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Por: Carlos Fortes Lopes

Carlos Lopes

Neste dia 12 de Dezembro de 2018, assisti, através da Rádio Nacional, a mais uma peça teatral na plenária da Assembleia Nacional de Cabo Verde. Cada bancada parlamentar apresentou uma peça do teatro, da forma como melhor sabem. Aliás, cada um é melhor que o outro e tudo que estiver mal é culpa do outro. Uma prática que em nada incentiva um debate sério e não identifica as necessárias soluções para os trabalhadores desempregados e indefesos.

Além de não terem respeito para com a inteligência da população que acompanha esses debates na plenária, verificamos ainda que se tornou uma “praxe” desses eleitos, insistir na tentativa de ludibriar os menos atentos.

Para a Oposição, o Governo está destruindo o país, enquanto a Situação(partido que sustenta o Governo) acha que estão no bom caminho e as reclamações da Oposição não passam de formas de fazer com que as populações se esqueçam dos últimos 15 anos de governação.

Pelo que assistimos existe uma falta de seriedade por parte dos eleitos que deviam estar a trabalhar no sentido de defender o interesse dos eleitores e não o dos partidos políticos onde se encontram inscritos como militantes.

Os temas de debate são sempre deturpados ou desviados para se fazer política partidária.

Este atual sistema de debates quinzenais não modificou nada e é mais uma demonstra clara da prepotência dos titulares de cargos políticos nacionais. Esses Deputados, eleitos através das lista partidárias continuam convencidos de que são os donos de tudo e que só trabalham quando e como bem lhes apetecer. Imaginemos se toda a classe profissional do país decidir trabalhar apenas dois dias e meio por semana, em cada quinzena de um mês!!! Enquanto o povo sofre de miséria e fome os Deputados viajam por todos os cantos do mundo, sempre com desculpas falsas e coordenadas entre eles e os responsáveis máximos da Assembleia Nacional. Práticas ilegais e manobras institucionais para se delapidar os cofres do Estado de Cabo Verde sem deixar rastros criminais. Essas violações da Lei e do conteúdo da constituição demonstram claramente o nível do abuso do poder político-institucional nacional.

A corrupção institucional já fez casa na sociedade cabo-verdiana e esses violadores não mudarão de atitude enquanto a justiça não funcionar e ou o povo decidir fazer uma revolta nacional. As irresponsabilidades e os abusos dos Titulares de Cargos Políticos, estão destruindo o país e as populações, nas restantes ilhas, são as que mais sofrem com as ilegalidades praticadas por esses que foram eleitos para defender os interesses das populações.

O estrangulamento das economias regionais não ajuda o processo de desenvolvimento do país. Antes pelo contrário, aumentam a miséria nas ilhas que ainda continuam à espera que os Governos utilizem as doações no desenvolvimento das economias em TODAS as ilhas do arquipélago.

Essas atitude abusivas dos Governantes são sinais claros de que não estão interessados em fazer qualquer articulação com as populações nas ilhas, mas sim usufruir o máximo que puderem do dinheiro doado. A única articulação que temos vindo a assistir é, a que existe (descaradamente) entre os eleitos e a direção dos partidos que os inclui nas listas eleitorais.

Ora, quando não existe articulação entre os eleitos e o eleitorado esses últimos são sempre os prejudicados.

As populações nas restantes 8 lhas ainda não foram contempladas com a prometida diferenciação das atitudes governamentais. Aliás, como se ouviu no Parlamento, esta manhã, o atual Governo continua a praticar o mesmo sistema concentrado do anterior Governo e partidarização da função pública. Esses debates parlamentares, sobre o OGE não passam de perda de tempo, tendo em conta que a maioria nunca aceita qualquer contribuição das oposições parlamentares. É aí que entra a sugestão da eleição uninominal, para dar espaço a alguns que poderão fazer a diferença na política parlamentar e governamental.

Os Deputados e as suas bancadas parlamentares continuam a exercer um sistema arcaico, com um toque ditatorial na forma como fazem a política parlamentar. Essa forma de fazer política parlamentar demonstra que os políticos cabo-verdianos carecem de conhecimentos político-democráticos.

Esses debates parlamentares so trazem mais preocupações às populações que não estão a ser contempladas com a descentralização da função pública e a insistente ausência de soluções para as crises nessas ilhas chamadas “periféricas” ou ilhas do segundo e terceiro graus.

A Voz do Povo Sofredor

 



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Comentários  

0 # monteiro 03-01-2019 18:06
Meu caro,

Faltou um pouco de conhecimento sobre gestao publica e, ate certo ponto inteligência.

Acho que os intelectuais caboverdianos devem aumentar o nível dos seus discursos.
Responder
0 # António A.L. Tavares 14-12-2018 08:10
O povo precisa de "Repensar Cabo Verde" no que toca a "Fração do Pão" e "Utilização de Coisa Pública"!

E porque não uma eventual "ASSEMBLEIA CONSTITUINTE" para redefinir o país cujos governos foram e ccontinuam sendo somente de alguns!
Responder