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Por: Janira Hopffer Almada

Janira PAICV1

Há dois anos e meio, quando decidi candidatar-me à Liderança do Grupo Parlamentar, era o “rosto” da derrota! O PAICV tinha acabado de perder as Eleições Legislativas da forma como perdeu. Assumi os resultados, e a responsabilidade de liderar o partido no Parlamento, com a coragem com que sempre encarei todos os desafios da minha vida.

Mas, fi-lo, com absoluta convicção, pois estava decidida a imprimir à Oposição Parlamentar, nesse Pós-Eleição, uma dinâmica que não deixasse ninguém “jogar a toalha ao chão”.

Perdemos as eleições. Sim! Mas, perdemo-las com dignidade! Por isso mesmo, era preciso continuar a lutar e entendi que poderia contribuir para tal.

Liderei o Grupo Parlamentar durantes estes dois anos e meio e considero, com toda a humildade, mas com honestidade intelectual, que cumpri o meu dever!

Apesar das críticas (que existirão sempre), o PAICV esteve presente e actuante em momentos decisivos e não só. Propôs debates, fez interpelações, apresentou declarações políticas, solicitou a constituição de Comissões Parlamentares de Inquérito e suscitou a fiscalização de algumas normas, em algumas matérias.

O PAICV, enquanto maior partido da oposição e ciente do seu papel na fiscalização da governação, tem norteado as suas intervenções com grande sentido de responsabilidade, colocando sempre os interesses de Cabo Verde em primeiro lugar. Quer nos parecer que, se a fiscalização não funcionasse, dificilmente as críticas à actual governação teriam atingido o nível que já atingiram, em apenas 2 anos e meio, com reivindicações dos mais variados sectores e/ou quadrantes.

Maus governos (seja a nível central, seja a nível local), sempre existiram e sempre existirão, infelizmente!

Mas, em muitos casos, isso não é sinónimo de desgaste, precisamente por falta de fiscalização e/ou de uma oposição actuante!

Durante estes dois anos e meio, o PAICV produziu Propostas e apresentou Iniciativas!

Destaco a Lei da Paridade, o Estatuto do Trabalhador-Estudante, a Proposta de Regionalização, enquadrada numa ampla reforma do Estado, o Regime das Privatizações, a Revisão do Código Eleitoral e o Estatuto da Oposição Democrática. Perdemos as eleições, mas não claudicamos, porque percebemos bem o funcionamento da democracia e as interpelações que nos são feitas enquanto oposição decidida em contribuir para a construção de soluções para o país.

Durante o mandato, percorremos todas as Ilhas, estivemos em todos os Municípios e Concelhos deste País, em Jornadas, auscultando a população e mantendo uma relação de verdadeira proximidade com os cabo-verdianos.

Não obstante acreditar que é sempre possível fazer mais, considero que conseguimos resultados!

Se todos quisermos fazer mais, o peso que impende sobre cada um fica menor e o impacto de cada medida ou proposta será, inequivocamente, maior.

Dito isto, e depois de muita ponderação e exaustiva auscultação, decidi não me recandidatar à Liderança do Grupo Parlamentar do PAICV!

Considero que é momento de me dedicar, com mais tempo e disponibilidade, às alianças que o PAICV tem de poder construir com a sociedade cabo-verdiana.

É momento de sair dos gabinetes…. Estabelecer um contacto ainda mais próximo e empático com o País real. Ouvir as pessoas, olhando-as olhos nos olhos, ouvindo-as com o coração e pensando juntamente com elas, que País pretendemos, realmente, construir. Estou interessada, sim, nessa construção, com os cabo-verdianos.

Mas, com total desapego ao poder! Não me recandidato porque, para mim – como sempre assumi – a Política sempre foi missão. Não me recandidato porque o que me move – como sempre assumi – é uma causa. Não me recandidato porque entendo que nenhum cargo público e/ou político tem "dono".

Ocupamos a função temporária e transitoriamente e não podemos nos esquecer disso em nenhum momento da caminhada. Não me recandidato porque entendo que, neste momento, servirei melhor o País e o PAICV se me concentrar na missão que tenho para com os cabo-verdianos, enquanto Presidente do maior Partido da Oposição.

Mas, honrarei sempre os compromissos que assumi e assumo, enquanto tiver vida e saúde! Manter-me-ei como Deputada Nacional, cumprindo o Mandato que o povo me atribuiu. Participarei nas Sessões Plenárias, nessa qualidade, e estarei no Parlamento, fazendo aquilo que o Povo espera de mim, ou seja, fiscalizando a Governação e apresentando propostas alternativas!

Não receberei (e nem poderia receber) nem um tostão como Presidente do Partido, nem como salário, e, muito menos, a título de subsídio! Tudo o que faço me vem da alma! Simplesmente porque ACREDITO!

Escolhi Cabo Verde! ESCOLHO Cabo Verde! E sempre escolherei Cabo Verde!

*Título da responsabilidade da redacção



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Comentários  

0 # Tomé Varela 10-10-2018 09:29
Parabéns, Dra. Janira, pelo serviço prestado, pela caboverdianidade, pela determinação, pela resistência e resiliência tambarineiras! Obrigado, muito obrigado, pelo espírito de serviço e pela assunção da causa nacional; obrigado pela mulher que é e se assume. Cabo Verde precisa muito de si e da sua entrega à causa nacional. Certamente que constitui um exemplo a seguir por muitos caboverdianos e, sobretudo, por muitas caboverdianas, quanto ao espírito de sacrifício, de entrega, e de clarividência, apesar de todos os limites e limitações que possa ter. Quem não os tem?... Força, muita força, Dra. Janira!... Cabo Verde agradece!
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-2 # Getúlio Abreu dos Sa 10-10-2018 00:47
Este jornal acaba de se transformar num veículo de propaganda do PAICV e da sua gente. Sob a capa de estar ao serviço de Santiago e das suas gentes, cede seu espaço para a numenklatura tambarina, a a troco de não se sabe o quê. Mas atenção, isto não quer dizer que não pode ou não deve. Só não deve é vender gato por lebre.
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