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Por: Mana Guta

Juro estudar e aprender sempre, partilhar com todos o conhecimento adquirido, a fim de que o processo de aprendizagem se torne válido e enriquecedor. Assim eu juro, e assim Deus me ajude.

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COM O PROFESSOR ARNALDO FRANÇA, OS PASSOS SÃO SEMPRE MAIORES DO QUE AS PERNAS

O meu primeiro dia de aulas no Instituto Superior de Educação (ISE), agora Universidade de Cabo Verde, foi em Outubro de 1997. Cheguei cedo, dirigi-me para o Departamento de Línguas Cabo-verdiana e Portuguesa, que, na época, funcionava no Plateau, na assim chamada Escola Grande. Naquele dia, mudei o penteado, vesti-me de executiva...queria parecer pelo menos cinco anos mais velha. Eu tinha 45 quilos.

Na época, quem fazia o Curso de Estudos Cabo-verdianos e Portugueses eram professores já no ativo, alguns com largos anos de experiência, e eu me sentia tão pequena! O Dr. França estava no último ano da sua missão como Chefe do Departamento: eu contava com a sorte de ser recebida por uma das minhas antigas professoras (Profa. Lena Sousa Lobo, Profa. Amália de Mello Lopes, que eu tanto admirava e admiro) … com quem estava mais à-vontade. Fui repetindo para mim mesma, enquanto subia as escadas:

"Aqui estudou Amílcar Cabral. E aqui trabalham as minhas professoras de Português do tempo do Liceu. Portanto, não há que ter medo."

Escadas de madeira, intermináveis. Faziam barulho, enquanto eu pisava com os saltos que resolvi usar, para o primeiro dia.
Lembro-me da cabeça grisalha, da camisa branca e dos óculos. À frente dele, uma pilha de livros, que ele ia lendo… e tomava notas. Não sei quanto tempo fiquei à espreita, até ganhar coragem. Passou uma servente. Perguntei pelas professoras… estavam ainda em aulas. Não se lhes podia interromper.

Avé! Bom, é agora ou nunca.


- Com licença, disse eu.
- Bom dia. Respondeu-me uma face serena, atrás dos óculos...

Sente-se.

- O meu nome é Maria Augusta. Telefonaram-me para comparecer hoje. Parece que fiquei em primeiro lugar no concurso para a vaga de Literatura.
Ele disfarçou bem a surpresa e tratou-me com muita classe:
- Professora Augusta Évora... seja bem-vinda. Fale-me de si.

Eu falei de mim…

Disse-me ele que, já que eu tinha passado no concurso, isso significava que eu estava pronta. Levou-me à minha sala. Dirigiu-se à classe e disse: "Aqui está a vossa professora de Literatura Brasileira, a Professora Augusta Évora. É uma excelente professora. Hão-de aprender muito com ela. Ficou em primeiro lugar no Concurso e, apesar de ter alternativas de emprego, escolheu Exercer o Magistério" 

EXERCER MAGISTÉRIO!

DEUS MEU… Eu nunca tinha utilizado estas palavras…
Mas, certamente, é bem diferente de dar aulas. Eu pensei: "É o Dr. França a falar e ele diz que eu sou uma excelente professora. Não posso decepcioná-lo". E fui assim baptizada no Ensino Superior. E os alunos saíram de lá a me chamar de Professora Augusta Évora. E assim é o meu nome na UNICV até hoje.

Já estava a tratar a universidade “tu cá, tu lá”, dois anos depois, quando encontrei, na minha sala, um antigo Professor meu da 3ª classe da Escola nº 26 de Calheta. Outro susto. Mas já que eu estava lá para Exercer o Magistério…

Porque o Professor França confiou em mim, e porque eu acreditei que a palavra de um Mestre, como ele, tinha que ser honrada, passei, então, para além de ser professora, e a dar aulas, passei (dizia) a EXERCER O MAGISTÉRIO.

No mesmo ano, fui arguente de uma monografia que ele próprio orientara. E, desde então, venho dando passos maiores do que as minhas pernas.
PAZ À SUA ALMA!

A todos os professores, colegas, deem aulas e Exerçam o Magistério. Porque a primera missão do Professor é convencer o aluno a dar passos sempre maiores do que as pernas!

(CONTINUA)



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Comentários  

0 # João Mario Cardoso 23-04-2019 18:58
Dar aulas? Ninguém dá aulas, senhora doutora. As aulas são ministradas.
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