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O projeto divide-se em duas fases. A primeira fase consiste na transferência de conhecimento com um leque de ações de formação nas áreas da aquaponia, culinária, artesanato, inglês e informática. A segunda fase será a de networking com a criação da associação de mulheres, partilha de experiências e conhecimentos e busca de mecanismos para o financiamento dos seus projetos de autoemprego.

O objetivo principal deste projeto é o de capacitar estas mulheres no sentido de arranjarem alternativas de trabalho reais, dignas e sustentáveis, isto porque segundo a técnica do projeto Bárbara Garcia Rodriguez “elas estão nesta atividade porque não têm outras alternativas", pelo que é necessário "trabalhar com elas diferentes ferramentas para que no futuro tenham um trabalho diferente”.

Trata-se de uma parceria entre a Universidad de Las Palmas de Gran Canaria (ULPGC) e o INIDA, financiada pelo Cabildo de Gran Canaria. Contempla as mulheres que vivem da apanha de areia e visa a reconversão desta atividade. 

Este projeto já está na estrada há quase um ano. Conforme a técnica, Bárbara Garcia Rodriguez, a ULPGC tem vários projetos a decorrer na ilha de Santiago que são financiados pela União Europeia, e numa das várias visitas de campo, constataram este problema de mulheres nas zonas costeiras e rurais do concelho de Tarrafal. Foi assim que surgiu a ideia desse criar outras atividades que não colocam em causa a saúde das mulheres.

Uma das integrantes do projeto afirma que “muitas aqui são jovens. Com esta formação temos a possibilidade de estudar e fazer algo diferente. Nasci e encontrei minha mãe tirando areia e tirei também junto com ela até hoje, depois dos 18 anos foi trabalhar num bar e vejo esta formação como uma oportunidade de fugir à apanha da areia. Estou com dores de coluna de tanto carregar banheira de areia. Espero que com esta formação possa trazer frutos positivos para nós. A nossa preocupação é o depois da formação. Onde vamos encontrar emprego?”.

São, ao todo, setenta mulheres beneficiárias deste projeto, que vivem da apanha de areia nas várias zonas costeiras do concelho do Tarrafal de Santiago – Ribeira das Pratas, Chão Bom e Ribeira Moita. Infelizmente muitas mulheres, principalmente jovens, que vivem desta atividade, mas que se mostraram interessadas em deixar esta atividade ficaram fora do projeto, apesar do interesse demonstrado, porque o mesmo não comportava mais do que 70 mulheres.

Tarrafal.Mulheres

Depois da formação, o primeiro passo é a criação da associação para que se tornem num grupo mais forte e reconhecidas, porque elas estão invisibilizadas nesta atividade. Depois poderão fazer intercâmbios com outras associações de mulheres e conhecer as suas experiências. Segundo a técnica do projeto Bárbara Garcia Rodriguez “com o fim da primeira fase do projeto, na segunda fase estas mulheres esperam organizar-se numa associação para buscarem meios de pôr em prática a aprendizagem durante a formação, criando seus próprios empregos ou procurando emprego em outros setores de atividades”.

E, aqui reside o grande desafio destas mulheres, apesar de, neste momento a Câmara Municipal local comprometer-se em ajudar com um espaço de trabalho onde estas mulheres possam desenvolver suas atividades, expor e vender seus produtos. Entretanto, a incerteza e preocupação com o término do projeto. Segundo uma das integrantes do projeto “quando chego em casa, fico a pensar, se nos tiram da apanha da areia, vamos frequentar esta formação, mas esta formação dá para sustentar a nossa família?”

São questões e preocupações que ficam no ar, esperando uma resposta de quem de direito.



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Comentários  

+1 # jose luis tavares 24-06-2019 14:52
Há décadas que esse tipo de projeto já foi identificado em Santiago como uma necessidade premente. No entanto alguém viu isso ser preocupação do governo para a economia azul por exemplo e sustentar uma projeto seguro? Não! Para a quando uma outra governação do mar e turismo para Santiago?
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