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Por: David Veiga

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Em pleno Plateau, em frente ao Banco de Cabo verde, o supervisor nacional financeiro, assiste-se diariamente ao câmbio ilegal de divisas. Este mercado negro, sem que se perceba abertamente, é um dos grandes vírus do sistema financeiro. E ninguém faz nada.

Vejamos: a receita de um país também, ou sobretudo, se regista pela via das suas reservas em moeda estrangeira para as trocas comerciais. Toda a compra ou venda dos pares de divisas implicam comprar uma moeda e vender a outra de forma simultânea. As cotações das divisas são apresentadas como taxas de câmbio, isto é, é o valor da moeda em relação a outra. A oferta e a procura relativa de ambas as moedas determinará o valor da taxa de câmbio actual para os pares de divisas.

Quando um trader realiza uma operação, deseja que o valor da divisa comprada valorize, enquanto a outra divisa deve desvalorizar. A sua habilidade para determinar o que acontecerá nos minutos, horas ou dias seguintes depois de abrir uma posição, determinará se terá ganhos ou perdas com esta operação.

Vamos às contas: por exemplo, actualmente o par EUR/USD vale 1.30501 (ou seja 1 dólar e 30 cêntimos), isto quer dizer que você  pode comprar 1 euro por 1.30501 dólares. Agora imagine que você pensa que o euro vai desvalorizar face ao dólar. Para isso, você abre uma posição de venda do par EUR/USD. Isto quer dizer que você está a vender euros e comprar dólares.

Para tal, você abre uma posição de 1 lote (100,000 euros) e compra 130,501 dólares e como você esperava, o par EUR/USD desce para 1.29050. Como você vendeu Euros e comprou Dólares na sua posição anterior, agora você deve fechar a sua posição para receber os lucros na sua conta. Assim, você pagou no início 130,501 dólares, o seu lucro é de 1451 dólares.

É isso que os Bancos fazem. E é isso que, diante do regulador acontece. O que acontece no Plateau, na barba cara das autoridades, é indecente. Porque são milhares de contos que circulam em paralelo com o sistema financeiro cabo-verdiano. Digo de outro modo: o PIB de Cabo Verde poderia estar mais alto se todo esse dinheiro que navega nesse terreno ilegal contasse. E não conta, como também não contam os milhares de contos de narcotraficantes que escondem as suas riquezas e bens.

Dito isto, fico escandalizado quando vejo a Guarda Municipal a perseguir mulheres chefes de família que buscam o seu pão vendendo açucrinha, frutas e drops – e com dificuldades para manter os filhos na escola e serem homens de amanhã -, enquanto ao lado estão cambistas ilegais, que, na maior parte dos casos, estão a branquear dinheiro da droga. Todo o mundo sabe e não diz. Digo agora: as autoridades nacionais, desde há muito, são coniventes com esse negro mercado do dinheiro em Cabo Verde.

Onde está o BCV? Onde está o Ministério das Finanças? Enfim, onde está a autoridade?

Urge uma tomada de medidas. Para equilibrar a sociedade e ajudar este Cabo Verde a crescer. Na legalidade.



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Comentários  

0 # Julio Neves 03-06-2018 10:56
Trata-se de uma pura aberração ao nosso sistema financeiro. Ao longos desses anos nem uma intervenção do BCV, nem uma simples informação sobre o assunto. Mesmo com a liberação do mercado câmbios, há ainda esse obscuro mercado negro de divisas, quiçá controlado por gente graúda.
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0 # Paulo Silva 02-06-2018 22:12
Deus ta cre k es ca ta afastob dr bo cargo també!!!
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0 # Olímpio varela 02-06-2018 21:39
Escrevi sobre essa saída de divisas do País desde 2005, até hoje nada fizeram. Acho que os governos já passaram por Cabo Verde colaboram até com isso, trocando dinheiro neles.
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0 # André Moreira 02-06-2018 21:32
Concordo plenamente com o artigo. Eu vivo na diás[censurado] e sempre fiz as minhas transações por vias legais. As autoridades deveriam tomar medidas no sentido de pôr cobro à essa situação de irregularidades. Só assim se poderá medir o PIB de Cabo Verde. Há muita economia subterrânea nesse país.
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