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Por: Manuel Alves

Olhar critico de um cidadão atento em matéria da segurança interna - um exercício de cidadania e liberdade

Manuel AlvesPN

De discurso à prática há muito que fazer, até que se concretize um programa consistente de prevenção social do crime à medida da realidade do país.

Há muita frustração em determinadas camadas sociais que vivem marginalizadas nas periferias, à mercê dos diversos factores de risco e das causas sociais do crime.

Discursos plagiados é o que não faltam para animar a malta, numa sociedade em que a violência baseada no gênero está a ganhar uma magnitude trágica, considerando as frequências de “feminicídios” registados nos últimos tempos.

A par disso, nota-se que os avultados investimentos feitos pelo Governo na área da segurança interna não têm surtido os efeitos pretendidos, devido a má gestão da segurança interna que está mais focalizada para a gestão corrente da tradicional burocracia interna da polícia do que para um policiamento pró-activo planeado, organizado, dirigido e controlado, de que tanto se fala e almeja.

Para além de um notório esgotamento do policiamento tradicional prevalecente, a superestrutura da polícia tem-se revelado incapaz de saber lidar com questões corriqueiras da gestão de conflitos internos, o que está a custar os olhos da cara para se tentar inverter a tendência da crescente desmotivação do Pessoal, agravada por um estilo de liderança autocrática radical que nos últimos tempos tem vindo a conduzir a rotina diária da gestão da segurança interna, marcada pela intimidação, silenciamento e cerceamento das vozes incómodas.

Para inverter esse ciclo vicioso de resultados aquém dos investimentos feitos e outros que estão por vir, há medidas inadiáveis a se tomar, sendo a mudança do Ministro da Administração Interna a mais candente. Eu digo isso sem nenhum receio, porque o desempenho desse Ministro não corresponde minimamente às expectativas, relativamente ao Governo da IX Legislatura, numa área em que há muito por fazer e muito já deveria ter sido feito nestes dois anos e meio.

Não se pode negar que o Ministro da Administração Interna era Director do Serviço de Informação da República, por conseguinte, braço direito ou seja homem de absoluta confiança do então Chefe do Governo. Igualmente, sabe-se que antes de ascender a esse cargo, ele esteve como Director Nacional Adjunto da PJ. Por conseguinte, esperava-se mais dele, certamente, considerando as informações privilegiadas de que ele, eventualmente, se dispunha, com relação à criminalidade e segurança interna.

Parafraseando um meu colega superintendente, “este Ministro pode oferecer navio na mar, não conseguirá conquistar a confiança dos polícias”. Efectivamente, apesar dos investimentos feitos pelo Governo, o Ministro não goza e não gozará da simpatia da maioria dos polícias, o que poderá comprometer os objectivos do próprio Governo a que pertence.

Não há comparação possível!...

Artigo publicado por Manuel Alves na sua página do facebook

 



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Comentários  

+2 # Quoi dire???? 18-12-2018 20:20
Sinceramente estou meio atrapalhada sem saber muito o que dizer embora queira manifestar a minha opiniao a mais sincera.
Conheço, aprecio e respeito muito o articulista. Porém , na minha modesta forma de pensar , acho que ele nao devia canalizar energias nesta ''batalha''. As comissoes de serviço começam e terminam. A dele terminou. Do ponto de vista legal, nenhuma infraçao à lei. Do ponto de vista moral, ético entre outro jà o assunto pode ter uma outra conotaçao. Mas ele sabe que os dirigentes actuais nao conhecem o significado da palavra ética,moral etc. Provas foram dadas mais do que suficientes aquando da novela cujo actor principal foi e continua sendo Olavo Correia. Eu acho que se o Alves quer denunciar pràcticas danosas, corrupçoes etc que sao do conhecimento dele dentro do serviço ao qual està ou esteve vinculado, tem todo o direito sendo cidadao deste Pais. Mas por favor meu amigo vai cuidar da tua vida, da tua linda familia, da tua linda e graciosa esposa a minha amiga Luisa, pessoa muito bem educada que merece que faças isto por ela e a familia toda. Esquece esta gente. Tu és uma pessoa linda, charmoso e com a cabeça no lugar. Podes ainda oferecer muito para o nosso Pais, para o seu desenvolvimento. Foi a minha opiniao sincera. Um grande abraço para ti e a familia toda.
Uma amiga
xxxx
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+3 # Mulatinho de Paiol 18-12-2018 10:37
João de Pina achas justo você um iletrado, sem formacão, alguém que não completou o liceu, ser Diretor da PN em pleno sec.xxl e o Dr. Alves com várias formações, mais do que o seu ministro não almejar o cargo.
Problema da cv é que a competência é fidelidade aos barões do partido
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0 # trotsky 18-12-2018 15:40
Minha gente. Já é altura de tomarmos juízo. Se for pelas habilitações, Pedro Pires e Aristides Pereira nunca desempenhariam qualquer cargo politico. Se o Stalin é competente tecnicamente por que não nomeá-lo diretor da PN. Deixemos de complexos e isso só serve para justificar as asneiras.
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-5 # joao de Pina 18-12-2018 09:17
Todos conhecem os motivos que norteiam o odio do articulista contra o MAI. A frustração de não ser nomeado no cargo que cobiçava á décadas- Director Nacional da PN. Independentemente de alguns crimes violentos acontecidos, todos reconhecemos a melhoria na PN.
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+2 # Polícia Nacional 18-12-2018 09:03
Concordo plenamente com o articulista.
O PR, além de cultivar um estilo autocrático de liderança, está a vinga-se da própria PN, tendo em conta que no passado foi sovado numa discoteca por agentes da polícia de intervenção. Por outro lado, sabe-se que, além de abusos e furtos perpetrados na PJ, é suspeito de homicídio de, pelo menos, duas pessoas, sendo a última vítima o suposta homicida da mãe da inspetora Katia Carvalho. Todo o mundo sabe disso. Mas, o PM prefere assobiar para o lado.
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