Pub

Paulo Veiga CPI

O secretário de Estado para a Economia Marítima, garantiu que o primeiro barco da Cabo Verde Inter-Ilhas, empresa criada pela Transisular, no âmbito da concessão do serviço marítimo inter-ilhas, estará operacional no país até inícios de Outubro.

Paulo Veiga fez este anúncio quando falava esta segunda-feira na reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o processo de concessão do serviço público de transportes marítimos inter-ilhas, tendo garantido também na ocasião, que o Governo está a trabalhar com a empresa no sentido de se fechar o plano dos restantes navios que vêm operar em Cabo Verde em regime de leasing.

“Vão entrar navios novos e vão ser descativados os navios que não cumpram os requisitos neste momento. Há varias formas de se fazer isso. Pode ser por abatimento, pode ser que as empresas consigam alugar esses navios na nossa região. O facto é que aqui em Cabo Verde vamos ter que fazer um “upgrade” das embarcações para cumprir o que está no caderno de encargos”, explicou o governante.

Entretanto, o secretario de Estado para a Economia Marítima informou que apesar de a empresa Transinsular ter que trabalhar com os três navios da Cabo Verde Fast Ferry (CVFF) estes vão ser substituídos porque não correspondem às necessidades de transporte de cargas ou mercadorias que o Governo espera. A título de exemplo, indicou que na ilha do Fogo a CVFF só transporta 30 % de cargas.

Explicou ainda que a nova empresa vai iniciar com 70 % do mercado e, de acordo com os estudos, “num cenário optimista, em três anos a empresa terá resultados positivos e num cenário pessimista terá resultados positivos só depois de sete anos”.

Conforme avançou Paulo Veiga, a opção do Governo era deixar de subsidiar as ligações aéreas para subsidiar o transporte marítimo.

Entretanto, destacou, por outro lado, o facto de haver 10 armadores nacionais a participar na empresa CV Inter-ilhas com os 49 % disponibilizados pela Transinsular após negociações com o Governo.

“Temos cerca de 10 armadores nessas condições. Apoiamos a sua entrada no capital social, mas estamos a trabalhar para garantir que o pessoal que não vier a transitar para a nova empresa que irá fazer o transporte marítimo, não fique sem direitos e sem trabalho“, disse o governante, adiantando que neste momento estão a analisar uma forma de se integrar essas pessoas nos centros logísticos que vão ser criados nas ilhas para receber as cargas.

Apesar de reconhecer que o concurso foi dos mais escrutinados em Cabo Verde, o secretário de Estado para a Economia Marítima assegurou que as instituições de fiscalização “tinham toda a independência, decidiram que o concurso deveria avançar e não houve interferências do Governo”.

Paulo Veiga informou ainda, que o Governo já criou uma equipa multidisciplinar e multissectorial para fazer o “acompanhamento efectivo das operações” da empresa Cabo Verde Inter-ilhas para garantir que ela cumpra o que está estipulado no caderno de encargos e evitar que o Estado venha a pagar indemnizações compensatórias que “não sejam estritamente necessárias”.

Ainda durante a audição, o deputado João Gomes questionou o governante se Maria João Novais, que é presidente da Comissão de Resolução de Conflitos da ARAP, também presta serviços como advogada à Cabo Verde Fast Ferry.

O questionamento do deputado vem a propósito das declarações de Maria João Novais afirmando que o processo do concurso dos transportes marítimos inter-ilhas foi mal-conduzido e que devido a “erros graves” registados, o mesmo deveria ser anulado e refeito com base nos critérios da contratação pública.

Em resposta, Paulo Veiga confirmou que Maria João Novais presta sim serviços na CVFF e que, na opinião dele (governante), apesar de não ser jurista, “parece-lhe haver um conflito de interesse nesta perspectiva”.

Com Inforpress



APOIE SANTIAGO MAGAZINE. APOIE O JORNALISMO INDEPENDENTE!

A crise na imprensa mundial, com vários jornais a fechar as portas, tem um denominador comum: recursos financeiros. Ora, a produção jornalística, através de pesquisas, entrevistas, edição, recolha de imagens etc. Tem os seus custos. Enquanto está a ler e a ser informado, uma equipa trabalha incessantemente para levar a si a melhor informação, fruto de investigação apurada no estrito respeito pela ética e deontologia jornalisticas que caracterizam a imprensa privada, sobretudo.

Neste momento em que a informação factual é uma necessidade, acreditamos que cada um de nós merece acesso a matérias precisas e de interesse nacional. A nossa independência editorial significa que estabelecemos a nossa própria agenda e damos nossas próprias opiniões. O jornalismo do Santiago Magazine está livre de preconceitos comerciais e políticos e não é influenciado por proprietários ou accionistas ricos. Isso significa que podemos dar voz àqueles menos ouvidos, explorar onde os outros se afastam e desafiar rigorosamente aqueles que estão no poder.

Portanto, se quiser ajudar este site a manter-se de pé e fornecer-lhe a informação que precisa, já sabe que toda contribuição do leitor, grande ou pequena, é tão valiosa. Apoie o Santiago Magazine, da maneira que quiser, podendo ser através da conta nº 6193834.10.1 - IBAN CV64 000400000619383410103 – SWIFT: CANBCVCV - Correspondente: TOTAPTPL - Banco Caboverdeano de Negócios - BCN, ou por meio deste dispositivo do PayPal.


APOIE SANTIAGO MAGAZINE. APOIE O JORNALISMO INDEPENDENTE!

Comentários  

0 # Joao Santos 14-08-2019 23:32
A Filosofia deste Concurso nao passa de uma Autentica Aberracao pois nunca em Cabo Verde se fez tal coisa
Os protogonistas deste Concurso nao fizeram senao o Favorecimento a Transinsular , uma empresa que nao apresentou a capacidade de introduzir navios em Cabo Verde uma vez que se disse que ganhou o concurso
se vai trazer navio em outubro presumo que sera um leasing com o aval de Cabo Verde
Uma pessoa bem posicionado sobre o caso transinsular enviou uma nota ao facebook alertando da fraca ou nula capacidade da transinsular
Se o Governo diz que a Afrexim Bank pos a disposicao de Cabo Verde um Financiamento de 500 Milhoes de Dolars para Financiar Projectos Publicos e Privados em Cabo Verde entao estaria o Governo na posicao de avancar com Avais ao sector privado Armadores Nacionais para a renovacao da frota o mesmo foi anunciado pelo Governo que a BAD concedeu um Financiamento a Cabo verde de 150 milhoes de dollars para o Sector Privado e 100 Milhoes para o Sector Publico
Desde a era Colonial e depois a Independencia de Cabo Verde os Bancos Banco Nacional Ultramario e depois o BCV depois o BCA foram os Financiadores aos Armadores Nacionais para a aquisicao das suas unidades
Em Parte alguma do Mundo se faz Concursos Internacionais para Transporte Maritimo Inter Ilhas ou Cabotagem
Pode sim fazer para o Longo Curso alias se nao estou em erro existe um Decreto Lei que diz que a Cabotagem Nacional e reservado a Armadores Nacionais
Deste modo o Concurso hora realizado nesse molde nao tem razao de ser
O concurso deve ser ANULADO sob pena de vir a ser um Grande Problema dificil de resolver
Nao podemos aceitar a logica da transinsular ganhar o concurso e utilizar os nossos Navios isto e uma Aberracao
Esse Ministerio carece de Know How nessa Materia pois devia de nos ter ouvido a Nossa opiniao antes de ir para essa ideia de Concurso Internacional na Cabotagem Nacional pois somos Veteranos na Materia e sabemos o que Cabo Verde Precisa sem a interferencia de estrangeiros ainda mais portugueses que sao considerados os mais atrasados no Shipping da Europa
Ate esta data a transinsular nao apresentou dados crediveis da sua capacidade Economica Financeira e uma frota credivel a ponto de entrar e vencer o concurso em Cabo verde
Deste modo na minha otica este concurso nao deve existir e a extincao deve ser para breve antes que aconteca o pior
Joao Santos
Armador
Responder