia ter outro impacto que não o favorecimento da sua própria candidatura, não obstante os eleitores serem indivíduos bastante bem esclarecidos, está, neste momento, sem credibilidade para proceder a qualquer negociação com o Governo, deixando a UniCV numa posição extremamente comprometedora. Tal é verdade que, volvidos quinze meses após a emissão do supracitado despacho, e doze meses após a data do inicio da sua vigência, os funcionários implicados vêm presenciando um finca pé mesquinho entre o Governo e a Reitora, discutindo a legalidade/ilegalidade do mesmo, tarefa essa constitucionalmente atribuída ao poder judicial. Durante todo esse período, o Governo, através do Ministério das Finanças, tem afirmado categoricamente que os pagamentos seriam autorizados assim que a UniCV apresentar disponibilidade financeira, enquanto que a Reitora, por sua vez, tem afirmado que a UniCV tem, sim, disponibilidade financeira e que efectuará o pagamento assim que o Governo autorizar. 

Parece-me que o Governo, ao invés de assumir as suas responsabilidades para com a UniCV, posiciona-se em bicos dos pés e assiste ao seu eminente declínio. 

Senão vejamos:

1 - Recentemente presenciou-se a fusão do ex-depósito de resíduos politicos - antigo Instituto universitário de Educação - à UniCV, ação que para mim não passa de uma estratégia astutamente montada pelo Governo, pois, em vez de extingui-la e ser responsabilizada por eventuais consequências, negociou a sua fusão à UniCV, ciente do destino reservado a esta última. Obviamente que, por ser uma instituição de gestão autónoma, pensará o Governo que a queda da UniCV será inteiramente imputada à má gestão da mesma... e com a sua queda terá cumprido a missão de matar dois coelhos de uma so cajadada, sem incorrer em qualquer responsabilização... pensará o Governo!

2 - Sendo a UniCV uma instituição pública, as suas políticas devem - sem reservas - convergir/traduzir-se nas do estado, mas, com a criação da tão propalada escola do mar, atropelando por completo os objectivos que esta intenta através da Faculdade de Engenharia e Ciências do Mar (FECM), o Governo revela-se numa espécie de concorrência, deixando-a à mercê da sua sorte;

3 - 12 anos após a sua criação, nenhum funcionário da UniCV obteve progressão na carreira devido à falta de dotação orçamental, desculpa essa frequentemente usada pelos sucessivos gestores quando alguém intenta tal ação;

4 - O quadro do PESSOAL DOCENTE da UniCV contempla 330 PROFESSORES (150 Prof. AUXILIARES, 100 Prof. ASSOCIADOS e 80 Prof. TITULARES/CATEDRÁTICOS) e 200 ASSISTENTES (100 ASSISTENTES e 100 ASSISTENTES GRADUADOS), mas, dado à fraca comparticipação financeira do estado e ao seu deficitário mecanismo de angariação de fundos, conjugados com o fraco poder de compra dos cabo-verdianos, passados 12 anos da sua criação, a mesma vem laborando com menos que 100 (cem) PROF. AUXILIARES, 0 (zero) PROF. ASSOCIADOS e 0 (zero) PROF. TITULARES, revelando, por conseguinte, uma estrutura científica bastante precária comparada às homólogas além fronteiras;

5 - Com o supracitado Despacho, embora emitido em ambiente e momento inoportunos, vários docentes com grau de doutor (satisfazendo sine qua non o critério de ilegibilidade) que encontravam-se enquadrados como assistentes, passam a ocupar parte das restantes vagas na categoria de PROF. AUXILIAR, descongestionando, em parte, a carreira docente que permanece estagnada por 12 anos, mas o governo, fazendo-se de tribunal, não reconhece o caráter executório do mesmo.

 



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Comentários  

+4 # UNDERTAKER 03-01-2019 23:19
Muito bem! Há que pôr o dedo na ferida. Esses governantes não sabem o que é uma UNIVERSIDADE, e muito menos o que ela representa para um País. A Reitora, além de não nutrir respeito do governo, não tem competência... os seus descursos deixam muito a desejar; tem um administrador que não consegue escrever uma frase sequer sem erros ortográficos grosseiros. Que Deus salve a UniCV.
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+2 # Terra-terra 03-01-2019 22:27
Esse sufoco em que o governo submete a UniCV e mesmo vergonhoso. Sera porque uma determinada candidatura apoiada por um determinado partido para garantir os residuos politicos nao venceu as eleicoes ao cargo de reitor da UniCV? Ou sera porque agora se legalizou que todas as camaras municipais podem financiar uma determinada universidade, a ponto de esta reduzir a contribuicao dos estudantes a nove mil escudos? Onde estao os principais acionistas desta ultima universidade? Que democracia travestida!
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+6 # julio cesar 03-01-2019 20:19
Se licenciados, mestres e doutores são enganados com promessas falsas em troca de votos, não é de se estranhar do povo inculto ser enganado pelos políticos.
Até este momento este governo não moveu uma palha referente ao ensino superior. Tudo continua na mesma e com tendências para piorar. Em vez de extinguir o IP/IUE, uma instituição sem credibilidade a nível superior, por causa da deficiente formação dos seus docentes, integrou-o na UNICV. Com a atual ministra, uma simples licenciada em cuba, que, nem a nível do ensino secundário está a dar conta do recado, que, já devia ser banida do governo há muito tempo, o ensino superior, jamais sairá da cepa torta.
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+3 # Diapora 03-01-2019 18:22
Excelente artigo. Parece haver uma clara tentativa de fazer desaparecer a Universidade Pública para ceder lugar à Unipiaget onde consta que os actuais donos do poder detém ações e, por isso, via Câmaras Minicipais, financiam os alunos inscritos ali, deixando as outras instituições de ensino superior morrerem à míngua.
Oxalá que esteja errado! Mas depois do caso em torno do leite da Tecnicil, do green card, da Gestão obscura dos dossiers TACV/Binter/Icelandair,...,.
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+6 # João Pedro Silva 03-01-2019 15:15
CONCORDO COM TUDO O QUE FOI DITO PELO ADILSON SILVA. DE FACTO, HÁ UMA FALTA DE ÉTICA TANTO DA PARTE DA REITORA COMO DA PARTE DO GOVERNO. DESTE ÚLTIMO A SUA POSTURA TEM SIDO NOJENTA AO DEMOSTRAR CLARAMENTE O SEU ODIO PARA COM A UNICV UMA VEZ QUE ESTA FOI CRIADA PELO PAICV. PARA VERMOS O NÍVEL DE GOVERNANTES QUE TEMOS. QUEREM DESTRUIR UNICV EM PROL DE PIAGET QUE É DOS MPDISTAS. A REITORA ESSA METEU NOJO A SUA COMPLETA FALTA DE ÉTICA AO SE PORTAR COM UM POLITICO RELES QUE PRETENDIA GANHAR A QUALQUER CUSTO, TRAPACEANDO E MENTIDO. VERGONHA GERAL.
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+4 # SINDPROF 03-01-2019 09:20
O Sindprof ( Sindicato Democrático dos professores) subscreve na íntegra com o que se encontra
plasmado neste artigo de opinião.
Sendo o BO um jornal estatal vinculativo e executório não estamos a
conseguir ver qual a razão desse " empurra empurra"
entre as Finanças e a Reitoria da UNICV. Se existe alguma falha administrativa na produção do dossier,
depois de um ano, pensamos que houve tempo mais do
do que suficiente para a sua retificação. A equipa reitoral numa nota enviada ao Sindicato afirma ter coração orçamental e se existe verba, existe bom senso ,o que falta?
Talvez haja escassez de Boa vontade para ver resolvido este quesito!!
Assim, para evitar futuros constrangimentos que podem vir a abalar todo o Ensino Superior, apelamos para uma maior coerência no " braço de ferro: entre o Governo e a Reitoria da Universidade", pois os professores têm a verdade, os direitos adquiridos e instituidos legalmente protegidos!
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