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Por: João Cardoso

João Cardoso1

I

Passados poucos dias de ter visto a luz do Sol pela primeira vez, a minha mãe já levava-me aconchegadamente nas suas costas para atrás do balcão. (Sou herdeiro materno das costelas Dos Cardoso). Por isso, sou mimado, humilde e orgulhoso (!) A taberna “loja Maria di Jaime”, no bairro da Fazenda, Cidade da Praia, bateu-me forte no coração. A taberna e o seu balcão fizeram-me lembrar do meu sonhado e prometido galo azul que pedia, teimosamente, ao meu saudoso pai (herdeiro paterno das costelas Dos Barbosas). Deste lado não sei dizer nada (!) Na taberna só me faltava um abraço, mesmo que seja sem palavras sonhadas. (É o lugar onde, nem Eu nem Tu queremos estar sozinhos ou um bocadinho mais perto do Céu). Nesta taberna de gestos de todos; festas de todos; rimas de todos e sentimentos de todos que, não são esquisitos nas esquinas do bairro. Onde não se justifica, nunca, o pecado.

taberna

II

O espaço não é como a pomposa taberna de Newport, em Rhode Island, nos United States. Não é também “Bodega” derivado do grego apothéké ou “locanda”, derivado do italiano – “locanda Baiuca”. Ali, não se vende vinho a varejo. Vende-se, sim, a “cortadinha” aos copinhos. É um elixir artesanal e espirituoso com ingredientes aromáticas de gengibre, d’ervas naturais e canela em pau. Mas, curiosamente, o valor dessa bebida não depende mais da sua embalagem ou não-embalagem, do que de quem a oferece: sem aridez, com sorriso da recompensa e do calor humano. (Saboreia-se: um + dois + três cálices com suculentos goles e de repente vaia-se ao Céu um ruído, como se soprasse um vento encantador a dizer-nos: desfrutai e frutificai!!)

III

Falta ao produto a força de uma assinatura, para poder certificar a sua marca: Cortadinha. Faz despertar, dentro de nós, as emoções. (Saboreia-se… saboreia-se como a doce paixão). Ela não tem a marca do diamante da caixinha azul, Tiffany (do anel de noivado) nos United States, que é sinonimo de um amor profundo, onde a perceção de valor faz parte do sonho e das ilusões…, mas sem paixão! O elixir da dona Maria di Jaime não é para criar ilusões. (Dá para criar a magia de sonhos para provarmo-nos: um + dois + três cálices com suculentos goles e de repente vaia-se ao Céu um ruído como se soprasse um vento encantador a dizer-nos: desfrutai e frutificai!!). Mesmo que as nossas ilusões não sejam eternas, haverá sempre o brilho da marca artesanal made in Fazenda – Praia.CV.

IV

A cortadinha revela que, já não basta ter, é preciso ser. Nessa taberna fica sempre um brinde às experiências com “Upa upa! Tchim tchim!”. Também não é igual ao sumo de uva. Diz-se que o sumo de uva pura é uma bênção para o homem. A Bíblia diz em Isaías 65:8: “Assim diz o Senhor: Como quando se acha mosto num cacho de uvas, e se diz: “Não o desperdices, pois há bênção nele”. “Quer comais, quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus”” (1 Coríntios 10:31). Com o elixir há quase glória de Deus. (Para comer… comer; beber… beber, e, relaxar um bocadinho mais perto do Céu).

O elixir Nhâ Maria di Jaime é também da vida e convida-nos para bailes serpenteados nas tranças crioulas.



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Comentários  

0 # Arena crítica 02-07-2019 14:17
Velhos tempos!
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