Pub
Por: Emanuel Barbosa

benvinda barbosa1

Benvinda Nascimento Oliveira Barbosa, natural de Santo Antão, residente em Portugal desde 1990 - altura em que rumou a Portugal para se licenciar em Engenharia Informática - é numero 3 da lista do PSD à Junta de Freguesia de Águas Livres, que acolhe a maior cmunidade cabo-verdiana em Portugal. Técnica superior e quadro efetivo do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, Benvinda Barbosa falou com Santiago Magazine sobre a candidatura AMADORA MAIS, a comunidade cabo-verdiana em Portugal e o projeto político que ora abraça.

 

Santiago Magazine – A Candidatura AMADORA MAIS é protagonizada pela Coligação PPD-PSD/CDS-PP. Sabendo que não é militante de nenhum destes partidos pergunto-lhe como é que surgiu esta oportunidade de integrar a lista desta candidatura?

Benvinda Barbosa – Esse convite chegou da parte da coligação PSD/CDS-PP, através da candidata à presidência da Junta de Freguesia das Aguas Livres, a Dr.ª Maria José Rodrigues, claro em concertação com o candidato à Presidência da Câmara, Dr. Carlos Silva, duas pessoas do PSD com quem, ao longo do tempo, tenho tido contactos e que nutro muita consideração e amizade. Senti-me honrada e entendi que é chegada a hora de dar a minha contribuição mais efetiva. Estou na qualidade de independente, mas numa candidatura em cujos valores e princípios me enquadro, pois um dos partidos, o PSD, pertence à mesma família política do MpD, partido de Cabo Verde na qual me encontro filiada.

SM: Alguma outra motivação especial para abraçar este desafio?

Sim, é preciso lembrar que a Freguesia das Águas Livres engloba Damaia, Reboleira e Buraca, localidades que albergam muitos cabo-verdianos, pelo que é uma oportunidade de, sendo eleita como acredito que venha a ser, servir as minhas gentes e ajudar que os seus anseios e as suas preocupações ganhem centralidade junto com demais matérias relevantes. Portanto, sobretudo pretendo incrementar a minha participação política e abraçar este desafio de servir e ser porta-voz dos que mais precisam, nomeadamente as minorias. Portanto, disponibilizei-me agora cabe aos eleitores avaliar a candidatura, nomeadamente aos meus conterrâneos que sabem que podem votar numa lista cuja uma das candidatas tem uma vivência e um percurso muito semelhante aos deles, pelo que na hora de tratar dos seus problemas terá uma sensibilidade e um olhar especial.  

SM: Está confiante nos resultados?

Encaro isto por etapas, isto é, o primeiro objectivo é fazer uma boa campanha apostada na proximidade para levarmos a nossa mensagem às pessoas, nomeadamente as comunidades emigradas dos PALOP, e fazer com que se identifiquem e votem no nosso projecto que foi idealizado pensando nas pessoas. Esta primeira parte que termina amanhã foi bem conseguida. A próxima etapa é ser eleita, portanto resta aguardar pelos resultados do dia 1 de Outubro, esperando que a nossa candidatura melhore os seus resultados relativamente às últimas eleições e que saia vencedora e que eu seja eleita. Depois de ser eleita é arregaçar as mangas para melhorar a qualidade de vida das pessoas que escolheram a Junta de Freguesia de Águas Livres para estabelecer residência. E neste particular é claro que terei presente as comunidades emigradas da nossa Freguesia, tudo fazendo para que haja uma boa integração das mesmas.

SM: Sendo uma emigrante como vê esta questão da integração das minorias?

O Concelho de Amadora é Multicultural em que no dia-a-dia se entrelaçam pessoas de várias origens, sobretudo africanos com predominância dos cabo-verdianos e só tem a ganhar quando todas as suas forças vivas estiverem unidas remando na mesma direcção.

Temos de ter sensibilidade para compreender que cada um com a sua cultura, com a sua visão do mundo e com o seu labor, em comunhão com os Portugueses fazem desta cidade o caldo especial que é e o cantinho ímpar de Portugal onde a diversidade emana a cada passo e em cada esquina e onde a maioria e as minorias todos os dias trabalham para construir uma Amadora diferente para melhor.

Um concelho com esta especificidade requer que na sua gestão haja capacidade para: compreender esta multiplicidade de potencialidades, ver o valor da integração nas suas variadas dimensões, criar canais fluentes de comunicação entre as diversas comunidades, fazer o papel de facilitador na hora de fazer as coisas boas acontecerem.

SM – É a sua estreia na política?

Como candidata sim, é a primeira vez. Mas há muito que tenho vindo a ter forte participação política no âmbito do projeto político do MpD para Portugal e para o círculo eleitoral da Europa e Resto do Mundo durante as eleições cabo-verdianas. Modéstia a parte, devo dizer que tenho trabalhado muito para o MpD, têm sido muitas horas de estrada, porque privilegio muito o contacto direto com as pessoas, o que, também, me tem permitido estabelecer laços de amizade com nossos conterrâneos.

Também, há quatro anos, estive engajada com esta coligação dando o meu apoio pontual na altura da campanha eleitoral. Por outro lado, tenho exercido a cidadania ativa de várias formas, nomeadamente através de uma estreita colaboração com a Associação Comunitária "A Partilha" sedeada no Concelho de Amadora.

Mas, por ora, não me considero uma política na definição clássica do termo, pois estou aqui mais na qualidade de uma cidadã que quer ajudar e ficaria muito satisfeita se no futuro poder deixar uma marca da minha participação.

 

«Entendo que a participação política, se vista na perspectiva da integração política, é a mãe de todas as integrações»

 

 

SM: Que novas políticas para as pessoas de Águas Livres?

Sobretudo, pretendemos humanizar a nossa freguesia, começando pelos serviços prestados, assegurando um atendimento geral competente, eficaz e rápido à população que procura os serviços da nossa Junta de Freguesia.

A nossa prioridade é o bem-estar dos munícipes, promovendo uma política de proximidade para, de uma forma mais eficiente e eficaz, podermos perceber os problemas das pessoas e encontrar soluções para os mesmos.

Temos várias propostas que passam por áreas que foram identificadas como necessitando de um forte impulso para responder as espectativas dos munícipes, tais como:

Na área da saúde Saúde e Apoio Social é nosso propósito aumentar o apoio social à população sénior e doentes com incapacidades e apoiar às pessoas com problemas de dependência, promovendo o apoio social e o acesso ao tratamento, e criar um gabinete especializado de apoio ao emigrante.

No sector da Segurança propomos o regresso do Guarda Noturno e aquisição de uma viatura para oferecer à Policia de Segurança Publica (PSP) para terem melhores meios para fazer um bom trabalho.

Na Juventude, uma área que precisa de um outro olhar, vamos dar uma atenção muito especial ao acesso a educação, emprego, cultura e desporto. Pretendemos implementar o mercado de empreendedorismo, com a disponibilização de lojas para Startup’s equipados com internet rápida e outros serviços para aumentar a produtividade, criar um gabinete de apoio ao empresário e associações locais, apoiar e incentivar a prática de atividades desportivas, etc.

Quanto à Mobilidade e Transportes vamos promover a reabilitação e melhoria do estado dos passeios e pavimentos, pintar as marcações não existentes no chão para mais e melhor estacionamento, defender a manutenção e aumento da rede de transportes públicos na Freguesia.

No que tange ao Ambiente e Limpeza Urbana vamos criar sanitários e instalar bebedouros nos Jardins públicos, colocar mais ecopontos para recolha de resíduos e óleos, e criar 3 espaços de convívios na Buraca, Reboleira e Damaia

SM – A participação política da comunidade está na proporcionalidade directa com a sua integração?

Sem dados científicos para suportar a minha afirmação, diria que a nossa integração é de longe mais expressiva do que a nossa participação política. Contudo, acredito que com maior participação política podemos, ainda, aprofundar muito mais a nossa integração que está longe do patamar que devia estar. Digo isto porque entendo que a participação política, se vista na perspectiva da integração política, é a mãe de todas as integrações. Se a comunidade estiver amplamente recenseada para ganhar a capacidade eleitoral activa e participar em massa nas eleições, com certeza, que ganhará voz e vez, conseguirá captar a atenção dos partidos políticos Portugueses e de forma automática os seus membros serão chamados para ocuparem lugares cimeiros nas listas. Estando representado nos centros de decisão é mais fácil influenciar para que medidas de políticas voltadas para as demais integrações, nomeadamente a social e a económica, possam acontecer.

 

«Um grande desafio é tirar os cabo-verdianos das barracas dos bairros degradados. É preciso repensar o programa de realojamento e aqui o governo de Cabo Verde deve exercer a sua diplomacia»

 

SM – A comunidade está sensibilizada para uma efetiva participação política? 

Creio que é justo reconhecer que estamos num bom caminho, os primeiros passos já foram dados e hoje estamos muito melhor nesta matéria do que estivemos no passado recente. Porém, precisamos acelerar o passo, precisamos participar mais, mais e mais. Ocupar os espaços vazios, pois senão serão ocupados por outros que, eventualmente, poderão não ter a mesma sensibilidade para os nossos problemas. Sobretudo, a 2ª e a 3ª geração precisam entrar nesta roda para mostrarem o quanto valem e desmistificar a visão errada que se tem de que a maioria estão desviados para o mundo do crime. Por outro lado, também serve para levantar a moral da comunidade. Por exemplo, orgulha-me ver o contentamento das nossas gentes ao saberem que uma conterrânea integra a lista de um partido Português com a relevância do PSD. Tenho recebido muito carinho e apoio destas pessoas que me tem chegado por telefone, mensagens SMS, comentários nas redes sociais e pessoalmente, pelo que aproveito para agradecer e firmar o meu compromisso de honra de tudo fazer para melhor lhes servir quando for eleita.

SM - Entretanto, temos tido casos de sucesso com destaque para o desporto. Quais os desafios que se colocam à comunidade com maior acuidade?

Somos uma comunidade de grande expressão – a segunda maior cá em Portugal – e o Concelho de Amadora é a mais cabo-verdiana de Portugal, pelo expressivo número de cabo-verdianos que alberga. Mas a nossa integração ainda está aquém do que era de se esperar. Não obstante, vários casos de sucessos de quadros superiores cabo-verdianos que exercem na medicina, na área das tecnologias, bem como no desporto e cultura, como é o caso do Nelson Freitas. A nossa cultura, nomeadamente a nossa música, consegue penetrar com força na sociedade portuguesa, mas ainda temos um grande caminho a percorrer para conseguirmos uma boa integração. Portanto, ainda temos vários desafios a vencer. Por exemplo, é preciso que a comunidade se recenseie em massa, que passe a participar nas eleições votando, não deixando outros decidir por nós. Por outro lado, para podermos ter moral e legitimidade de reivindicar junto dos políticos. Igualmente, para termos mais casos de sucessos o desafio passa por investir na formação dos membros da nossa comunidade e hoje o que temos no seio da nossa comunidade é uma alta taxa de abandono e insucesso escolar que depois remete as pessoas para trabalhos menos qualificados e com menos rentabilidade, isto quando não empurra as pessoas para o desemprego e no limite para o mundo de crime.

Precisamos também “desguetizar” a nossa comunidade. Precisamos de promover o empreendedorismo a um outro patamar, pois podemos continuar a ter cabo-verdianos que gerem os Salões de Beleza e os Cafés e Restaurantes nos bairros como a Cova da Moura, mas precisamos igualmente de empresários cabo-verdianos que levem a nossa gastronomia a outros palcos e que diversifiquem as áreas de atuação.

Por último, um problema que constitui um grande desafio, consiste em tirar os cabo-verdianos das barracas dos bairros degradados. A meu ver é preciso repensar o programa de realojamento e aqui o governo de Cabo Verde deve exercer a sua diplomacia junto das autoridades Portuguesas para que, de uma vez por todas, as nossas gentes que habitam estes bairros em situações degradantes, empurradas para exclusão social, possam ter uma habitação condigna.



APOIE SANTIAGO MAGAZINE. APOIE O JORNALISMO INDEPENDENTE!

A crise na imprensa mundial, com vários jornais a fechar as portas, tem um denominador comum: recursos financeiros. Ora, a produção jornalística, através de pesquisas, entrevistas, edição, recolha de imagens etc. Tem os seus custos. Enquanto está a ler e a ser informado, uma equipa trabalha incessantemente para levar a si a melhor informação, fruto de investigação apurada no estrito respeito pela ética e deontologia jornalisticas que caracterizam a imprensa privada, sobretudo.

Neste momento em que a informação factual é uma necessidade, acreditamos que cada um de nós merece acesso a matérias precisas e de interesse nacional. A nossa independência editorial significa que estabelecemos a nossa própria agenda e damos nossas próprias opiniões. O jornalismo do Santiago Magazine está livre de preconceitos comerciais e políticos e não é influenciado por proprietários ou accionistas ricos. Isso significa que podemos dar voz àqueles menos ouvidos, explorar onde os outros se afastam e desafiar rigorosamente aqueles que estão no poder.

Portanto, se quiser ajudar este site a manter-se de pé e fornecer-lhe a informação que precisa, já sabe que toda contribuição do leitor, grande ou pequena, é tão valiosa. Apoie o Santiago Magazine, da maneira que quiser, podendo ser através da conta nº 6193834.10.1 - IBAN CV64 000400000619383410103 – SWIFT: CANBCVCV - Correspondente: TOTAPTPL - Banco Caboverdeano de Negócios - BCN, ou por meio deste dispositivo do PayPal.


APOIE SANTIAGO MAGAZINE. APOIE O JORNALISMO INDEPENDENTE!

Comentar