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Por: Redacção

fast ferry

O anúncio feito esta semana pelo ministro do Turismo, Transportes e Economia Marítima de que a Cabo Verde Fast Ferry vai ser extinta apanhou de surpresa os accionistas, logo numa altura em que a CVFF é a única empresa cabo-verdiana do sector a passar à segunda fase do concurso internacional para concessão das operações marítimas inter-ilhas, cujo vencedor será conhecido no mês de Maio.

O ministro do Turismo, Transportes e Economia Marítima, José Gonçalves, anunciou esta semana que a transportadora marítima Cabo Verde Fast Ferry, onde o Estado de Cabo Verde detém 53% das acções, vai ser extinta em breve. A informação caiu que nem uma bomba na cabeça dos accionistas privados.

Estes, ao que Santiago Magazine apurou, estão determinados em confrontar o Governo e exigir do ministro do Turismo, Transportes e Economia Marítima, José Gonçalves, o esclarecimento público das suas afirmações, feitas a partir das antenas da RDP-África e numa altura em a CVFF foi aúnica empresa cabo-verdiana a se qualificar para a segunda fase do concurso internacional lançado pelo Executivo para a concessão das operações marítimas inter-ilhas, cujo vencedor será conhecido no mês de Maio.

Gonçalves, segundo fontes de SM, terá justificado informalmente a alguns accionistas de que as suas declarações teriam sido “descontextualizadas” pela imprensa que fez eco da sua entrevista à RDP.

Entretanto, as suas palavras são muito claras: “Provavelmente, eu diria, uma resposta muito frontal, sim (…) Com as dividas acumuladas, não tem sustentabilidade para se configurar no figurino da concessão única”, disse o governante quando questionado se a CVFF iria ser extinta caso outra empresa vença o concurso para operar nas ilhas. E insistou que com o lançamento do concurso internacional de cedência de serviço de transporte marítimo inter-ilhas, “a actual empresa pública (CVFF) não é sustentável”.

(Ouça a entrevista na íntegra, e a parte sobre o tema em questão, a partir do minuto 09.20 aqui: https://www.rtp.pt/play/p389/entrevista-rdp-africa)

Santiago Magazine tentou contactar os administradores da CVFF que, neste momento, se recusam a prestar quaisquer declarações sobre o assunto. Mas, Andy Andrade, fundador do projecto e residente nos EUA, confirmou em exclusivo a este diário online os accionistas esperam uma reacção do Governo à notícia sobre a extinção da Cabo Verde Fast Ferry antes de tomarem alguma posição.

Andrade diz acreditar na “boa intenção” do Executivo e diz aguardar “com expetativa” o pronunciamento do ministro da tutela dos transportes marítimos a fim de esclarecer esta notícia. Porque, assegura o promotor da CVFF, a “situação insustentável” da dívida da CVFF descrita pelo governante “não corresponde à verdade”. "A empresa tem dívida sim, mas a maioria negociada a longo prazo para serem pagas no ano 2029", afirmou.

Este investidor lamenta que tal notícia tenha sido despoletada num momento em que decorre o concurso para concessão das operações marítimas inter-ilhas e que encerra no próximo mês de Maio, o que, a seu ver, é “muito lesiva aos interesses e chances da CVFF neste processo”.

“Como é que a CVFF é a única empresa nacional a passar para a segunda fase desse concurso, conjuntamente com mais três empresas armadoras estrangeiras que apresentaram as suas propostas e cadernos de encargos?", observa o nosso entrevistado, para quem, ao afirmar que a Fast Ferry está falida, o ministro indirectamente estará a afirmar que “o Estado de Cabo Verde está falido, pois é este o maior accionista da CVFF”.

Proprietária dos navios Kriola, Liberdadi e Praia d’Aguada, a Cabo Verde Fast tem vindo a passar por uma situação financeira complicada. Em 2013, a transportadora tinha apresentado um prejuízo de 127 mil contos, segundo contas publicadas pela Bolsa de Valores. Somando os resultados negativos de anos anteriores, ao fim de três anos completos de actividade, a CVFF tinha prejuízo acumulado de 425 mil contos.



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Comentários  

0 # César Isabel da Cruz 11-03-2018 11:45
O anúncio apanhou os accionistas de surpresa? Só podem estar a brincar. Infelizmente, os accionistas maioritários dessa empresa somos nós, os cidadãos cabo-verdianos. O Governo anterior resolveu tornar-se accionista maioritário de uma empresa falida, que só em Cabo Verde podia estar a funcionar, por essa altura. Tentaram viabilizá-la com a estória das concessões A e B, mas viram no que deu: aumentos de tarifas de mais de 50% (só podia ser), que o novo Governo teve que mandar suspender imediatamente, logo que entraram em consulta pública.
Como é possível que uma empresa na situação económica e financeira da CVFF tenha passado para a segunda fase do processo de concessão dos transportes marítimos inter-ilhas? Devem estar na brincadeira. É só dar uma vista de olhos às suas contas. Aliás, onde estão elas? As últimas contas publicadas datam de 2014 (ou estou enganado?). Eu estimei que, em 2016, teriam prejuízos acumulados de mais de um milhão de contos. Os prejuízos, actualmente devem rondar os 500 contos por dia.
Quem decide, em última instância, numa sociedade é o accionista maioritário, e neste caso é o Estado. Discutir a dissolução da empresa com os restantes accionistas é mera formalidade, que se pode cumprir depois. De todo o modo, os maiores perdedores nessa estória somos nós (cidadãos), a Caixa Económica, o INPS (nós cidadãos) e os restantes obrigacionistas. Não digo que o Governo já vai tarde porque não se podia acabar com a empresa sem ter outra solução.
Não tenho nada contra a CVFF. Tenho é algo a favor de nós todos, cidadãos.
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+1 # jack brito pina 10-03-2018 23:17
Com esse Governo tudo é possivel,um perfeito governo, para acabar com tudo
vamos-nos prevenir,arranjamos uma Arca do Noe, para nao acabar com a boa espécie do bom povo cabo-verdianos. estamos assim.., um Governo Governa, por quinze anos, construiu estradas,aéroportos, barragem,compram barcos aviões mudam de aéroportos para facilitar a vida do povo dentro e fora do país,e o outro chega-se entra e desfaz-se de tudo novamente,com todo odiando tudo e todo. um país pobre sem recursos como Cabo Verde,isso nao devia acontecer,isso so pode ser brincadeiras di santcho cuo lobo.
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-3 # Djosa Neves 10-03-2018 05:37
Surpreendidos?????????? Desde antes de ser inaugurado, era PREVISIVEL. Basta ler os PRESSUPOSTOS que sustentavam o projecto eleitoralista dos BAZOFENTOS para ludibriar os emigrantes (nas suas poupanças) e nacionais. É tão somente uma mistura de TACV e CASA PARA TODOS que sulcava alegremente os nossos mares. E mais uma vez, lá vai o dinheirinho do INPS e o erário publico pagarem a BAZOFARIA de uma dúzia de incompetentes que se diziam responsáveis "riba la". Mas, não se acanhem, há mais por vir!!!
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