Pub
Por: João Cardoso

João Cardoso1 

I

Como o tempo passa… Sem querer estar a publicitar o tam-tam da Aldeia Global. “Marshall McLuhan a Galáxia de Gutenberg a Formação do Homem Tipográfico” (!) No nosso tempo em que a opinião se democratizou no mundo e banalizou-se com B (Maiúsculo) - no grau Dez do analfabetismo funcional -, através das redes sociais onde, se fabricam em “cachoeira” de fake news e headlines aliadas às novas tecnologias de informação e comunicação como facas envenenadas de dois gumes. Multiplicam-se os online, e, as selfies de boas amizades, e, as de más e interesseiras intenções que são hoje, perigos fingidos, que muitas vezes piscam olhos inúteis, até, me cansa de perguntar-me se tenho a razão (?) Pois é, pois é... A Era do excesso de informação, em Gigabytes, através, da internet a produzir ruídos ensurdecedores e rotas de colisão. (Ora, há muita gente a gaguejar, em parafuso, o verbo e a palavra imbecis ao mesmo tempo). O Facebook da indignação, do escândalo com a consultoria política Cambridge Analytica que resultou em ondas de turbulências e de revolta global, com usuários das redes sociais apagando furiosamente as suas contas em um gesto, em massa, contra o fundador da plataforma Mark Zuckerberg como se fossem marés vivas ou ilhas do inferno. (No Facebook não há nem retórica e muito pior, ainda, nem comportamentos e atitudes intelectualmente honestas). Por tudo isso, quero ficar hoje, com a Galáxia de Gutenberg herdeira do Homem Tipográfico.

gutemberg

II

Vejam só (!) em França, um simpático galo foi a tribunal por cacarejar demasiado cedo. As notícias se espalharam nas redes sociais como ervas daninhas. E fiquei-me com calças na mão. (A Era da (des) informação faz-me uma tamanha confusão que, deste lado, haja tanta gente a enterrar a cabeça na areia. Devem estar a viver ou nas esquinas ou nos apeadeiros do tempo, com os mesmos receios). Twitter, das linguagens desumanizadoras, nos suportes Tablets da Samsung ou Huawei ou da Apple e e-books (da massificação das audiências) que, servem como auxiliares de leituras, sem rosto e sem alma. Sem rosto, a Wikipédia a prestar um desserviço aos internautas para depois perguntar quem (n) os leu e quem (n) os vê? É verdade Marshall McLuhan (!) São somente memórias de leituras “A interiorização da tecnologia do alfabeto fonético faz passar o homem do mundo mágico do ouvido para o mundo indiferente de visão”. Oh! Oh! Rogai-vos, rogais-vos, com rosto e com alma, à chamada Escola Sociológica Europeia da qual faziam parte nomes como Umberto Eco, Edgar Morin, Jean Baudrillard ou Roland Barthes para oxigenar as mentes sãs com leituras do nosso tempo.

III

América sempre América. Seria necessária uma odisseia de desgraças para conseguir extrair lágrimas de um Americano. América da interculturalidade chorou desta vez nas redes sociais de forma proactiva perante um chocante e alarmante gesto. (Mesmo que essa reivindicação e revolta sejam frágeis). As redes sociais Americanas não deram a voz aos imbecis. A imagem “devastadora” da mãe corta-água a alimentar a cria com uma beata numa praia da Florida provocou uma onda de raiva contra os fumadores descuidados. Karen Masson, que tirou as fotografias, fez um pedido ao publicá-las online. “Se fuma por favor, não deixe as suas beatas para trás”. Reivindica-se hoje, uma consciência ética e ambientalista nas redes sociais. Para onde vamos? Digo que precisamos somente de pessoas bem informadas, modestas sem serem orgulhosas, para não reconhecerem aquilo que lhes falta aprender. A voz forte, o pulso sólido, a amizade ardente, o acordo ou desacordo espontâneo do Umberto Eco, quando escreveu antes de se deixar de ver a luz do Sol “As Mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade. Diziam imediatamente a eles para calar a boca, enquanto agora eles têm o mesmo direito à fala que um ganhador do Prémio Nobel. O drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade”.

IV

Como o tempo passa… Sem querer estar a publicitar o tam-tam da Aldeia Global. “Marshall McLuhan a Galáxia de Gutenberg a Formação do Homem Tipográfico” (!) Perante o mundo atual das TIC’s quero, sobretudo, a minha e nossa privacidade para a criação de uma opinião pública crítica e esclarecida que sabe falar no café e no bar de uma taça de vinho. (No mundo globalizado quando a integração falha, falhamos todos. Os que não favorecem a integração do saber das memórias de leituras e os que não se conseguem integrar são duas faces da mesma moeda). Bonifácio (s) devem ficar sempre calados por que não falam verdade nem meias-verdades, mesmo que o narrador atura crises de ciúme, de ontem ou de hoje, vestido de pijama encantatória para noite de núpcias, quando a Lua esteja na fase de quatro crescente.

NB: A Associação dos Media Privados de Cabo Verde – AMPCV – está de parabéns pela pertinência da nobre conferência «O Papel dos Média em Democracia». Para uma imprensa Livre e Plural e Independente num Cabo Verde Democrático. É preciso. Sim. «Desconfiar sempre do povo, do bom-senso, do sentimento, da inspiração e das coisas evidentes», disse Baudelaire in Escritos Íntimos,



APOIE SANTIAGO MAGAZINE. APOIE O JORNALISMO INDEPENDENTE!

A crise na imprensa mundial, com vários jornais a fechar as portas, tem um denominador comum: recursos financeiros. Ora, a produção jornalística, através de pesquisas, entrevistas, edição, recolha de imagens etc. Tem os seus custos. Enquanto está a ler e a ser informado, uma equipa trabalha incessantemente para levar a si a melhor informação, fruto de investigação apurada no estrito respeito pela ética e deontologia jornalisticas que caracterizam a imprensa privada, sobretudo.

Neste momento em que a informação factual é uma necessidade, acreditamos que cada um de nós merece acesso a matérias precisas e de interesse nacional. A nossa independência editorial significa que estabelecemos a nossa própria agenda e damos nossas próprias opiniões. O jornalismo do Santiago Magazine está livre de preconceitos comerciais e políticos e não é influenciado por proprietários ou accionistas ricos. Isso significa que podemos dar voz àqueles menos ouvidos, explorar onde os outros se afastam e desafiar rigorosamente aqueles que estão no poder.

Portanto, se quiser ajudar este site a manter-se de pé e fornecer-lhe a informação que precisa, já sabe que toda contribuição do leitor, grande ou pequena, é tão valiosa. Apoie o Santiago Magazine, da maneira que quiser, podendo ser através da conta nº 6193834.10.1 - IBAN CV64 000400000619383410103 – SWIFT: CANBCVCV - Correspondente: TOTAPTPL - Banco Caboverdeano de Negócios - BCN, ou por meio deste dispositivo do PayPal.


APOIE SANTIAGO MAGAZINE. APOIE O JORNALISMO INDEPENDENTE!

Comentar