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Por: Raphael d'Andrade

emismundo 

Viajou de um Oriente longínquo para um Ocidente pertíssimo

Viajou, não de barco, sim de avião

É mais rápido pelos ares

Mas mais cansativa, mais destrutiva

Não descansa a mente e a alma

Não descansa o corpo

 

Contingências do progresso

Hoje aqui estou recuperando

Recuperando o cansaço de uma viagem de vinte anos e…

A destruição é consistente e consciente, como a construção também o é

A desilusão não é. A ilusão não é

 

De um autêntico coma alcoólico

De uma pura tristeza alcoólica

Abandono aquele minúsculo confuso universo

Abandono profundo sem arrependimento

Sem saudade

Abandono os meus amores e o meu Amor

Saudade só duas. Uma maior que a outra

Arrependimento? Coisa essa?

O arrependimento vem quando algo de errado se faz

Errado é quando se erra

Errar é movimento, é andar

Então, arrepender por andar?

Arrepender por fazer mal. Ah!

Fazer aos outros mal

Arrepender, assim, talvez seja senso comum

Fazer mal ao próprio há arrependimento? Pergunto

É o fígado que fez queixa à Polícia

Houve mal a outros!

Então há arrependimento

 

Dos dias de bebedeira sem ficar ébrio

Das permanentes noites a olhar paredes de cabarés

Olhar paredes de discotecas manhosas, matreiras

Cheias de mulheres maliciosas, que são e não são, do resto do mundo

 

Sem sentir há um retorno a um ambiente sossegado, saudável

Um tanto irascível, impaciente

Nada que resvale para a disformidade

É o sentir próprio de ser homem e mulher

 

É o mundo.

Por isso dizem que o mundo é redondo

 

Aquele Oriente longínquo e este ocidente pertíssimo

Da podridão da vida fácil

Do dinheiro fácil

Dos ilegais fáceis

Dos casinos fáceis

Dos corruptos fáceis

Dos vinte e sete anos difíceis

 

Enfim é a felicidade dos pequenos espíritos

Não que existam grandes espíritos

Pequenos, inócuos sim!

Vida tem objetivo

Ter carro de alta gama,

Joias,

Casas muitas

Roupas, mas caras

Andar na passarela do Mundo

Evidenciando, espalhando o odor do perfume da sua felicidade superior

Debatendo pertinentes, profundas e mui sérias conversas

Num fortíssimo meio sonoro de registo inaudível

Numa qualquer discoteca sufocada de gente

 

É assim o Mundo

O pertíssimo Ocidente é aqui onde estou

Sentado, escrevinhando, tentando fazer uso daquilo que se diz que é pensar

Não lá fora

Lá fora estarei quase perto do Oriente longínquo

 

CABEÇA DE GALINHA

corta-se a cabeça à galinha e ela saltita

o Homem sem cabeça cai

não mais se levanta

a guilhotina

não, a Guilhermina



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