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Por: Adolfo Maria*

Texto de apresentação do livro Germinações e Outras Restituições de Março, de José Luís Hopffer C. Almada, na Associação Caboverdeana de Lisboa, em 4 de Julho de 2019

adolfo maria                                      

Palavras Prévias:

Saúdo a assistência, os meus colegas de mesa e agradeço ao José Luís por me ter convidado para esta partilha.

Neste imenso livro de mais de seiscentas páginas há um prefácio, um posfácio e outros textos que explicam bem a obra e o percurso literário de José Luís Hopffer Almada. Portanto, o que vou dizer nada acrescentará. Apenas exprime o ponto de vista de alguém que, na sua luta pela liberdade, tem a experiência do combate cultural.

Falando do livro:

A Peregrinação Cabo-Verdiana de José Luís Hopffer Almada

O conteúdo deste livro, Germinações e Outras Restituições de Março, leva-me a evocar dinâmicas históricas que geraram elites produtoras da literatura e de correntes literárias em que se filia José Luís Hopffer Almada e a sua obra. Recordo que o autor nasceu num país então colónia portuguesa.

Numa situação colonial, uma das formas de resistência das populações dominadas é a preservação da sua identidade ou, por vezes, a construção duma identidade própria a contrapor à acção desagregadora e despersonalizante executada pela potência colonial.

As elites dos povos colonizados começaram por combates de natureza identitária na particular reivindicação do seu reconhecimento perante o dominante colonizador, para, depois, assumirem a reivindicação máxima do colectivo nacional: a libertação do jugo colonial.

A história do nacionalismo moderno nos países africanos que foram colónias de Portugal é bem elucidativa sobre esta questão. A luta pela independência conduzida pelas suas elites nativas teve neles as mesmas características (em graus diferentes, é certo, e conforme as dinâmicas sociais havidas ao longo dos tempos e na interacção com a colonização). Começou essa luta pelo combate cultural no qual viria a entroncar-se o combate político para, depois, conforme as circunstâncias, chegar à luta armada, em consequência da obstinação repressiva da potência colonizadora.

A essência e a mola do combate cultural eram a busca e a afirmação dos valores culturais identitários que marcavam a diferença em relação aos valores impostos pelo colonizador; em simultâneo, aprofundavam a noção e consciência de pertença a uma comunidade com território próprio, valores culturais próprios, portanto uma entidade merecendo ser reconhecida como tal e dona do seu destino.

Nesse combate cultural - que foi mais ou menos longo, mais ou menos importante no processo de luta pela independência, consoante os países - a literatura desempenhou um papel fundamental. Essencialmente através da poesia e contos eram descritas as paisagens, as gentes e costumes nativos, o precário viver do povo sob a dominação colonial e também as novas formas societárias resultantes da colonização. Deste modo levantava-se uma barreira à progressão da cultura do dominante; reabilitavam-se valores e gentes que o colonizador desprezava; construía-se uma identidade onde a maioria se revia; erigia-se um orgulho próprio de ser o outro, aquele que existe por si mesmo.

A literatura cabo-verdiana documenta bem este processo. Para lá disso, por razões intrínsecas a Cabo Verde, ela é de uma enorme riqueza, fruto da produção de numerosos escritores de alto gabarito, em diferentes épocas.

José Luís Hopffer Almada é mais um renomado intelectual cabo-verdiano que brilha na literatura, quer como poeta quer como ensaísta. Disso este livro é a prova. Germinações e Outras Restituições de Março constitui uma gigantesca peregrinação a Cabo Verde, com toda a carga escatológica, religiosa e histórica que o conceito implica. É um acto de fé: na força de um povo, no seu caminhar enquadrado no devir de África e da Humanidade.

Nos textos de ensaio nele insertos, a prosa de José Luís Hopffer Almada tem um estilo muito próprio porque o poeta ali está na riqueza do vocabulário, na qualidade literária da frase, na usufruição da vida. No caso de o ensaio ser biográfico, a prosa segue os caminhos do encantamento; torna-se outro género literário: o conto. Isto está bem patente no livro que estamos a apresentar. Logo no início, na parte intitulada “Detonações Prévias”, José Luís Hopffer Almada oferece-nos a partir da página 23 o belo texto: “António Pedro: a saga islenha de um poeta de caboverdianidade bissexta”; e depois “Março”. Deliciados, acompanhamos António Pedro e Caló, deambulamos com eles, levados pela mão literária de José Luís Hopffer C. Almada.

Neste livro, a poesia apresenta-se de múltiplas formas: descrevendo paisagens, gentes, combates pela liberdade ou abraçando corpos, por eles escorregando em carícias amorosas. A liberdade da linguagem, nestes casos, transmite-nos a intensa liberdade e o aprisionamento que o jogo amoroso proporciona. As palavras tornam-se pinceladas de belos quadros de erotismo. Verifiquem, lendo os poemas incluídos em “Monólogos com o Silêncio” e “Meridianos do Silêncio”, da página 53 à 81. O autor diz que são poemas de Alma Dofer Catarino, o que nos levaria a perguntar como aqui vieram parar. Mas não pergunto porque sabemos que o José Luís usa vários heterónimos.

Na parte deste livro intitulada “Prenúncios do Silêncio” (da página 82 à 107), encontramos meditações do autor vertidas em bela poesia. Respiguei em diferentes poemas estes versos:

(...)

Sagitário

da seca

no eco do arco

retesado

em pleno deserto

(...)

E o sul torna-se

destino da evasão.

E o sul torna-se

destinatário das saudades

dos meus companheiros

radicados na Terra-Longe

(Terra-Longe ou Pasárgada,

terra longe e longínqua,

circundada de norte

por todos os lados,

em todos os casos).

(...)

Com as mãos crispadas

à beira-mar

com a alma ansiosa postada

à beira-sonho

navegarei para longe

Em Quarta Parte – “Peregrinações da Saudade”, Primeiro e Segundo Capítulos, o autor utiliza o heterónimo Nzé de Sant’y Ago para nos oferecer poesia repassada de lirismo na evocação da emigração, do regresso à terra, das saudades na diáspora e das saudades amarradas nas ilhas. Vejam-se estes versos:

Não há dia

Terra

não há hora

que os meus/teus

braços em baía

não se curvam

em amplo amplexo

ao teu/meu abraço

de liberdade

assim nascida

assim crescida

qual certeza lavrando-se

na ambiguidade dos Outubros

de novas chuvas

 

Onde o camponês

com viagens de emigração

na boca da enxada?

A força telúrica das ilhas cabo-verdianas e das suas gentes esculpe-se nestes poemas, assim como a História desfila perante nós na evocação de personalidades e exaltação de momentos colectivos que marcaram a emergência da Nação e a sua afirmação.

No geral, os seus poemas são torrenciais. Catadupas de palavras certas e assertivas alinham-se em versos e vão correndo sob os nossos olhos em torrente como as águas das chuvas das suas ilhas que saltam das montanhas, engrossam e correm bravas, desfiladeiros abaixo. Em “Livro Primeiro, Quarta Assomada Nocturna (A Infância e os Mitos Revisitados”, o autor interpela seus companheiros de infância e da vida para milhentas evocações. Começa assim:

Lembras-te, Dhigo

das noites longas da Assomada

feitas Faroeste imaginadas

antigo e lúdico Oeste Selvagem

e dos nossos pés errando crianças

em infatigáveis correrias verdes

entre as folhagens do milheiral?

 

Pretos brancos mulatos

todos nós éramos peles-vermelhas

de risos e escalpes crioulos

Seguem-se paisagens, pessoas, estórias, acontecimentos e História neste poema onde encontramos também versos em crioulo e que se estende por mais de 80 páginas (da 115 à 207). Para ilustrar, respigo breves passagens

(...)

arribados aldeãos

rudes e viris vilões

assomando eufóricos

do fundo das ribeiras

das calvas achadas

das verdes cercanias

de Chã de Tanque da Boa-Entrada

de Pinha de Engenhos de Pilon-Can

de Achada Grande de Achada Leitão

de Achada Além de Achada Falcão

de Achada Leite dos portos de mar

do Rincão e da Ribeira da Barca

das terras baixas de Santa Cruz

das estações ressequidas

vegetando famélicas

em Manguinho das Sete Ribeiras

 

das ilhas do Fogo e do Maio

divisadas para além da imponência

do Pico de António e da estranheza

da saliente e rochosa protuberância

de perfil e traços humanos do Monte

conhecido como do Marquês de Pombal

 

da Ilha Brava e da sua

morna e orvalhada doçura

e dos seus luares altaneiros

suavíssimos açoitando

os ventos a Sotavento

vislumbrando-se líricos

nos corpos serenados

das crioulas badias da Assomada

das camponesas dos povoados vizinhos

amadurecendo lânguidos e sensuais

pelas varandas e pelos terraços

com a dolência das serenatas

com a convivial sabura das tocatinas

nas noites longas da Assomada

 

das ilhas longínquas

íntimas na sua distância

das sonoridades da nossa fala

e da nossa arte de manejar

a enxada de boca larga

(...)

Lembras-te, António Pedro

da génese do mar e do martírio

nas ourelas da Ribeira da Barca

e do seu azul eco medrando

(...)

envolvendo de líquida desmesura

contaminando com espuma e espanto

acossando com salitre e infinitude

a alma migratória e os corpos inquietos

dos homens da Ribeira das Pratas

os passos largos rápidos os alguidares

recalcitrantes das peixeiras de Rincão

e as noites longas da Assomada

Por vezes, a correnteza veloz das palavras abranda, muda de ritmo, para espelhar doloridas reflexões do autor. Vejamos mais estes extractos do referido poema:

(...)

Todos nós éramos

intrépidos nativos

das tapadinhas e de outros

improvisados campos de jogo

envoltos em fulgor e poeira

depois connosco vermelhos

embalando-se embrenhando-se

sedimentando-se e repousando

nas noites longas da Assomada

(...)

das outras mulheres

tuas companheiras

do sofrimento lato e calado

também elas

filhas de santo cativas

pombas negas da tabanca

de Ribeirão Engrácia

contemplando

em mudos e taciturnos olhares

em calada peregrinação interior

os hematomas as chagas da alma

o corpo exausto dorido carcomido

a palavra amiga o gesto afectuoso

o olhar vigoroso e solidário ausentes

os paus de pilão o óleo fumegando

as pedras os machins as catanas

as navalhas as águas ferventes

as trancas das portas das despensas

e dos portões dos quintais

encostados às memórias

e às ancas da cólera

das mulheres de Ribeirão Manuel

urinando nas bocas dos soldados

caídos da cavalaria da repressão

exortando impulsivas e pasionárias

as noites longas da Assomada

O que o autor intitula de “Livro Terceiro” e “Livro Quarto” (a partir da página 211) é a continuação das evocações do poema de que lemos breves passagens, mas agora numa descrição histórica de como a terra cabo-verdiana se foi moldando em Nação, através de dominações, reacções, interacções. Percorremos séculos, passamos por acontecimentos, convivemos com gente que fez a História dessas ilhas de África.

A poesia de José Luís Hopffer C. Almada é a continuidade do combate cultural das gerações anteriores pela afirmação da identidade cabo-verdiana na qual ele, agora, faz sobressair a africanidade. E é partindo desta componente africana que José Luís Hopffer Almada projecta no universal a luta e história do povo cabo-verdiano enquadrando-as nas lutas dos povos africanos contra a opressão colonial e pela liberdade.

Na parte do livro que tem por título “Entre-Livros Provisório ou Interlúdio Temporário para as Revisitações dos Tempos da Disseminação Africana e Diaspórica da Pátria do Meio do Mar (ou Pelejas das Premonições e das Saudades Futuras da Nação Crioula Soberana)” (página 357), o autor oferta-nos densa poesia épica onde a luta pela independência é descrita em minúcia de ocorrências, nomes de participantes, lugares e feitos. Nessa gesta libertadora, entre tantos e tão ilustres, sobressai obviamente Amílcar Cabral em poema dedicado aos heróis nacionais. Na construção de enorme galeria de feitos e personalidades, os versos sucedem-se longos e em avalanche, mas mudam de forma, no momento certo para revelar que:

Todos nós éramos

todos nós seríamos

todos nós viríamos a ser

predicadores das liturgias

da liberdade e da justiça social

das sombras erguendo-se

despertas e eufóricas

dos espectros disseminando-se

justiceiros e igualitários

das criaturas das ilhas

dos subjugados convertendo-se

libertários e fraternitários

No poema “Das Luzes e das Sombras Todas dos Vários Rostos de Amílcar” (a partir da página 506), o autor começa por pedir (ou exigir):

Tragam as luzes

e as sombras todas

das humanas criaturas

desses cenários nossos islenhos

arquipelágicos diaspóricos cosmopolitas

para, depois, introduzir Amílcar Cabral:

Tragam tudo

e a verde espessura

das juvenis indagações de Amílcar

(...)

Tragam tudo

e a face resoluta de Cabral

e os seus indícios fraternitários

congeminando

em terras longínquas indomáveis

os prepúcios e os conluios libertadores

da incorrompida esperança

para os povos africanos e para todas

as criaturas humanas oprimidas

para todos os seres humanos

nossos irmãos em todo o mundo

nossos próximos também

eles próprios pródigos

na sempre incessante busca

do progresso e da equidade

A seguir, o autor lança-se numa exaltante evocação do percurso revolucionário desse líder e de outros protagonistas. Contudo, parece-me demasiado carregado o tom panegírico dos poemas citados.

Ainda no “Livro Quarto” encontramos os magníficos poemas que falam das várias saudades islenhas e descrevem as mil maneiras de ser mulher das ilhas cabo-verdianas (ou do Mundo).

Na parte final desta obra de José Luís Hopffer C. Almada, na página 525, aparece um texto com o seguinte título: “Dos Tempos Nossos Contemporâneos de Incendiária Indagação da Diglossia com Correlativa e Conturbada Interpelação do Bilinguismo e de Outras Pretensões Poliglotas do Naturalizado Cosmopolitismo do Povo das Ilhas”. (Aproveito para dizer que há um certo gongorismo nos títulos que o José Luís arquitecta).

Estamos perante uma torrencial escrita que é prosa e poesia em simultâneo, na sua forma. Vagueando pelo mundo que fala português, este texto é um festival de erudição e cultura, onde o cosmopolitismo vai de par com as telúricas raízes, como se vê neste pequeno trecho dali transcrito:

assim se concebendo, assim se esboçando, assim se projectando,

assim se arquitectando, assim se edificando, assim se cerzindo,

assim se restaurando, assim se amaciando, assim se sedimentando,

assim se alicerçando, assim se solidificando a casa nossa comum de todos,

do canto e do choro, do soneto e do verso livre, da ode e da finason, da harpa e da cimboa, do violino e do búzio, do piano e do acordeão, do trompete e da corneta da tabanca, do saxofone e dos apitos do colá sanjon, do contrabaixo e dos panos da txabeta, do tam-tam e dos tambores das festas das bandeiras, da voz, dos ferrinhos, do violão, do cavaquinho, das mãos percussivas e do korá;

Depois de dois belos poemas do luto e da saudade (um deles em crioulo), o livro termina com “À Guisa de Posfácio”, um ensaio que é uma história da literatura cabo-verdiana. Está assinado por Tuna Furtado, ou seja, o José Luís Hopffer C. Almada, autor desta obra que temos estado a referir, Germinações e Outras Restituições de Março, que é uma gigantesca peregrinação de fé na e pela sua terra, Cabo Verde (as ilhas do meio do Mundo, como ele diz, citando o título de um romance do grande escritor cabo-verdiano Oswaldo Osório).

José Luís Hopffer Almada é orgulhosamente africano, afirmando aos seus compatriotas e ao mundo a sua africanidade. Senhor de vastos e eclécticos conhecimentos, é também um estudioso que busca sempre o rigor e é um incansável difusor da cultura cabo-verdiana em todas as suas formas. Daí os vários textos e densos ensaios que tem editado.

Perfeccionista, vigia sempre o que publicou, para corrigir em aspectos formais ou acrescentar novos conteúdos. Assim, periodicamente, temos obras suas por ele refundidas que não são a repetição do já publicado, porém algo que reconhecemos, sim, mas agora com outros temas ou factos e até alguns modos diferentes de dizer. Mesmo na obra que ele produz e que afirma já estar pronta para edição, vai sempre introduzindo algo e corrigindo o verso. (Coitado de quem o edita, tem de ter muita paciência). Não me estou a lamentar de ter lido várias versões desta magnífica obra que estamos aqui a apresentar, apenas sublinhei um modo de produzir literatura que caracteriza o José Luís.

O intelectual José Luís Hopffer Almada, que admiro e estimo, é o consagrado escritor que nos presenteia agora com este livro, intitulado Germinações e Outras Restituições de Março, por onde passa um país e suas gentes, seus sofrimentos e resiliência, sua história e seu devir; um país que é de África. Por isso, nesta obra está África, os seus sofrimentos, o seu combate pela liberdade, a sua história. E África é do Mundo. Por isso - e pelo modo como o autor canta e conta o particular cantinho do Mundo que é Cabo Verde - esta obra faz parte do diálogo universal dos povos.

O agradecimento de nós todos para ti, José Luís Hopffer Almada, brilhante poeta africano. E o meu particular abraço.

*Adolfo Maria é escritor, intelectual, nacionalista angolano e comentador do Debate Africano da RDP-África



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