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Por: Raphael d'Andrade

sepente

A Serpente

Pois então o mundo foi criado com a serpente também. Colocou o homem, a sua costela, outros animais, plantas e árvores. Criando solos e águas. Céus e universos. Colocou na Terra seres viventes. Apenas o Criador e a serpente conheciam o bem e o mal e a árvore da vida. Apenas estas duas criaturas viventes, mais ninguém. Mais nenhum ser vivente conhecia o bem e o mal. A serpente, criada à semelhança da contradição do seu Criador, sugere àqueles que foram feitos à semelhança física Deste que comam os frutos da árvore da vida e se tornem como Ele na consciência sobre o que é o bem e o mal, tal como a serpente. A serpente por não ter respeitado Vontade Superior e por ter desvendado o segredo do Conhecimento foi castigada pelo próprio Criador que havia concedido àquela a prerrogativa do Conhecimento.

Mas porquê a serpente? Qual fumo, qual composição de bocados ligados entre si se desloca na surdina do som não audível? Se a mandou rastejar para nunca mais se levantar, então a serpente, antes do castigo, andaria em pernas e voaria em asas, acompanhada de pensamento e vontade, até de linguagem, com certeza! Só tamanha violação de mandamento implica tamanho castigo, tamanha amputação espiritual, intelectual, locomotora dos movimentos físicos e uma gradação de castigos pelo homem e pela mulher: o sangue, o parto, a dor, o suor, a lavoura, a pesca e esta a seguir aquele, servindo-o. E nesta fase ainda de feitura do Mundo e dos viventes repara-se que os pensantes foram criados no ambiente psicológico e espiritual do segredo (secretismo), da queixa, da denúncia, da intriga e da culpabilização alheia. Sem ninguém aceitar a responsabilidade. Neste caso, ninguém entre mulher e homem quis assumir a vontade de ascender ao Conhecimento. A grande culpa e a grande responsabilidade são da Serpente. Quem será Ela? É sempre o outro que foi culpado e há sempre alguém que fica a rastejar toda uma inteira vida, por revelar.

Não contou, julgo, com a guerra que extermina. Prometeu não mais destruir, mas deixou nas mãos das criaturas pensantes a capacidade de extermínio e destruição total.

E hoje, altivo e empedernido, à beira Tejo, no terreiro do seu Paço, permanece Dom José I, Rei que foi de Portugal espezinhando o desconhecimento, com os seus cascos pisando a serpente. Parece ser essa tradição deixada dentro e além da Ibéria. O desprezo pelo desconhecimento e pela busca de conhecimento.

A CIDADE METRÓPOLE OU A POLÍTICA DE CIDADE METROPOLITANA

A cidade não fala

No seu metropolita caráter

Pulsa a sua vida, mas não conversa

Não se conhece, inconsciente da funda imperfeição que lhe toca

Surge barulhenta todas as manhãs

Não comunica abertamente, olha com olhos desconfiados

Vai comunicando pelos seus besouros ruidosos durante o dia

Mais serenados

A noite adormece zunindo calada

Em sobressaltados sonos

Não assinala a existência pela fala

A metropolita não conversa

Ruidosamente vai demarcando os espaços de cada um

E numa mudez, num silêncio abafado no baralho do seu pulsar

É barulho que baralha, desnorteia

Não junta a conversa e a curiosidade

Como comungar além cidade não se sabe

Se no interno burgo ela não é mais de traje

O afastamento é corte epistemológico

Quer a cidade metrópole dirigir, até chega a ordenar, mandar

Mas não sabe ir além dela

E aquém fica ruído no sono sobressaltado das metropolíticas

 

DOS CÓMODOS PARES

Uns laivos de loucura discernida

Lúcida a loucura das personalidades

Que são várias

Podem surgir por detrás de uma porta aberta

Cochichando, aconselhando, alertando

Também endiabrando oiço vários pés andando

Aos pares que não capto quantos

Por vezes sinto um ritmo ímpar

Há um pé colocado depois ou antes dos pares

Depois volta ao par

E os ímpares quantos pares seriam

Par dançante nesta dança da chuva

Espero o seu som ao longe de mais pares

E o ímpar a suster a pergunta

Nesta chuva dançante para regressar ao par

Somos um ou outro, consoante a necessidade de chegar

Continuar rebolar, saindo

Os ímpares destas vidas também chegam a pares

Ímpares, singulares solitários

São a continuidade, a contradição da emoção perguntada

À incomodidade dos cómodos pares

 

INTERINA PROFILAXIA

Retomando a continuidade

Que nunca deixou de ser descontínua

Quero dizer não penses

Sequer penses em pensar

Esvazia-o

Por interina profilaxia

Fica-te pela tua linguagem

Neste mundo que por vezes aparece-me estranho, me foge entre os dedos

Não vejo por onde entra nem por onde sai...

Nesta tristeza de dor revoltosa

Neste lugar que quer em ebulição iniciar o desatino

E quem não dirá já entrou no provir dos anos paulatino

Naquela exaltação de negativo ânimo do desapreciado sabor

Desatinado e amargado

 

O “SEXTA-FEIRA”

I

Ninguém me pode condenar por nascer

Ou até mesmo renascer

Com mais propriedade deveria dizer ressurjo

Não renasço, ressurjo em outra fecundação

Ninguém me pode negar o ser que é tão grande nem o vejo

Sinto-o no meu perscrutar holístico

Poderão, talvez, negar-me o não ser que é tão grande nem o sinto

Confesso-o na minha condição pecadora

E mesmo assim conflituarão com o meu livre arbítrio

Do qual sou proprietário e instrutor. Se disser servo, é uma questão de ponto de vista

Do ponto, do lugar de onde coloco a minha visão ou a minha fricção

Talvez numa ilha deserta, cheia de árvores, passarinhos e água salobra

Sem animais selvagens, mas deserta de gente

Só um! E mesmo assim haveria a ter em conta sempre as árvores e os passarinhos

Não poderia igualmente esquecer de mim nem tornar absolutamente impotável a água

Ou cometer qualquer outra aleivosia

Para que me não imputasse a Natureza de mau trato

Não podia permitir-me ser alvo de toda e qualquer arbitrariedade livre minha

- “Nasci, fugindo numa ilha deserta!

Serei mais um “Sexta-Feira”

À espera de mastros ao horizonte desenhados me libertem do meu livre arbítrio”

Canibalizado não seria

O “Sexta-Feira” presumiria

A pensar naquela musicalidade ainda não ouvida

II

Indiferenciamento musical que ressai

Faz-se ouvir no seu caminho o mundo ritmado

Pradoso e apeadeiro

 

SERPENTE PAIRA FRANCA

A serpente paira franca

Franca paira a serpente

Serpente que franca paire

É desgaste para os medos do desaire

Descaminhos de meliantes vaidades

Ameaçadas pelo drama das volatilidades

 

ZONA (franca) e Ód’BIANA

I

Vende-se a língua portuguesa ao desbarato

Desvalorizada que está no mercado da bolsa dos calores imobiliários

A troco do descrédito nacional, pessoal, coletivo e individual

A troco da dupla apoiada dos camarins, elege-se em palco, em cena:

“Fonskinhas pelo beco de Od’Biana”

Fantasia arriscada

Infiltra-se

Retrocede o civismo e a civilidade

É Zona. Nada enigmática. Até muito previsível…etc!

Nem é aquela a infecciosa doença cutânea

Comichosa e de pequenas erupções à superfície

De quem em vida adulta não resolveu as infantilidades do tempo da varicela

Nesta, a gravidade é profunda:

Cria crateras, fissuras permanentes, apodrece a quem é tocado

II

Mas sombria é a zona do beco de Od’Biana

Sim, franca

Zona Franca!

Talvez do comércio livre também

Franca zona que pode ser do ferro, do aço

Ou da

Madeira

De fuga aos Juízos Críticos e Valorativos

Encapotados de ovelha

Num assalto desesperado, com o desamparo do social

Aos porquinhos trabalhadores

Od’Biana quem comanda

Zona que segue seu trilho, já enquistado

Toma lugar no teatro surripiado

Pelos palcos da pouca franqueza

Apela franca

Franqueada sua intenção

Infiltramento

Sem passar pelo tributo

Do juízo de censura tributária e moral

Não quer cumprir o ritual das 3 pancadas de Molière

Antes de entrar em Cena

Com a sua cena dos calores imobiliários desvalorizados

III

Vende-se a língua portuguesa

Quando não se vende o que é transmissível simplesmente

Recebível carinhosamente

Sem regateio

Sem ofertas públicas na privada

Sem promessas

Promessas inadmissíveis

Impossíveis de serem cumpridas

Enchem-se bocas e dentes de palavras

Ininteligíveis ao sentimento

Porque o soar a falsidade no engodo sonoro

É seu mote

IV

Eça ainda não nascera

Por esta Estrada de Benfica

De 1849 passa ao franco jardim

Boa era a estadia, outrora palácio onde tudo não acontecera

E que por ali se estica

Até ao segredo de outra Estrada com seu novo delfim

Poderá levar a ficar-se pelos museus de cera!

V

Pato é pato

Nem de mim foge quando lhe ofereço o tato

Seria ver Eça tísico

Com o reboliço

Da cena em palco: Zona (franca) e Ód’Biana.

 

CPLT

I

Quais os objetivos?

Numa banda:

Cargos, salários e remunerações. Ajudas de custo…? Noutra banda: receitas, lucros e dividendos

III

Que princípios orientadores? Egoísmo, amiguismo, tecnocracia e oligarquia. Em linha ascendente… e única, alastrando-se à categoria de Polvo

Membros e aquisição de sua qualidade? Capacidade económica e financeira para sustentar e financiar através de bolsinhas e saquinhos da cor dos oceanos os membros do Clube Privado do Linguajar Tuguês – CPLT. A inscrever à Porta do Cavalo

II

Ficções jurídicas, a inscrever no saco azulado d’atividade presidenciável

Regra da rotatividade é um logro de que Portugal não faz parte (complexo de colono e de colonizado). É uma norma que não existe. Não vale e não conta…E é o logro também, aquele Gal-tuguês…

Representação dos parlamentos nacionais na Assembleia da CPLT é para estimular o voto em branco nos países a voto. Patrocinam a Violação dos Direitos Humanos!

Estatutos amontoados de formalidades, formalismos e burocratizantes.

… Só posso mesmo concluir que a CPLT é um autêntico conto do vigário!

Os povos são enganados, ludibriados!

 

OBVIAMENTE O DEMITO!
O obviamente aconteceu nesta sombra platónica
Das sombras da Caverna
Por onde me esqueço de equipar de pernas e braços o estado da alma
Retorno à oficina para preencher a falta do esquecimento
Ver se não passa despercebido o afinador da luminosidade
Espelhos e runas a colocar
Entre outros equipamentos
Que parecendo naturais não devemos descuidar
E o obviamente aconteceu
Nas entranhas das dúvidas e das desconfianças
A um véu encapuzado
Protegido por lentes que ao sol não permite chegar
Dançam as sete saias contadas no amor do anzol
E obviamente aconteceu
Foi a sorte
Demito-o. Obviamente!
Ao amor da sombra
Vai assimilando ao descuido
Governando-se no hábito das falhas
Na compra de muletas para as lacunas
Nesta sombra platónica e piscatória
Que nos leva ao pedido de demissão a demitir…



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