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Por: José Luís Neves

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Escrevemos estas linhas a propósito da afirmação do Primeiro Ministro de Cabo Verde de que os voos internacionais de e para São Vicente, não é um assunto do foro político, nem administrativo e, portanto, não é assunto do Governo.

Sempre estivemos convencidos que Ulisses Correia e Silva estava preparado, tinha tarimba e as qualidades necessárias para desempenhar o alto cargo e assumir as altas responsabilidades de Chefe do Governo de Cabo Verde. E o Povo deu-lhe vitórias inquestionáveis, proporcionando-lhe todas as condições políticas para protagonizar uma liderança forte e fazer as reformas fundamentais e inadiáveis que o País precisava.

Em Março de 2016, depois de 15 anos da governação do PAICV, Ulisses Correia e Silva e o MPD venceram de forma clara e convincente as eleições legislativas, seguida pela retumbante vitória nas eleições autárquicas, ao conquistar praticamente todas as Câmaras Municipais do País. Já dizia o outro, o Povo tem sempre razão e escolhe sempre bem. É assim que em 2016, perante as opções que se lhe apresentaram, o Povo falou e optou pela mudança. E, a nosso ver, fez bem! As alternativas e as alternâncias são vitais em democracia.

Hoje, volvidos quase três anos sobre o início do mandato do atual Governo liderado pelo atual Primeiro Ministro, eis que o ouvimos a fazer uma das afirmações mais fortes e surpreendentes, entre muitas outras que tem feito ao longo do seu mandato - a de que os voos internacionais de e para São Vicente e já agora também para a Praia não é um assunto político, nem administrativo, mas sim uma questão de mercado. Isto é, não é nada com ele e nem com o seu Governo.

Julgamos que ao proferir tais palavras, o Chefe de Governo exprime de forma peremptória qual é a sua visão sobre o Papel do Estado numa Economia Moderna e Mista, isto é, o seu papel e as suas funções responsabilidades enquanto Governo da República. Estamos, pois, ante uma questão de fundo. A nossa visão é quase que diametralmente oposta ao do Chefe do Governo, sobre o papel que o Estado deve ter numa pequena economia aberta, insular, fragmentado, vulnerável e frágil, que nem o nosso, com grandes assimetrias regionais e desigualdades sociais.

A Ciência Económica postula que um dos grandes fundamentos para a intervenção do Estado na economia tem a ver com as falhas e as imperfeições do mercado, tais como: a necessidade da provisão e da produção de bens públicos, a existência de monopólios naturais, a necessidade da correção de externalidades (positivas e negativas), a existência de assimetrias de informação e deficiências na informação acessível aos agentes económicos, casos específicos de risco e incerteza, problemas de concorrência imperfeita e custos de ajustamentos.

O nosso entendimento é que o de que num Pequeno Estado Insular em Desenvolvimento, País de Rendimento Médio Baixo, que nem Cabo Verde, no estádio de crescimento e de desenvolvimento em que se encontra, parece óbvio que as falhas e as imperfeições do mercado são maiores e, por conseguinte, a necessidade da intervenção do Estado / Governo se coloca com mais acuidade, por um imperativo fundamental: o interesse público.

Se tratarmos a questão das ligações aéreas e marítimas como um assunto exclusivamente do mercado, as quantidades desses bens produzidas pelo mercado serão sub - óptimas e os preços praticados muito superiores aos preços normais (vejam o que se passa neste momento, com as quantidades e os preços praticados nas viagens inter-ilhas pela Binter) com efeitos nefastos a nível da circulação de pessoas e bens, da unicidade do território, do ambiente de negócios e do desempenho da economia. Mas, vejam também o que se passa com os preços e as quantidade de voos internacionais para a Praia e São Vicente, com a retirada da “TACV Internacional” dessas rotas...! Aliás, a cessação da “TACV Doméstica” poderá ser um dos mais graves erros estratégicos de sempre cometidos por Cabo Verde. O tempo dirá e a história há de um dia rezar sobre isso, se estamos certos ou não.

No que diz respeito à preparação, tarimba e qualidades de Ulisses Correia e Silva como Primeiro Ministro, em 2021, o Povo soberano fará a sua avaliação sempre sábia e acertada, sobre as escolhas e opções políticas feitas durante os 5 anos.

Neste momento, estamos apenas convencidos de uma coisa: Cabo Verde precisa de uma alternativa válida e de confiança, de políticas, de equipas e de atores, para o bem da Nação e da sua Democracia. Há, pois, uma alternativa e “Um Futuro a Construir”.

Artigo publicado por José Luís Neves na sua página do facebook.



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Comentários  

-3 # Tibernau 10-12-2018 21:24
Ok.

Tudo bem

De acordo com a sua visão oportunista da situação entendes "que" a insuficiência da empresa privada que transportar pessoas entre as ilhas neste momento é da responsabilidade deste governo. Tudo Bem.

Pergunto-lhe agora, quantos aviões da compaínha e de bandeira nacional que operava nos vôos domésticos o seu pai encontrou em Cabo Verde quando entrou para o governar de País, e quantos aviões deixou a operar nesta mesma linha e neste País, quando foi posto fora da governação de Cabo Verde por incompetência.

Sejamos sensatos e coerentes.

Ora, isto não significa que tira culpa deste governo na forma como foi dado ou emprestada ou vendida os TACV doméstico.

Permita-me ainda fazer-lhe mas uma pergunta.

Que moral tu tens para opinar nesta matéria. Seria uma falta de sensatez, ou melhor uma safadeza da sua parte.

Penso que devias parar de escrever e inclusive de opinar, em questões de má governação, pelo menos nesta legislatura.

Não ficarias bem na fotografia aparecer como se sofresse de amnésia. Estou lhe dizendo isto num sento coerente. Este é o meu conselho como seu conterrâneo.

Deixa de "xuxar" com os Cabos Verdianos e seja mais sério nas suas escritas.

Bem aja Cabo Verde.
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