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Por: Kaunda Simas

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Por estes dias, são os temas para fugir à pasmaceira e à falsa morabeza do nosso quotidiano. E a malta apressa-se a mostrar indignação em relação ao sucedido e, como em tudo neste país, os serviçais de todo o terreno posicionam-se na barricada que se lhes convier. E a indignação… que tomou conta do país, não sei se é de rir ou de chorar?! Então onde têm estado os cabo-verdianos que há muito não perceberam a verdadeira arena do mau combate que é a nossa casa parlamentar?

Então, não se aperceberam de que, para além de assassinarem a gramática da língua oficial, esses gladiadores passam a maior parte do tempo no duelo do ego e do carácter, tanto que a única coisa que salta cá fora é o 114?

Nos oito anos que, por motivos profissionais, fui obrigado a assistir de perto os acontecimentos do nosso parlamento quantas vezes não assisti a cenas de “pancadaria verbal” capazes de envergonhar as mentes mais liberais e tolerantes?!

Quantas vezes não se esteve, em plena sessão parlamentar, à beira das vias de facto naquela casa?

Sinceramente, a única coisa que me surpreende é que tenha demorado tanto tempo para que algo assim se sucedesse, afinal de contas era questão de tempo e o facto de só acontecer agora é quase que um milagre!

Dito isto, e evitando de defender ou tomar posições escuso-me a dar a minha opinião sobre o tema, apenas manifestando a minha indignação, isso sim, pela forma como se tem procurado na arena pública condenar apenas um lado dessa briga tão covarde como a “violência verbal” que se tornou corriqueira na casa parlamentar e ilibar a outra parte que… convenhamos… não é estranha, longe de o ser, a esses episódios de “pancadaria” verbal no nosso “Coliseu” da Praia.

Enquanto isso, temas e debates que realmente interessam passam à margem e já ninguém se lembra, por exemplo, da dita regionalização e a proposta recentemente votada nesse mesmo parlamento.

Que proposta é essa?! O que significa?! Como será implementada?! Que custos terá para o país?! Que benefícios?! Será mesmo essa tal regionalização a tábua de salvação do país como muitos pregam?! Não se estará aqui a confundir-se regionalização com descentralização?! E aqui falo da descentralização, essencialmente dos serviços do Estado e, em alguma medida, das riquezas. Porque, convenhamos, riqueza tem a ver com a produção…

E por falar em riqueza e produção, terá o nosso país bala para custear este que me parece mais o capricho de alguns quando mal nos conseguimos aguentar de pé com um ano de seca?!

Ainda mais quando a tendência é cada vez mais contarmos com menos apoios orçamentais e outras “mãozinhas amigas”? Onde está a receita fiscal para bancar tudo isso?!

Em vez de continuarmos a alimentar este nosso “Leviatã”, tornando a maquinaria do Estado ainda mais gorda e “esfomeada”, não será o caso de se ver de que forma poderemos, por exemplo, dar mais poder e recursos às autarquias para que possam fazer melhor o seu papel?

Isso, claro, não sem antes melhorar os mecanismos de controlo das contas e ações públicas, pois a ideia que se tem, certa ou errada, é de que se há corrupção ela é mais frequente nos poderes locais.

Em que proposta de regionalização votaram mesmo os nossos deputados?! O “povo sofredor”, como já vi alguém referir, precisa, exige e tem direito a respostas aos caprichos e decisões dos políticos que os afetam direta e indiretamente. E, neste momento, as perguntas são muitas…

Artigo de Kaunda Simas, publicado na sua página do facebook



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