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Por: Euclides Moreno

euclides de pina calheta

Ambiente formidável, ar puro, traços específicos e magníficos, de uma conjugação harmoniosa entre várias linhas dos contornos que parecem um rabiscado suave e cuidadoso. A essência do filosofar o belo se faz numa interpretação silenciosa, à medida que se prossegue contemplando às lindas curvas das orlas litorâneas, os mantos brancos que se formam ao longo da água azul e cristalina quando se escuta o soneto nos rebombar das ondas, nas outras perspetivas, os traçados imperfeitos que unem “kobon, ladera, e kutelu”, ainda os passos firmes em terra agreste de gente incansável, sem contar com a forma de falar “mantenha” agradável, dessas gentes de boa índole, humilde e acolhedora. Esse é o Concelho de São Miguel, seja muito Bem­-Vindo!

A par de tudo isso, São Miguel vive momentos conturbados, com destaques sobretudo para cenas políticas constrangedoras, experiências de escândalos e crise de valores sem precedentes nesta região de brandos costumes.

A equipa camarária sobrevive, numa vegetação lamentável, “dando patadas” uma atrás da outra, com decisões polémicas à revelia das leis, por meios de condutas nepotistas para promoção de familiares, amigos e companheiros de partido, cedendo a vícios de más práticas de “fantochadas”, dando ainda sucessivos maus exemplos, pondo assim em causa a instituição que deveria zelar pelo bom nome de São Miguel.

Inusitada é a figura do Presidente, mais preocupado com marketing pessoal, projeção da sua imagem, metido a populista, fazendo propagandas enganosas, com objetivos de ludibriar as pessoas e aumentar o score político.

Mais evidente e preocupante é que o mais novo Edil de Cabo Verde tem sérias dificuldades em descortinar as grandes potencialidades que existem em São Miguel. Ele insiste apenas em fazer o mínimo daquilo que é o mais fácil. Limitando-se apenas nas decisões populistas. Mostrando mesmo assim, estar totalmente desenquadrado, com falta de diagnóstico profundo do município.

São Miguel merecia um representante com mais bagagem, com uma agenda mais abrangente e com “cara humana”. Que sinta desafiado com os problemas que fustiga as suas gentes, que tenha outro critério de prioridade, que planeje mais e melhor, do que um presidente que sobrevive à base da sorte do improviso, que camufla a verdade e a realidade socioeconómica do município, para aparecer que está tudo ótimo.

Pela radiografia do município, todos são unanimes que as prioridades de investimentos deveriam ser fundamentalmente voltadas para as famílias, os jovens e as mulheres. Já que as dificuldades estão intricadamente ligadas às pessoas, e com aquilo que fazem para sobreviverem. E não se pode adiar problemas de maiores envergaduras para o futuro, e se dar ao luxo de estabelecer apenas a requalificação do perímetro urbano como prioridade número 1.

Reparem que São Miguel é um dos municípios mais pobres de Cabo Verde, com alta taxa da pobreza, elevado número dos desempregados. Regista-se elevada percentagem do subemprego (acima da média nacional) em que o poder local é o maior promotor desse tipo de trabalho precário, com salário desajustado abaixo do salário mínimo nacional, sazonal (“txapú na mó”), e sob condições de higiene e segurança preocupantes. Com nível de desenvolvimento pouco impactante na melhoria de qualidade de vida e uma distribuição dos poucos recursos de forma desigual, fazendo do município cada vez mais heterogéneo, com diferenças de oportunidades cada vez mais acentuada entre a zona centro e as zonas rurais.

É ainda totalmente dependente de FFM, possui fraca capacidade de arrecadação de receitas, elevado peso nas despesas de funcionamento muitas delas fruto do nepotismo e amiguismo, e por conseguinte fraca capacidade de investimento público. Choramingando sempre problemas de tesouraria.

Partindo desses pressupostos, é fundamental na gestão estabelecer, critérios de prioridades. Priorizar com intuito de investir seriamente nas atividades geradoras de rendimentos, colocar recursos à disposição das famílias, instigar o empreendedorismo jovens, propiciar o ambiente para massificar micro, pequenas e médias empresas, permitindo que num curto espaço de tempo, ser possível romper e debelar ciclo da pobreza existente e aliviar a jornada dura da vida.

Investir nas pessoas significa a emancipação das mulheres e a dignificação dos homens de campo e do mar, quer dizer ainda, apostar nos jovens promissores (sobretudo estudantes), e consequentemente num futuro melhor. Priorizar não no sentido de favorecer o assistencialismo muito menos aquilo que é tradicional, às vésperas das eleições.

As pessoas não podem esperar por muito tempo.



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