Pub
Por: Samilo Moreira

Foto1.SM

Foto2.SM

“Se não conseguiram financiamentos é porque, ou são incumpridores, ou são maus gestores, ou são incompetentes”.

Olavo Correia, Jornal da Noite da TCV

Aceita-se que se chame a este governo de charlatão? Se não, retiro a palavra!

A lógica de governação deste governo tem sido isto: Quando os privados investem no País deve-se aos 3 anos de Governação (os 15 anos já não contam). Quando não se têm os resultados (como tem sido a regra até agora), “os curtos 3 anos de governação “ torna-se o culpado (a lógica é que os 15 anos deixaram muitos problemas).
Não é função de um governo usurpar do mérito dos privados. A função do governo é criar condições para investirem. De certa forma, isto foi conseguido nas últimas décadas (com coisas positivas e negativas). É por isso que a larga percentagem dos supostos investimentos na CVIF19, são na área do turismo. Os investimentos no turismo não começaram em 2016, muito menos em 2019!  

Se o governo de base política do PAICV, tivesse organizado um fórum de 7 em 7 meses, para apresentar todos os acordos, investimentos, memorando de entendimento, convenção de estabelecimento etc., não teria tempo para governar.

De acordo com este governo alquimista, foram mobilizados num espaço de 7 meses (Dezembro 2018 e Julho 2019), cerca de 2.350 milhões de euros (mais de dois mil milhões de euros). Neste ritmo vamos ser “mais desenvolvido que Portugal” até 2021.

O Africa Investment Forum (o fórum original) consiste numa reunião onde os investidores, empreendedores e empresários [i] são os protagonistas.  

O Cabo Verde Investment Forum consiste numa reunião onde os políticos são os protagonistas, em particular o ministro das Finanças Olavo Correia.

O objetivo do Africa Investment Forum é baseado em 4 pilares de captação de investimento: projetos financiados ou em fase final, projetos em pipeline, projetos com potencias e, projetos que estão a procura de investimentos. .

Qual o papel do Africa Investment Forum?

  • Nos projetos financiados: mostrar os efeitos políticos condicionantes (democracia e liberdade) conseguidos pelos financiamentos e, os efeitos multiplicadores;

  • Nos projetos em pipeline: torna-los mais bancáveis;

  • Nos projetos com potencias : acelerando a preparação e desenvolvimento dos projectos;

  • Nos projetos que estão a procura de investimentos: encontros entre os Stakeholders.

De acordo com o Presidente da Bolsa de Valores Manuel Lima [ii]; um dos coordenador do Cabo Verde Investment Forum, “relativamente aos setores, do total de projetos que vão ser apresentados na ilha do Sal, dezassete (17) são do sector turístico com um volume de investimento de 822 milhões de euros, três (3) da indústria, que estão à volta de 9 milhões de euros, um (1) do setor da energia, avaliado em 20 milhões de euros, e mais um (1) outro das TIC’s em 8,7 milhões de Euros.

Somados a estes valores, acrescenta-se o memorando de entendimento de 50 milhões de euros para a construção de um Hospital público-privado (ou privado subsidiado pelo estado), os 10 milhões da Inpharma e, os 470 milhões de dólares do compacto lusófono. Totalizam-se 1.389.700.000 milhões de euros.

Nos três dias do Cabo Verde Investment Fórum realizado no Sal, o governo; na palavra do ministro das Finanças Olavo Correia, mobilizou  1,5 mil milhões de euros.

Tal como aconteceu no fórum em Paris em Dezembro de 2018, os acordos, memorando de entendimento, estabelecimento de convenção e os projetos, a maioria qualificada já tinham sidos anunciados, ou já existiam.

O CVIF19 [iii] teve o intuito único de promoção pessoal do vice ministro Olavo Correia, e quiçá fazer o Banco de Investimento e Desenvolvimento da CEDEAO (um Banco dos estados membros da CEDEAO), dar créditos a “projetos amigos” (tornados bancáveis devido a Convenção de Estabelecimento) que nenhum outro Banco em Cabo-verde e, no mundo mostrou-se disponível. Eis o que foi anunciado publicamente no Facebook [iv] do Fórum:

I

Memorando de Entendimento

“Há sim um memorando de entendimento entre o Governo e a Binter, que não tem força vinculativa contratual.

Primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva, no Parlamento de Cabo Verde

  • 4 de julho às 23:04: Memorando de Entendimento (que não tem força vinculativa contratual) com a New Horizons Hotels & Resorts para investir mais 250 milhões de euros;

  • 4 de julho às 11:59 : Memorando de Entendimento (que não tem força vinculativa contratual ) entre o Governo de Cabo e a Systemize Networks, avaliado em de 5 milhões de dólares;

  • 3 de julho às 16:48: Memorando de Entendimento ( que não tem força vinculativa contratual ) sobre o Compacto Lusófono, específico para Cabo Verde entre o BAD, Cabo Verde e Portugal de no valor de 470 milhões de euros;

  • 2 de julho às 12:29 : Memorando de Entendimento (que não tem força vinculativa contratual ) entre o BCN e a Agência Francesa de Desenvolvimento (fundo Proparco) no valor de 17 milhões de euros;

O fundo Proparco já tinha sido anunciado em Maio de 2019 (https://noticias.sapo.cv/economia/artigos/proparco-apresenta-fundo-de-financiamento-do-setor-privado-aos-empresarios-cabo-verdianos )

II

Convenção de Estabelecimento

  • 2 de julho às 20:41 : Convenção de Estabelecimento entre o Governo de Cabo Verde e Arco Verde-Hotelaria e Turismo S.A, no valor de 72 milhões de euros para “Hotel Ilha do Sal Palace”;

  • 2 de julho às 19:51: Convenção de Estabelecimento entre o Governo de Cabo Verde e A Club Hotel CV, S.A, no valor de 50 milhões de euros para a construção do Robinson Club Cabo Verde;

Já tinha sido anunciado pelo Grupo TUI em Novembro de 2017 (https://www.turimagazine.com/2017/11/03/grupo-turistico-alemao-tui-vai-abrir-novo-hotel/ ).

  • 2 de julho às 13:12 : Convenção de Estabelecimento entre o Governo de Cabo Verde e Chaves Hotel & Investimentos, S.A., para a realização do “TUI Magic Life – Boavista;

Já tinha sido anunciado pelo Grupo TUI em Fevereiro de 2019 (https://www.tuigroup.com/en-en/media/press-releases/2019/2019-02-25-tui-magic-life-cape-verde ) .

  • 2 de julho às 19:33 : Convenção de Estabelecimento entre o Banco Europeu de Investimentos e a CV Telecom no valor de 25 milhões de dólares, “ para a construção de uma nova conexão de telecomunicações com Cabo Verde”;

O Governo de Cabo Verde já tinha dado o aval em Dezembro de 2018 (https://expressodasilhas.cv/economia/2018/12/29/governo-da-aval-de-25-milhoes-de-dolares-a-cvtelecom/61638 ).

III

Acordo

  • 4 de julho às 18:45: Acordo no valor de 48 milhões de euros entre o Banco de Investimento e Desenvolvimento da CEDEAO e o “Royal Horizons Boavista Beach Resort” para transformar o hotel num Resort 5 Estrelas;

  • 1 de julho às 20:57 : Acordo entre a Imobiliária Turística de Salamansa (ITS) e o Banco de Investimento e Desenvolvimento da CEDEAO (EBID) para a construção do "Salamansa Bay Stage1" na Ilha de São Vicente;

O Salamansa Bay Stage1 era suposto ter arrancado em meados de 2018 (https://expressodasilhas.cv/economia/2018/02/21/obras-do-primeiro-hotel-em-salamansa-devem-arrancar-no-segundo-semestre-do-ano/56753 ).

  • 1 de julho às 20:13: Acordo entre a IIB Group Holding, wll (“iib”) e o Banco Internacional de Cabo Verde, S.A. para conceber e implementar a constituição de um fundo de infraestruturas (Cabo verde infrastructure fund CVIF-I);

O Governo participa deste fundo? Qual o valor e de onde sai: da Caixa Económica, do INPS ou da ASA?

IV

Investimento

  • 4 de julho às 12:26 : Investimento da Inpharma no valor de 10 milhões de euros para a Construção da nova Unidade Farmacêutica em Cabo-verde;

A empresa Inpharma já tinha anunciado em Outubro de 2018 (https://www.dn.pt/lusa/interior/laboratorio-quer-produzir-metade-dos-medicamentos-consumidos-em-cabo-verde-com-nova-fabrica-9958948.html).

“NOTAS DE RODAPÉ”

Ao descontarmos os 272 milhões de euros do “memorando de entendimento” (que o primeiro ministro Ulisses Correia e Silva disse não ter força vinculativa contratual), ao descontarmos os 470 milhões do fundo compacto lusófono (é apenas capitais disponibilizados e não financiamentos concretos), ao descontarmos os 25 milhões de euros emprestados à CVTelecom (que o governo serviu de garantia e, quiçá seja o motivo de o Governo ter comprado às ações da PT Ventures), ao descontarmos os 10 milhões de euros do investimentos da Inpharma (que já tinha sido anunciado há 2 anos) , ao descontarmos os 50 milhões de empréstimos ao Governo de Cabo Verde para a P-P-P do Hospital , o fundo de infraestruturas não sabemos como será a participação percentual do Governo etc, o que restará de investimento real e efetivo para 2019 e adiante?

Dos projectos em pipeline, potencias e estão a procura de investimentos quantos e quais conseguiram captar investimentos (o Banco de Investimento e Desenvolvimento da CEDEAO não conta. lol) , sem levar no bolso a Convenção de Estabelecimento ?    

Esperemos pelos resultados conseguidos, a fim de sabermos se as características dos nossos empresários são de “incumpridores, maus gestores

 

[i] https://africainvestmentforum.com/about-us/

[ii] http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:DwOVF_PfSycJ:www.caboverdeinvestmentforum.cv/+&cd=1&hl=pt-PT&ct=clnk&gl=cv

[iii] https://www.facebook.com/caboverdeinvestmentforum/?__tn__=%2Cd%2CP-R&eid=ARCFDxphcLdNYLmY9GUJjwCpjGWFqrKYvjwpe3wQOv1Zr3-d3_xK7rbWbDuwA-b7uCr70Y-kKCXsfjN1

[iv] https://www.facebook.com/caboverdeinvestmentforum/?__tn__=%2Cd%2CP-R&eid=ARBe_iVTigzvcE-FRdOBqkXugDBGyTKBb7oBm--i0wclLCSe6oTrCCD1S4yWromEFqBxBCEkrS3kxEub



APOIE SANTIAGO MAGAZINE. APOIE O JORNALISMO INDEPENDENTE!

A crise na imprensa mundial, com vários jornais a fechar as portas, tem um denominador comum: recursos financeiros. Ora, a produção jornalística, através de pesquisas, entrevistas, edição, recolha de imagens etc. Tem os seus custos. Enquanto está a ler e a ser informado, uma equipa trabalha incessantemente para levar a si a melhor informação, fruto de investigação apurada no estrito respeito pela ética e deontologia jornalisticas que caracterizam a imprensa privada, sobretudo.

Neste momento em que a informação factual é uma necessidade, acreditamos que cada um de nós merece acesso a matérias precisas e de interesse nacional. A nossa independência editorial significa que estabelecemos a nossa própria agenda e damos nossas próprias opiniões. O jornalismo do Santiago Magazine está livre de preconceitos comerciais e políticos e não é influenciado por proprietários ou accionistas ricos. Isso significa que podemos dar voz àqueles menos ouvidos, explorar onde os outros se afastam e desafiar rigorosamente aqueles que estão no poder.

Portanto, se quiser ajudar este site a manter-se de pé e fornecer-lhe a informação que precisa, já sabe que toda contribuição do leitor, grande ou pequena, é tão valiosa. Apoie o Santiago Magazine, da maneira que quiser, podendo ser através da conta nº 6193834.10.1 - IBAN CV64 000400000619383410103 – SWIFT: CANBCVCV - Correspondente: TOTAPTPL - Banco Caboverdeano de Negócios - BCN, ou por meio deste dispositivo do PayPal.


APOIE SANTIAGO MAGAZINE. APOIE O JORNALISMO INDEPENDENTE!

Comentários  

-3 # Djosa Neves 15-07-2019 17:51
Ciumes + Dor de Cotovelo = VERTIGENS
Responder