Pub
Por: Carlos Fortes Lopes

Carlos Lopes

A África possui a maior promessa e a maior ameaça do mundo.

As ilhas de Cabo Verde não são excepção às regras. Precisamos definir, concretamente, o nosso processo de globalização, com privatizações, bem programadas, de serviços de utilidade pública de primeira necessidade como a distribuição da água, da electricidade, transporte e outros.

Sendo Cabo Verde um arquipélago africano, não podemos continuar a ignorar as oportunidades ligadas ao futuro da África

A nossa caminhada pode até ser definida como um aperto dos cintos ou mesmo um exame teste do aluno, segundo as normas do FMI e, somos obrigados a preparar-nos para as turbulências da globalização do mercado. Há que fazer o reajustamento dos salários e preparar o terreno para a introdução de novas modalidades comerciais.

Como os outros países do sul chamados menos avançados, Cabo Verde não escapa às regras apesar de não ser possuidor de recursos naturais.

A anulação da divida externa é uma oportunidade para Cabo Verde orientar mais eficazmente, objectivos e planos para incrementar o desenvolvimento da nação, com destaque no sector das pescas e na infra estruturação turística em todas as ilhas.

A criações de empregos precisa tem sido o calcanhar de Aquiles e ela precisa ser analisada com outra visão futura do país.

Há que se estabilizar o crescimento continuo do enriquecimento e diminuir o crescimento do empobrecimento para que aumentemos a nossa capacidade de auto-suficiência.

A diáspora cabo-verdiana, continua sendo um dos maiores contribuintes para a vida económica do país, com envios das divisas e bens para a subsistência das famílias na terra. Como é óbvio, as causas da emigração vêm dos problemas econômicos e de falta de emprego, no país.

Apesar dos sinais pouco animadores, acredito que os verdadeiros sectores de desenvolvimento do arquipélago continuam sendo a pesca, actualmente explorada pela Europa e pais de outros continentes, a incrementação de um turismo abrangente e a agropecuária baseada na dessalinização da água do mar.

O sector das pescas e do turismo são viáveis tanto a médio como a longo prazos.

Tudo depende da capacidade gestora das nossas indústrias. Há também uma necessidade premente de mantermos vigilantes quanto às ameaças percebidas por migração, doenças e rapto de pessoas que continuam intensificando. A mudança climática internacional também tem o seu efeito nefasto nessas ocorrências estranhas para uma sociedade pacífica como a nossa. Temos que engajar-nos na contenção dessas epidemias sociais e construir um país adulto e de influência nas regiões onde encontramos inseridos.

É com base nesses eventos que dou seguimento às minhas últimas publicações, para voltar à carga e relembrar a todos que a economia de Cabo Verde precisa de uma alavanca para que consiga combater as influências externas e experimente a desejada estabilidade. Os governantes são obrigados a desenvolver competências internas de produção e, negociar com os países da nossa região e parceiros estruturantes, para que possamos produzir mais e passar a exportar maior volume dos produtos nacionais.

Cabo Verde tem dois factores estratégicos ao seu dispor.

O primeiro e talvez o mais importante de todos é o factor geográfico. Bem explorada, a situação geográfica de Cabo Verde tem tudo para facilitar uma implementação de negócios rentáveis para o nosso país.

Temos que trabalhar mais nas nossas capacidades de explorar as potencialidades de negócio nacionais e com os investidores estrangeiros que demonstram interesse no nosso produto nacional.

Talvez o factor mais afetivo aos nossos sentimentos envolve os países que têm como língua oficial a língua portuguesa, e é aí que reside uma das grandes potencialidades negociais. A nossa fraca relação comercial com o nosso continente e com outros países amigos tem-nos custado muito e não podemos continuar a exibir tanta inércia governamental.

A partir de uma relação sub-regional saudável, poderemos alcançar o desejado nível de exportação de bens e serviços que virão a contribuir para a estabilidade e independência econômica e financeira do nosso país. Menosprezar as potencialidades dos mercados da nossa sub-região africana tem sido um erro crasso e de palmatória.

Chegou a hora de se prestar mais atenção à abertura comercial dos Estados Unidos e outros países da Europa, com os quais temos relações de intercâmbios saudáveis.

Cada um no seu tempo, mas temos que criar condições para abraçar esses desafios.

Já agora, se se copiamos tudo em Portugal, porque não copiar as estratégias de internacionalização aplicadas por esse país amigo? Porque será que só podemos copiar as piores práticas existentes em Portugal?

Cabo Verde tem de ser capaz de reinventar a sua produção interna e a qualidade dos seus produtos de acordo com as exigências mundiais.

As parcerias internacionais, para a estabilidade da nossa economia dependem de nós mesmos.

Não podemos continuar a esperar apenas pelas boas vontades dos países onde a emigração cabo-verdiana conseguiu conquistar essa expressão significativa no sector do investimento humano industrial.

Temos que mudar essa mentalidade nacional de assistencialismo monetário para que possamos desenvolver o nosso próprio poder comercial nacional.

Somos obrigados a criar as nossas próprias oportunidades, tanto a nível da produção interna como a nível de exportação e negociações com países amigos. A cooperação directa, onde os países deslocam os seus técnicos para executar obras e formações técnicas é uma fórmula que precisa ser implementada pela governação do país.

O mundo atual é uma esfera rolante, abrangido pelo sistema eletrônico onde apenas se precisa de visão e determinação para se alcançar grandes objectivos.

Estamos a viver num mundo onde as mudanças são constantes e teremos que criar condições internas para acompanhar as mudanças globais.

Os nossos melhores votos de uma meditação nacional e uma temporada produtiva e cheia de sucessos pela frente.

A Voz do Povo Sofredor

Carlos Fortes Lopes



APOIE SANTIAGO MAGAZINE. APOIE O JORNALISMO INDEPENDENTE!

A crise na imprensa mundial, com vários jornais a fechar as portas, tem um denominador comum: recursos financeiros. Ora, a produção jornalística, através de pesquisas, entrevistas, edição, recolha de imagens etc. Tem os seus custos. Enquanto está a ler e a ser informado, uma equipa trabalha incessantemente para levar a si a melhor informação, fruto de investigação apurada no estrito respeito pela ética e deontologia jornalisticas que caracterizam a imprensa privada, sobretudo.

Neste momento em que a informação factual é uma necessidade, acreditamos que cada um de nós merece acesso a matérias precisas e de interesse nacional. A nossa independência editorial significa que estabelecemos a nossa própria agenda e damos nossas próprias opiniões. O jornalismo do Santiago Magazine está livre de preconceitos comerciais e políticos e não é influenciado por proprietários ou accionistas ricos. Isso significa que podemos dar voz àqueles menos ouvidos, explorar onde os outros se afastam e desafiar rigorosamente aqueles que estão no poder.

Portanto, se quiser ajudar este site a manter-se de pé e fornecer-lhe a informação que precisa, já sabe que toda contribuição do leitor, grande ou pequena, é tão valiosa. Apoie o Santiago Magazine, da maneira que quiser, podendo ser através da conta nº 6193834.10.1 - IBAN CV64 000400000619383410103 – SWIFT: CANBCVCV - Correspondente: TOTAPTPL - Banco Caboverdeano de Negócios - BCN, ou por meio deste dispositivo do PayPal.


APOIE SANTIAGO MAGAZINE. APOIE O JORNALISMO INDEPENDENTE!

Comentar