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Por: Carlos Fortes Lopes

 Carlos Lopes

Tenho vindo a estudar as tendências político- governamentais dos eleitos nacionais ainda não consegui entender o real objectivo desses governantes. Será que somos Europeus ou Africanos?

Esta minha pergunta vem na sequência da confusão governamental em determinar os seus objectivos para 2030, com base na nossa realidade regional africana.

Analisando as actividades político-institucionais do país, verifica-se que existe uma tendência em manter a total dependência financeira e comercial da União Europeia. Enquanto se fortalece a dependência da UE, estamos a ignorar as potencialidades comerciais existentes na nossa região africana. Em poucas palavras; verifica-se uma tremenda confusão nacional em como aproveitar das oportunidades comerciais e financeiros existentes nos países da CEDEAO.

Pelo que pude certificar, a “Assembleia da União Africana decidiu em 2012, durante a sua 18ª Sessão Ordinária, impulsionar o comércio intra-africano e acelerar a Área de Comércio Livre Continental (CFTA)”, mas até hoje Cabo Verde não conseguiu desfrutar das potências comerciais existentes na região da CEDEAO, a qual pertencemos e pagamos uma quota anual.

Continuar a depender da generosidade dos Europeus pode colocar Cabo Verde numa situação caricata, caso houver qualquer instabilidade na União ou os membros decidirem cortas nos investimentos exteriores. Os governantes têm que procurar formas impulsionadoras e de expansão do comércio na zona Africana, onde, temos grandes oportunidades de exportação, desde que se crie condições de produção industrial nacional.

O crescimento económico sustentado de Cabo Verde não depende das ajudas europeias mas sim da nossa capacidade de promoção e desenvolvimento das nossas indústrias nacional.

Se já existe um acordo de livre comércio na zona da CEDEAO porque razão os ELEITOS não conseguem desenvolver intercâmbios industriais que tragam benefícios para o país?

Existe uma plataforma que facilitará um processo de transformação estrutural inclusiva do nosso país, contribuindo para o cumprimento da Visão 2030. O nosso país precisa implementar uma Agenda consistente para se alcançar os objectivos de desenvolvimento sustentável até 2030.

Os Senhores “Doutores”, formuladores de políticas, especialistas e o setor privado precisam reunir para debater os impasses e as medidas necessárias para fomentar o desenvolvimento e o fortalecimento de uma cadeia regional de oferta de produtos do sector Agro-alimentar. Temos condições internas de fomentar a produção agro-pecuária e exportar para esses países da África.

Cabo Verde só precisa de uma política virada para o sector hídrico, com o aumento de dessalinizadores e furos nas ilhas, especialmente as reconhecidas pelas suas potencialidades agrícolas.

Esta aposta será um passo seguro rumo ao desenvolvimento do comércio interno e regional. Apesar do nosso país ser um país insular, as nossas ilhas têm um enorme potencial agrícola, devido à qualidade e composição dos solos nas ilhas. Por exemplo: São Nicolau foi a ilha onde se introduziu a produção de Café, Mandioca, Milho e outros produtos trazidos do Brasil nos longínquos anos de 1700s, e os solos da ilha provaram ser ricos e adaptáveis a um número infinito de produtos. Temos condições propícias para implementar produções agrícolas de qualidade, incluindo criação de gados, o que fortalecerá ainda mais a nossa cadeia de abastecimento agro-alimentar nacional e regional e só nos falta uma coordenação institucional à altura das nossas potencialidades.

A Voz do Povo Sofredor

Carlos Fortes Lopes

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